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30/11/2014 - 12:53 - Atualizado em 08/12/2014 - 11:37
Traços que antecedem paredes redondas
Exposição apresenta produções de Lina Bo Bardi e Edmar de Almeida
por Autor: 
Diélen Borges

Quem adentrar os corredores curvos da Paróquia Divino Espírito Santo do Cerrado, em Uberlândia, até o dia 5 de dezembro conhecerá os primeiros traços da história desse patrimônio religioso e arquitetônico. Entre as paredes redondas, os estudos para o projeto da Igreja, feitos pela arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi entre 1976 e 1980.

Correspondências trocadas entre ela e o artista plástico araxaense Edmar de Almeida, fotos das visitas deles a Uberlândia, vídeos sobre a construção da igreja e obras de tapeçaria completam a exposição “Lina Bo Bardi e o Triângulo Mineiro”, promovida pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e Design (FAUeD/UFU) em comemoração pelo centenário da arquiteta. De Edmar de Almeida, estão expostas “Cristo na Cruz” (1973), “Nossa Senhora das Lágrimas” (1974), “Ecce Homo” (1975) e “Cântico” (2010), além de reproduções do acervo da exposição “Documento: Repassos – Edmar e as Tecedeiras do Triângulo Mineiro” (1975).

A exposição começou no dia 7 de novembro e, na última sexta-feira (28/11), Edmar de Almeida participou de uma mesa-redonda na igreja, ao lado dos arquitetos André Vainer e Marcelo Ferraz, colaboradores de Lina Bo Bardi, e do também arquiteto Renato Anelli, do Instituto Lina Bo e Pietro Maria Bardi. O debate foi mediado pela professora Maria Elisa Guerra, da FAUeD/UFU.

Antes das discussões, ainda no galpão, o público assistiu à apresentação do grupo de catira “Raízes do Sertão” e à interpretação do texto autobiográfico de Lina Bo Bardi feita pela atriz e professora Yaska Antunes, do curso de Teatro da UFU. O altar da igreja foi palco para o canto lírico de Patrícia Alves, do curso de Música da UFU.

O endereço da Paróquia Divino Espírito Santo é Avenida dos Mognos, 355, Bairro Jaraguá, em Uberlândia. A visitação à exposição acontece de segunda a sexta-feira, das 9h às 12h e das 13h30 às 16h30. O encerramento da exposição será no dia 5 de dezembro, às 19h30, com apresentação do Coral da UFU, interpretando a Missa do Padre José Maurício (século XVIII), e um concurso de bolos arquitetônicos.

Veja abaixo entrevista com Lu de Laurentz, diretor de Cultura da Pró-reitoria de Extensão, Cultura e Assuntos Estudantis (Proex-UFU):

Como se caracterizam as obras de Lina Bo Bardi? Quais as principais?

As obras da arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi se caracterizam como modernas porque a índole, o conceito e o pensamento aplicados que ela trazia da Itália, pré-Segunda Guerra Mundial, vinham do chamado "movimento moderno" europeu, uma produção arquitetônica racionalista que, entre 1914 e 1932, revolucionariamente, operou no sentido de uma integração funcional da arte na sociedade e o compromisso social do arquiteto. 

Então, se por um lado, há essa arquitetura que se conjuga moderna, como linguagem artística das vanguardas históricas, alguns estudiosos da nossa arquiteta elencam a antropologia e o humanismo em suas obras, que falam sobre as nossas questões e da nossa situação no mundo. 

A Lina desenhou, escreveu e projetou muito, muito, muito. Mas, recentemente, uma publicação listou pouco mais de quinze obras como construídas. E, infelizmente, algumas descaracterizadas. 

Em São Paulo, há que se destacar casas, teatro, museu, centro administrativo e centro de convivência. Dando alguns nomes: a sua casa de moradia no bairro Morumbi, a denominada "casa de vidro", de 1951; o Museu de Arte de São Paulo (Masp), 1957-1968; o Sesc Fábrica da Pompéia, 1977 - 1986 e o Teatro Oficina, 1980-1991. 

Na Bahia, restaurações importantes foram executadas, em dois períodos, nos anos de 1950 e na década de oitenta do século passado: o Museu de Arte Moderna / Museu de Arte Popular no Solar do Unhão e, por último, no Centro Histórico de Salvador. Algumas dessas obras do Pelourinho, ô dó!

Qual a relação dela com o Triângulo Mineiro?

O nome é Edmar de Almeida, um jovem artista mineiro, com familiares aqui, e que morava em São Paulo, na década de 70. Ele tinha uma grande amizade com um amigo em comum, da Lina, o arquiteto e professor da FAU-USP [Faculdade de Arquitetura e Urbanismo / Universidade de São Paulo], Flávio Império. Foram apresentados, um ao outro, em São Paulo. O que aconteceu: virou uma paixão bonita, essa amizade. Assim, a Lina veio algumas vezes para cá e ficou hospedada no sítio do Edmar. Em 1975, o Edmar de Almeida expõe no MASP [Museu de Arte de São Paulo]. Na sequência, aqui, em Uberlândia, acontece o encontro dela com os freis franciscanos, Frei Egídio Parisi e o Frei Fúlvio, e o pedido do projeto da igreja do Espírito Santo do Cerrado, no bairro Jaraguá. Em síntese, isso!

