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09/05/2018 - 10:18 - Atualizado em 15/06/2018 - 08:20
Prefeitura Universitária troca lâmpadas halógenas e envia para reciclagem
Mudança de tecnologia reduz em até 15% o valor da conta de energia elétrica da universidade
por Autor: 
Fabiano Goulart

Destino correto de resíduos sólidos evita contaminação e reinsere produtos na economia (Foto: Fabiano Goulart)

 

Reduzir gastos, evitar a contaminação de solos e cursos d'água e reinserir produtos reciclados na cadeia produtiva. Com esses objetivos, a Universidade Federal de Uberlândia (UFU), por meio da Diretoria de Sustentabilidade (Dirsu), da Prefeitura Universitária (Prefe), encaminha para a reciclagem, neste semestre, mais um lote de lâmpadas halógenas, queimadas, recolhidas dos diversos campi da universidade.

Com a  ação, a UFU atende ao disposto na Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) – Lei 12.305/2010 –, que estabelece as diretrizes para a gestão integrada e o gerenciamento ambientalmente adequado dos resíduos sólidos em instituições classificadas como grandes geradoras de resíduos. Enquadrada nesta categoria, a UFU tem a responsabilidade de gerir e dar destinação correta às suas sobras e descartes, incluídos os produtos que oferecem riscos às pessoas e ao meio ambiente, como é o caso das lâmpadas que utilizam mercúrio e outros elementos potencialmente contaminantes.

“Esta destinação tem sido feita a cada dois ou três anos e essa remessa tem 72 mil lâmpadas. Com as sucessivas substituições, essa quantidade tende a diminuir em razão do uso de lâmpadas de vida útil mais longa e que não utilizam de componentes tóxicos em sua fabricação”, explica o diretor de Sustentabilidade da UFU, Nelson Barbosa Júnior.

Para serem descartadas, de acordo com a PNRS, as lâmpadas halógenas precisam passar por tratamento específico e não podem mais ser jogadas em lixo comum ou em aterros sanitários. A medida visa evitar a contaminação do meio ambiente por metais pesados utilizados na fabricação destes produtos.

 

Diretor de Sustentabilidade, Nelson Barbosa Jr.: "A UFU tem a responsabilidade de gerir e dar destinação correta às suas sobras e descartes" (Foto: Fabiano Goulart)

Mudança de tecnologia

Até recentemente, afirma Barbosa, a reposição das lâmpadas queimadas na UFU era feita por unidades de mesma tecnologia, que são as lâmpadas fluorescentes, de vida útil curta e que dependem de reatores para funcionar, o que aumenta custos de instalação e gastos com energia. Diferentemente, as novas lâmpadas de LED – sigla para Light Emitting Diode ou “diodo emissor de luz”, em tradução livre –, que passaram a ser adquiridas pela universidade, têm o mesmo formato, mesmo tamanho e vida útil mais longa, se comparadas às antigas halógenas, além de dispensarem o uso de reator.

“A partir de 2017, a UFU passou a adquirir, exclusivamente, lâmpadas de LED e, quando necessária, a substituição é feita, automaticamente, por essas lâmpadas, que fornecem a mesma luminosidade, só que com uma vida útil muito maior, com gasto de energia muito menor, o que reduz os gastos da UFU com a conta de energia elétrica e, no final, não temos resíduos tóxicos como no caso das fluorescentes”, explica Barbosa.

Além do alto consumo e baixa durabilidade, quando instalados em ambientes com sensores de presença, a vida útil dos conjuntos de lâmpadas halógenas e reatores é ainda menor e alcança, no máximo, de acordo com Barbosa, uma média de 1,5 a 2 anos. “O liga-desliga que, por um lado, reduz o consumo de energia, mas, por outro, diminui também o tempo de vida do equipamento, o que exige mais gastos de materiais e de mão de obra”, pondera o diretor.

 

A destinação correta

De acordo com chefe do setor de Gerenciamento de Resíduos da UFU, Júlio César Costa, as lâmpadas descartadas são encaminhadas por meio de empresa especializada, licitada especificamente para esse fim, para tratamento e recuperação das substâncias potencialmente nocivas ao meio ambiente, como o mercúrio, alumínio e pó de fósforo, retirados dos bulbos das lâmpadas. “Com essas 72 mil lâmpadas que estamos entregando nessa remessa, em torno de 35 a 40 quilos de mercúrio deixarão de ser descartados de forma imprópria no meio ambiente e serão novamente inseridos na cadeia produtiva”, explica Costa.

Júlio Costa, do Gerenciamento de Resíduos da UFU: "Com essa remessa, em torno de 35 a 40 kilos de mercúrio deixarão de ser descartados de forma imprópria no meio ambiente" (Foto: Fabiano Goulart)

 

Economia

A estimativa de economia com a troca de lâmpadas é, segundo o diretor de sustentabilidade da UFU, de 15 a 20% do total de gastos com manutenção e contas de energia elétrica. “Fizemos um cálculo recentemente do retorno sobre o investimento em médio e longo prazos e concluímos que a troca de lâmpadas resulta num retorno sobre o investimento de seis a oito meses e um impacto em torno de 10 a 15% de redução no valor da conta de energia elétrica e, além disso, uma lâmpada que dura 2 mil horas passa a durar 25 mil horas”, explica Barbosa.

 

Tratamento e certificação

Quanto se atinge um volume significativo de lâmpadas a serem recolhidas e definidos os parâmetros técnicos para a destinação correta do material, a UFU contrata, por licitação, a empresa que, possuindo as certificações e condições necessárias para o tratamento e destinação dos diferentes tipos de resíduos, ofereça menor preço. “Uma vez definida a empresa, são determinados os pontos de coleta nos campi de Uberlândia, Ituiutaba, Monte Carmelo e Patos de Minas, para o recolhimento das lâmpadas descartadas. Ao final do processo, a empresa emite para a UFU um certificado de destinação correta dos resíduos gerados em suas diversas atividades.

Segundo o engenheiro Victor Witzler, responsável técnico da empresa contratada, as  lâmpadas passam pela desmercurização, processo licenciado pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), no qual há a separação dos componentes vidro, pó de fósforo, mercúrio e alumínio. No final do processo, parte dos componentes seguem para outras etapas do processo de reciclagem, outros para descarte apropriado e os demais são reinseridos na cadeia produtiva. “As lâmpadas, conforme legislação ambiental e NBR 10.004:2004, são classificadas como resíduos classe I perigoso. Isso deve-se aos percentuais quantitativos existentes de metal pesado na sua composição. O mercúrio é um elemento químico tóxico, contaminante, que livre no meio ambiente entra na cadeia alimentar do ser humano, contaminando e causando doenças degenerativas, problemas físicos e psicológicos decorrentes”, afirma Witzler.

 

O engenheiro responsável, Victor Witzler, supervisiona embarque de lote com 72 mil lâmpadas para reciclagem (Foto: Fabiano Goulart)

Ainda segundo Witzler, o sistema de rastreabilidade exigido pelos órgãos de fiscalização e regulação, tais como Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), Superintendências Regionais de Meio Ambiente (Suprams), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Prefeitura Municipal, dentre outros, obriga a prestadora de serviços a informar a origem e o destino dos produtos e seus componentes. “Ao término dos trabalhos, a UFU recebe da Witzler um certificado de destinação adequada dos resíduos, garantindo, legalmente, que o material chegou até nós e por qual processo homologado o resíduo será tratado e destinado”, afirma o engenheiro.

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