Skip to:

FacebookTwitterFlickrYoutubeFeed RSS

  • Aumentar
  • Diminuir
  • Normal

Current Size: 100%

29/11/2016 - 12:10 - Atualizado em 06/12/2016 - 10:49
Valder Steffen e Orlando Mantese falam sobre futuro da UFU
Confira a íntegra das declarações dos futuros gestores à nova edição do Jornal da UFU. Em pauta, temas como a formação da equipe de gestão, a situação do Hospital de Clínicas e o destino do Campus Glória
por Autor: 
Hermom Dourado

 

Que avaliação os senhores fazem sobre o período de campanha e como se deu este processo eleitoral.

STEFFEN: Foram poucos meses, porém meses muito intensos. Tínhamos um propósito de sair deste processo da maneira que entramos, ou seja, fazer uma campanha sempre propositiva, que nunca falou mal de gestões ou de pessoas. Em alguns momentos foi necessário fazer algum tipo de diagnóstico, mas sempre com a finalidade de olhar para o futuro da universidade.

 

Houve surpresas e descobertas durante as visitas aos diversos setores e campi da UFU?

STEFFEN: Várias demandas surgiram ao longo desta caminhada e algumas sugestões que recebemos foram incorporadas ao nosso plano de gestão. Em todas as páginas da carta programa que apresentamos à comunidade UFU está escrito que este documento estava em construção democrática permanente. E ele assim permanecerá durante todos os quatro anos do nosso mandato porque os problemas e as oportunidades são dinâmicos. Aqui no Brasil ambos aparecem de maneira inesperada. Em suma: a nossa carta programa tem um eixo central, mas é flexível para se adaptar às necessidades que surgirem e também para incorporar as boas ideias que recebermos.

 

Tivemos mais de 50% de abstenções no primeiro turno e bem perto deste índice no segundo. A que o sr. credita este desinteresse?

STEFFEN: Isso é histórico. Se formos comparar a participação da comunidade acadêmica nesta consulta com a das edições anteriores, não houve muita diferença nos percentuais de votantes e de abstenções. No segundo turno, nós até fomos surpreendidos positivamente com o interesse, pois houve mais de mil votantes a mais que no primeiro turno. A presença dos docentes chegou bem ao limite daquilo que se consegue numa eleição como esta e que ocorreu num momento em que identificamos, em função da situação nacional, um certo descaso, uma descrença com o processo político; qualquer que seja ele.

 

Qual o fator decisivo que culminou com a vitória do seu grupo na consulta eleitoral?

STEFFEN: Foi termos insistido numa campanha propositiva centrada na UFU e deixando claro em todos os momentos que o interesse das pessoas do iNova UFU convergia para a própria universidade. Nosso grupo é suprapartidário e não tem uma coloração política específica. Temos pessoas de todos os partidos e com plena liberdade de se manifestar como quiser aqui dentro e lá fora. O que nos une é o tratamento das questões institucionais: todos somos UFU. O pensamento comum é fazer com que ela adquira o maior protagonismo nacional e internacional. A nossa unanimidade é a instituição.

 

Na última entrevista que o sr. concedeu a este jornal, falou sobre a criação de um Plano de Segurança Institucional. Recentemente tivemos a troca de vigilantes por porteiros. Esta medida pode comprometer a implantação daquele projeto?

STEFFEN: Não temos ideia do que motivou e como foi feita esta transição, substituindo mais de 100 vigilantes por porteiros. Entendo a alegação da economia financeira proporcionada por esta medida. Porém, para que isso tenha alguma eficiência, é necessário que a gente disponha de tecnologia. Temos que ter um sistema de câmeras muito bem posicionadas e funcionando, com uma ou mais centrais de monitoramento em paralelo. Caso contrário, vamos estar profundamente vulneráveis. Fazendo uma análise superficial desta situação, sem estar de posse de todas as informações necessárias sobre este assunto, esta é a minha avaliação.

 

Qual o perfil desejado para a montagem da sua equipe de gestão?

STEFFEN: O nosso grupo conversou sobre três critérios básicos que adotaremos para montar a equipe gestora. Primeiramente, queremos que ela seja constituída por pessoas que tenham inteligência emocional, ou seja, que saibam trabalhar em equipe, porque essa vai ser uma característica da gestão. O segundo critério é a competência técnica na área, pois quatro anos passam muito rapidamente e não há tempo para que a pessoa aprenda a tarefa que lhe foi confiada e está sob sua responsabilidade. E o terceiro é a questão do amor à universidade, já que as horas trabalhadas serão muitas, o compromisso será elevado e o envolvimento será total.