A Igreja Espírito Santo do Cerrado, em Uberlândia, foi projetada por ela. Qual a importância artística dessa construção?

Antes de mais nada – com exceção dos projetos, a Casa de Vidro e o MASP, anteriormente listados, dentre outros –, é bom  frisar que a nossa arquiteta trabalhava com colaboradores. Na igreja franciscana local, André Vainer e Marcelo Ferraz, foram seus companheiros, dois jovens e talentosos arquitetos paulistanos. 

O que houve de mais importante, na construção da Igreja do Espírito Santo do Cerrado, foi a possibilidade de um trabalho conjunto entre arquitetos e mão-de-obra. De modo algum foi um projeto elaborado em um escritório de arquitetura e enviado simplesmente para execução, pois houve um contato fecundo e permanente entre a arquiteta, equipe e o povo do bairro Jaraguá que se encarregou de realizá-lo. 

Lina e seus jovens arquitetos, ao assinar essa experiência construtiva, entre 1976 e 1982, vivenciou um teste de viabilidade, praticado por ela junto à comunidade do bairro Jaraguá. E, nessa experiência, avistou que as três graças arquitetônicas, a ética, a estética e a poética, podem e devem andar juntas. Mais uma vez, em sua vida, o gesto moderno da projetista, pela simplicidade e economia, interage com as lições do saber e do fazer astuto e altivo dessa gente brasileira, em pleno cerrado de Minas Gerais.

Que tipo de material está sendo exposto em Uberlândia?

Nesse conjunto arquitetônico religioso (quiosque comunitário, casa  e igreja) há as ações que fazem parte da comemoração ao centenário da arquiteta Lina Bo Bardi.

Para o quiosque, estão reservadas as ações culturais como apresentações musicais, de dança e de teatro. No espaço da casa, está a "exposição documento: Repassos - Edmar de Almeida e as Tecedeiras do Triângulo Mineiro", as obras são parte da exposição apresentada no MASP, em 1975, e há também nas antigas celas – dormitórios das irmãs –, vídeos com imagens da construção do conjunto do Espírito Santo e, em mesas, há um material fabuloso em correspondências, cartões, fotografias, dentre outros objetos pessoais da amizade do artista mineiro com a arquiteta ítalo-brasileira. Para a igreja, é possível ver desenhos do artista Edmar de Almeida como "o batismo de Cristo" concebido para aquele lugar. Ali é um local de oração e também de apreciação às artes e às palavras (artes visuais, música e debate).

Que eventos estão agendados? Quem estará presente?

Na noite de cinco de dezembro haverá uma solenidade institucional e uma apresentação do Coral da UFU e, como é a data do aniversário da arquiteta – se viva estivesse –, haverá um concurso de bolos que poderão ser maquetes doces e tectônicas. 

Desde quando a exposição abriu, no dia 7 de novembro, o que aconteceu por lá, eu elenco já: uma apresentação da Orquestra Popular do Cerrado, uma mesa redonda com os arquitetos colaboradores da Lina, o Marcelo e o André, que junto com o Renato Anelli, arquiteto e professor da USP e representante do Instituto Lina Bo e P.M. Bardi, todos conversaram com o Edmar de Almeida e com o público. Quem mediou a mesa redonda foi a arquiteta e professora da FAUeD-UFU, Maria Eliza Guerra, que também faz parte da comissão organizadora da exposição "Lina Bo Bardi e o Triângulo Mineiro".

Nessa mesma noite em que houve a mesa redonda aconteceram três apresentações artísticas, o grupo de catira "Raízes do Sertão" com Tarcísio Manu Véi e Yaska Antunes, professora da escola de Teatro do IARTES-UFU leu trechos da vida e obra da arquiteta Lina Bo Bardi. Enquanto essas sessões culturais artísticas foram no quiosque comunitário, Poliana Alves fez um concerto sacro pré-debate, no interior da igreja.

O maior momento emocionante da noite de sexta-feira, dia 28 de novembro, foi a presença de seis pessoas que estão registradas nas fotografias da época da construção da igreja, entre 1976-1982. No sábado, no horário angelus, o Conectivo Nozes, da escola de Dança do IARTES-UFU [Instituto de Artes] também se apresentou com a performance "Cara Lina". O coletivo performático ocupou com seus movimentos, cantos e palavras, o conjunto completo da igreja do Espírito Santo do Cerrado. 

Mais informações:

Galeria de imagens da exposição Lina Bo Bardi e o Triângulo Mineiro

Exposição da arquiteta Lina Bo Bardi acontece em Uberlândia

Instituto Lina Bo Bardi

Av. João Naves de Ávila, 2121 - Campus Santa Mônica - Uberlândia - MG - CEP 38400-902

+55 34 3239-4411 | +55 34 3218-2111

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