Skip to:

FacebookTwitterFlickrYoutubeFeed RSS

  • Aumentar
  • Diminuir
  • Normal

Current Size: 100%

25/06/2018 - 09:19 - Atualizado em 07/07/2018 - 22:56
Museu do Índio é referência na defesa de patrimônio etnográfico
Órgão foi criado há 30 anos
por Autor: 
Marco Cavalcanti

O museu recebe, a cada ano, cerca de 13 mil alunos e outros 1.500 visitantes espontâneos (foto: Marco Cavalcanti)

 

Explicar para seus visitantes que é um erro acreditar que os índios vestiam, pescavam ou caçavam é uma das “missões” do Museu do Índio - órgão da  Universidade Federal de Uberlândia, vinculado à Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (Proexc/UFU). Isso porque os indígenas vestem, pescam e caçam. Os verbos, conjugados incorretamente até em livros didáticos, têm que estar sempre no presente.

Parte dos quase 900 mil indígenas do país - mais de um terço deles em áreas urbanas - utilizam máquinas, equipamentos eletrônicos e internet.  Eles lutam por qualidade de vida e contra invasões territoriais, degradação ambiental, exploração sexual, aliciamento e uso de drogas, exploração de trabalho, êxodo e mendicância.

Os indígenas são influenciados por outros hábitos e costumes, mas não deixaram de ser índios. Estão vinculados a uma cultura ancestral. A contribuição para a formação da cultura brasileira está em todas as áreas, como na linguística, culinária, arte e na medicina. Reunir, preservar e transmitir esse patrimônio histórico-cultural é o objetivo do Museu do Índio.

Ao ser doada à UFU, a coleção foi ampliada, passou por processos de preservação, pesquisas, catalogação e exposição (foto: Marco Cavalcanti)

De acordo com a ex-secretária Municipal de Cultura de Uberlândia e coordenadora do Museu do Índio, Lídia Meirelles, quando a pessoa estuda as culturas, a vida e a história das populações indígenas, está estudando a sua própria história. “É um absurdo você pensar que uma criança vai para a escola e aprende muito mais a história de outros países, de outras realidades culturais, do que a sua própria”, questiona.

Lídia Meirelles observa que o preconceito contra as populações indígenas está aumentando.  “Você tem algumas razões que contribuem para isso. Primeiro, a bancada do agronegócio e dos interesses voltados para o agronegócio no Congresso Nacional. Isso é claro. Você percebe isso desde a nomeação do presidente da Funai [Fundação Nacional do Índio], passando por todas as PEC [Propostas de Emenda Constitucional], que ameaçam todo tempo, a vida, o território, os direitos já conquistados das populações indígenas”, relata.

A coordenadora do museu cita o fato de as organizações indígenas estarem “muito bem institucionalizadas” e lutando pelos seus direitos. O volume e a qualidade dessas organizações indígenas ou de defesa dos direitos indígenas, afirma ela, geram muitos confrontos e, com isso, mais preconceito em relação às populações indígenas.

A contribuição indígena para a formação da cultura brasileira estão em diversas as áreas (foto: Marco Cavalcanti)

Além da bancada do agronegócio e da organização indígena, um outro motivo, conforme Meirelles, concorre para uma pressão maior sobre estas sociedades: o aumento da densidade populacional dos povos indígenas no Brasil. “Havia uma previsão muito pessimista de que em 2000 a gente não teria mais índios no Brasil. Realmente aconteceu o inverso”, destaca a coordenadora.

Origem

O museu teve seu embrião formado no início dos anos 1970 e fora da universidade.  Nessa época, Dona Maria Oranildes Crosara, moradora de Uberlândia, trouxe para a cidade artefatos indígenas adquiridos a partir de viagens que fazia, em companhia do marido, pelo interior do país. O material era exposto na garagem da casa dela para fins educativos. A intenção era mostrar para escolares a origem do Brasil.

Ao ser doada para o então Núcleo de Pesquisa e Documentação em História e Ciências Sociais da UFU, a coleção foi ampliada, passou por processos de preservação, pesquisas, catalogação e exposição. Em 1987 era realizada a I Mostra de Cultura Indígena, referência como criação do Museu do Índio.

As coleções são formadas por cerca de 2.500 objetos (foto: Marco Cavalcanti)

Atualmente, suas coleções são formadas por cerca de 2.500 objetos diversos categorizados em cerâmica, plumária, trançados, armas, indumentária, artefatos mágicos e lúdicos.

A instituição recebe, a cada ano, cerca de 13 mil alunos da rede pública e privada e outros 1.500 visitantes espontâneos. Além de estar aberto à visitação, o museu realiza atividades variadas, como exposições, cursos, encontros e palestras e desenvolve projetos de pesquisa com a comunidade acadêmica.

Após 30 anos de criação o museu ainda não tem uma sede própria. Ela funciona em um imóvel alugado na Rua Vitalino Rezende do Carmo, 116, no bairro Santa Maria, em Uberlândia. O atendimento é feito das 8h às 12h e de 13h30 às 17h30. Visitas de grupos neste horário ou em outros períodos devem ser agendadas pelo telefone (34) 3236-3707.

 

 

Av. João Naves de Ávila, 2121 - Campus Santa Mônica - Uberlândia - MG - CEP 38400-902

+55 34 3239-4411 | +55 34 3218-2111

© 2018. Universidade Federal de Uberlândia. Desenvolvido por CTI, com tecnologia Drupal