 

Com relação ao papel do vice-reitor, algumas funções estratégicas já estão definidas para ele?

STEFFEN: Não tratamos especificamente de divisão de tarefas e coisas desse tipo, mas evidentemente temos que reconhecer a profunda experiência do professor Orlando na área de saúde e particularmente na gestão hospitalar no ambiente SUS [Sistema Único de Saúde]. É natural que aproveitemos ao máximo esse potencial. Mas assim como o HCU [Hospital de Clínicas de Uberlândia] vai precisar da ação dele, vai precisar da ação do reitor. Do mesmo modo que o restante da universidade também vai precisar da ação do vice-reitor.

MANTESE: Nós tivemos a fase do encantamento, da aproximação, do noivado e agora estamos numa fase de casamento profissional e isso vai delimitar as orientações do reitor em relação às atribuições de cada um. Quero acreditar que, a despeito das nossas preparações e capacitações da vida profissional, esta é uma fase nova que vai exigir uma modulação para atender as necessidades e conveniências da instituição.

 

Como o senhor compara a UFU de quando foi pró-reitor e a de hoje?

STEFFEN: Estamos em meio a uma situação política e econômica complexa, com anúncio de alguns cortes. Até 2012, quando eu estava na equipe de gestão, tínhamos cenário econômico favorável e o governo estava concluindo os investimentos pós-Reuni. Hoje a UFU enfrenta desafios relacionados a projetos que ainda não foram consolidados e carecem de mais investimentos. Precisamos deixar claro para o governo que, se esses projetos sofrerem uma interrupção, causarão prejuízos para os estudantes, para a universidade e para a própria sociedade. Isso vale para o que estamos fazendo em Patos de Minas, Monte Carmelo, Ituiutaba e também aqui em Uberlândia.

 

De que forma estimular os estudantes a buscar os recursos disponíveis nas agências financiadoras, chamadas públicas, etc?

STEFFEN: Durante toda a fase de campanha a gente sempre mencionou que quando a universidade parar de apresentar projetos, parar de sonhar, é porque ela morreu. Ela tem que continuar insistindo. Uma das nossas ações na Reitoria será permanentemente demandar do governo o apoio a estes projetos em fase de consolidação que mencionei anteriormente. Além desta ação política, temos que apresentar projetos nos ministérios da Educação, da Saúde, da Ciência, Tecnologia e Inovação, junto aos parlamentares da região, tentando emendas deles e de bancada. Estas ações contínuas devem ser organizadas e transformadas em projetos.

 

Quais os prós e os contras da atual gestão? O que manter e o que mudar?

STEFFEN: Temos que reconhecer que algumas ações que foram implementadas são positivas e deverão ser apenas aperfeiçoadas. Exemplo: foi criado um software que facilitou a coleta de informações das várias unidades acadêmicas e administrativas para a elaboração do planejamento institucional no Pide [Plano Institucional de Desenvolvimento e Expansão]. Outra ação foi a da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propp), incentivando os laboratórios multiusuários. O que precisa mudar é que a administração superior precisa estar mais presente na ponta da universidade, que é onde ela acontece: tem que se aproximar do hospital, da sala de aula, das fazendas, dos campi que não estão em Uberlândia e assim por diante.

 

De que forma será possível promover uma interatividade maior entre a administração e todos os segmentos?

STEFFEN: Videoconferências, blog do reitor e mídias sociais são algumas ferramentas interessantes para aumentar a interatividade com a comunidade acadêmica, mas elas não dispensam a presença da administração superior em alguns momentos. Estes canais de acesso mais fácil à Reitoria são importantes, porém não podemos perder de vista algumas frases que o grupo iNova UFU utilizou com bastante frequência na campanha: ‘pense junto, faça junto’ e ‘todos nós somos UFU’. Por trás destas duas expressões, têm muito disso que estamos falando aqui.

 

Como será o diálogo com a Associação dos Docentes da UFU (Adufu), o Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos (Sintet) e os comandos das fundações?

STEFFEN: Uma coisa é a comunidade universitária – professores, técnicos administrativos e estudantes –; outra são os sindicatos. Eles têm total autonomia e a nossa intenção é sempre ter um diálogo aberto, franco e leal com todos. A comunidade universitária está sob a gestão da administração superior e os sindicatos têm vida própria, suas políticas e ações. Cabe a nós, mantermos um diálogo construtivo, respeitoso, leal.

 

E com relação aos debates com os outros três candidatos? Algumas propostas apresentadas por eles interessaram ao sr. e também podem vir a ser adotadas na sua gestão?

