Skip to:

FacebookTwitterFlickrYoutubeFeed RSS

  • Aumentar
  • Diminuir
  • Normal

Current Size: 100%

08/03/2017 - 12:42 - Atualizado em 13/03/2017 - 14:20
Docentes da UFU compõem júri do carnaval paulistano
Quatro professores do Instituto de Artes avaliaram os três dias de desfiles no sambódromo da capital paulista
por Autor: 
Hermom Dourado

Jarbas Siqueira, Eduardo Tullio e Maurício Orosco viveram fortes emoções no Anhembi.(Foto: Milton Santos)

Concentração, atenção, seriedade, respeito, isenção, ética e uma enorme dose de disposição para julgar 22 escolas de samba ao longo de três noites de desfiles no sambódromo do Anhembi, em São Paulo. Em suma, foi essa a missão recebida por um grupo de quatro docentes da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) convidados a compor pela primeira vez o corpo de jurados do carnaval paulistano: Eduardo Tullio e Maurício Orosco, do curso de Música, e Ana Mundim e Jarbas Siqueira, do de Dança.

Assim como os professores da UFU, todos os demais especialistas que avaliaram os desfiles foram estreantes nesta função naquele megaevento. Eles foram selecionados a partir de um processo de consultas curriculares e entrevistas realizado por uma empresa de recrutamento contratada pela Liga das Escolas de Samba de São Paulo. A pré-seleção escolheu 174 pessoas. Posteriormente, dois módulos de treinamento definiram 54 candidatos, dentre os quais 36 foram sorteados para compor o corpo de jurados tanto dos 14 desfiles do Grupo Especial – nos dias 24 e 25 de fevereiro – quanto dos 8 do Grupo de Acesso – no dia 26.

Jurados posam para foto antes da saída do hotel para o Sambódromo do Anhembi. (Foto: Renata Rebelo/Rebelo Treinamentos)

E engana-se quem pensa que o trabalho foi pura diversão. Siqueira, um dos avaliadores do quesito “Mestre-Sala e Porta-Bandeira”, revela que todos os jurados tiveram até mesmo os seus aparelhos eletrônicos retidos pela organização durante os sete dias em que ficaram “confinados” antes e durante as apresentações no sambódromo. Nos dias de desfile, o intervalo entre a saída e o retorno ao hotel era de aproximadamente 12 horas. “Nosso treinamento foi para adotarmos como critério de avaliação as normas indicadas no manual da Liga, ou seja, tanto a escola que fosse ‘sensacional’ e ‘levantasse a arquibancada’ quanto a que fizesse apenas um desfile ‘certinho’ receberiam a nota 10, caso cumprissem tudo aquilo que é pedido para o quesito”, explica.

A primeira experiência dele como jurado de carnaval havia ocorrido no final da primeira década deste século, avaliando “Evolução” na folia de Esmeraldas (MG). Nada, porém que se compare à grandiosidade e a tudo que cerca o evento na capital paulista. “Sempre fui muito fã deste tipo de apresentação e me encanta a capacidade das escolas de pegarem um tema e apresentá-lo ao longo de uma hora, desenvolvendo toda uma história, um texto dramático sobre aquilo. O que mais me fascinou nos desfiles de São Paulo foi o envolvimento das comunidades com as escolas, a paixão e verdadeira devoção demonstrada por agremiações como Tatuapé, Rosas de Ouro, Mocidade Alegre e Vila Maria”, enumera.

Ainda segundo Siqueira, a vontade de repetir a experiência é grande, mas não devido ao fator financeiro, e sim por tudo que se vive e se testemunha em uma festividade como esta: "Se formos considerar a carga de trabalho e a responsabilidade que assumimos, a remuneração é realmente muito baixa, mas a vivência é riquíssima. Como pesquisador de cultura popular brasileira, voltei com muito mais know-how para fomentar o debate, a pesquisa e a produção de materiais acadêmicos sobre este tema com os meus alunos.”

 

Revisão de conceitos

Membro do corpo de jurados do quesito “Harmonia”, Orosco afirma que sai deste carnaval com uma nova opinião sobre os desfiles de escolas de samba. “Confesso que tinha um certo preconceito e uma visão meio distorcida por sempre ter acompanhado estes desfiles pela transmissão da televisão. Para mim, foi uma grande descoberta. Existe uma sonoridade que só é possível de se perceber estando ali, diante deste espetáculo, e vendo aquela coletividade. Para um desfile dar certo, é preciso muita organização e profissionalismo. Definitivamente, é festa, mas não é baderna; é arte, muita arte”, sintetiza.

O professor de violão confessa que ficou tão impressionado com o que viu, a ponto de ter tido até dificuldades para conseguir dormir após a volta ao hotel na manhã seguinte aos primeiros desfiles. Ele garante, porém, que todo cansaço foi recompensado: “A lição que fica é esta da coletividade, contrapondo aquela visão normalmente um pouco distorcida do concertista sobre o carnaval. E isso é muito bacana para a discussão acadêmica na minha área, pois o repertório de literatura do violão tende a ser muito europeizado, apesar de existirem fontes mais recentes com compositores brasileiros.”

 

Av. João Naves de Ávila, 2121 - Campus Santa Mônica - Uberlândia - MG - CEP 38400-902

+55 34 3239-4411 | +55 34 3218-2111

© 2018. Universidade Federal de Uberlândia. Desenvolvido por CTI, com tecnologia Drupal