STEFFEN: O processo é muito rico e tivemos chamadas de atenção para determinados problemas e situações específicas que necessitam de uma ação mais cuidadosa da administração superior. Um dos candidatos insistiu bastante na questão do processo de gestão, do uso de ferramentas modernas de tecnologia da informação para facilitá-lo. Nós já estávamos trabalhando nesta direção também, mas a ênfase de uma das candidaturas apontou pra isso de uma maneira nítida e corroborou para aquilo que já estávamos pensando.

 

O que fazer para equilibrar as finanças do HCU, cumprir o papel social e o acadêmico, com a formação de novos médicos?

MANTESE: O hospital, como parte do sistema de saúde nacional, da universidade pública federal e da estrutura onde vivemos, sofre a crise. A crise do HCU tem origem multifatorial: econômica, financeira, de gestão e merece da gestão atual o cuidado que está recebendo e da gestão futura, ora eleita, a continuidade dos projetos positivos, prósperos, para atender essa necessidade em curto, médio e longo prazo. Isso envolve busca de recursos para minimizar os efeitos da restrição financeira; melhora da gestão profissional num caminho cujo término não é possível vislumbrar, pois sempre haverá um desafio à frente a ser vencido; e um processo de transição da gestão atual para a próxima que está se mostrando bastante positivo e interativo.

STEFFEN: A nossa administração vai sempre defender e apresentar o nosso Hospital de Clínicas como sendo um hospital-escola. Em conjunto com o atendimento que é feito à população temos a enorme responsabilidade de formar recursos humanos na área de saúde em alto nível, compatível com as necessidades da sociedade, com a importância da nossa instituição, de tal forma que tanto o ensino em nível de graduação como de pós-graduação, passando pela residência médica e a residência multiprofissional, têm que acontecer da melhor maneira possível.

 

Quais são as medidas urgentes e as metas até 2020 que a nova gestão planeja para o Campus Glória?

STEFFEN: O Glória está em meio àqueles projetos não consolidados que mencionei. Do Campus Umuarama já foram transferidas para lá algumas atividades da Medicina Veterinária e da Agronomia. Segundo a atual gestão nos informou, as duas próximas unidades acadêmicas que irão para o Campus Glória serão a Engenharia Civil e a Engenharia Mecânica. Sou o diretor desta última e digo que ela não iria, em um primeiro momento, na sua integralidade, pois o espaço que teremos lá não é capaz de comportar toda a unidade. Antes de novas ações, a UFU precisa primeiro garantir que estas duas unidades do Umuarama e as duas unidades do Santa Mônica sejam completamente atendidas no Glória para que elas possam estar lá definitivamente. Agora, existem questões relacionadas à segurança, à biblioteca, a acesso. Com tudo isso, temos que entender que o futuro da UFU é aquele espaço, não temos outro. É ali que vai permitir inclusive que consigamos aliviar a situação que temos no Umuarama, no Santa Mônica e eventualmente no Campus da Educação Física e na Eseba [Escola de Educação Básica].

 

Inovação estava até no nome da sua chapa. Quais são as principais propostas para estimular a criatividade, o empreendedorismo e todo o potencial dos acadêmicos?

STEFFEN: A UFU já dispõe de empresas juniores, incubadora de empresas e inúmeras atividades que têm a ver com inovação. Vamos encontrar isso nos grupos PET [Programa de Educação Tutorial], nos diferentes programas de pós-graduação, em alguns projetos que a universidade realiza com o setor industrial; são todas portas para a inovação. Existem ações desenvolvidas pela Agência Intelecto, que inclusive têm a ver com a propriedade intelectual. São projetos extremamente importantes e que precisam de continuidade e de apoio. Em torno das boas universidades do Brasil que têm desenvolvido bastante bem essa questão da inovação, nós notamos um número grande de pequenas empresas de base tecnológica, muitas delas nascidas a partir de iniciativas de estudantes. Não são professores como eu e o Orlando, já na fase final da carreira, que vão empreender uma empresa de tecnologia; são exatamente os jovens estudantes. Observamos isso no mundo inteiro.

 

Transparência com acesso aos debates nos conselhos, transmissão das reuniões, é plausível?

STEFFEN: Essa é uma demanda que já tem aparecido e da nossa parte não há nenhuma dificuldade, nenhuma restrição em se trabalhar nessa direção. Alguns assuntos que são tratados nestas reuniões chamam a atenção da comunidade e outros dizem respeito apenas à rotina da vida universitária e interessam quase exclusivamente a um ambiente mais interno. Vamos observar isso na prática.

 

Como será a consolidação da Pró-Reitoria de Assistência Estudantil?

STEFFEN: Na nossa campanha valorizamos muito a criação desta pró-reitoria. Inclusive uma proposta que temos no que diz respeito à administração dos recursos da Proae é ter um comitê com a participação de estudantes para a destinação desses recursos. Lembramos que eles é que vão manter em funcionamento os nossos campi universitários, moradia estudantil, diferentes tipos de bolsas que temos nesta instituição.

 

A seu ver, é necessário alterar a estrutura administrativa da UFU?

STEFFEN: Já observamos e identificamos algumas demandas neste sentido. Por exemplo: existe sugestão para que se separe a Pró-Reitoria de Planejamento da de Administração. Isso é uma demanda antiga e existem algumas universidades federais que procedem desta maneira. Até aqui, a UFU achou estratégico, por algumas razões, ter estas duas áreas unidas numa mesma pró-reitoria. Existem universidades também que têm uma Pró-Reitoria de Pesquisa e uma de Pós-Graduação. O que se argumenta é que, se vamos a uma reunião do Conselho de Pesquisa e Pós-Graduação, a pauta é tomada quase que exclusivamente por questões relacionadas à pós. O fato é que precisamos avaliar todos os argumentos com calma e não tratamos ainda especificamente destes temas.

 

E os campi fora de sede?

STEFFEN: Isso está nos projetos ainda não consolidados. Pretendemos ter um olhar muito cuidadoso, muito atento para o Campus Patos de Minas, de Monte Carmelo e de Ituiutaba. Eles foram criados pela UFU, atendendo a uma demanda importante da sociedade local. Esses campi estão se saindo muito bem. A qualidade do corpo docente e dos técnicos administrativos contratados para eles é marcável. Tanto é verdade que eles são novos, mas já têm programas de pós-graduação sendo aprovados ou em vias de aprovação. Isso demonstra que estas unidades têm sonhos e é importante que estes sonhos sejam atendidos pela UFU rapidamente.

MANTESE: É surpreendente o impacto na sociedade destes locais. Isso é perceptível até para quem está começando nestas viagens. A sociedade local absorve de maneira surpreendente. Dá um estímulo, né?

STEFFEN: Dá um estímulo, às vezes redireciona a sociedade local, induz determinadas ações que talvez estavam meio adormecidas, mas a presença da universidade começa a cutucar em determinadas áreas. Nós estamos em uma região que tem muita carência, por exemplo, na área de cultura, de artes. Quando se instala um campus naturalmente essas questões começam a serem fomentadas.

 

O que é praticado em instituições do exterior e que também é viável de se trazer para cá, apesar de todas as diferenças econômicas, estruturais e culturais existentes?

MANTESE: Os desafios são proporcionais às realidades locais. Nas instituições do exterior onde o professor Valder fez estágio o desafio é de uma magnitude, ao passo que aqui, onde eu faço, é de outra. Mas a essência é o desafio. Se eu perder a pergunta, não vou atrás da resposta, não terei aquele estímulo acadêmico, tecnológico ou assistencial.

STEFFEN: É isso mesmo. Ainda seguindo neste raciocínio, o que posso acrescentar é que a universidade lá fora, nos países mais avançados que o nosso, tem uma dimensão muito clara da sua responsabilidade, ou seja, do seu compromisso com a qualidade do ensino. Estas boas universidades têm uma atenção muito grande em proporcionar um ensino de qualidade para as sociedades que servem. Independente de qualquer coisa, a UFU pode perseguir esta qualidade cada vez mais. A outra coisa é uma preocupação grande com a repercussão da pesquisa que ela faz. De que maneira aquela pesquisa repercute no país e internacionalmente? Ela vai melhorar a qualidade de vida da população? Vai apontar novos caminhos para o país? Está sendo feita para inovar nas empresas e indústrias? Por fim, há uma maneira muito nítida da universidade se relacionar com a sociedade. Estas três coisas estão previstas na Constituição: é o que chamamos de ensino, pesquisa e extensão. A qualificação destas ações é que faz a universidade ser protagonista. O resto é rotina da vida da universidade.

 

>>> VERSÃO ON-LINE DO JORNAL DA UFU

Av. João Naves de Ávila, 2121 - Campus Santa Mônica - Uberlândia - MG - CEP 38400-902

+55 34 3239-4411 | +55 34 3218-2111

© 2019. Universidade Federal de Uberlândia. Desenvolvido por CTI, com tecnologia Drupal