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26/10/2018 - 18:01 - Atualizado em 01/11/2018 - 17:43
Conheça as ações do Hospital de Clínicas da UFU para prevenção e tratamento do AVC
Implementação de protocolo, inauguração de unidade de tratamento e campanha de conscientização são algumas das medidas
por Autor: 
Natália Spolaor

 

Um dos exames realizados para identificar a doença é a tomografia (Foto: Marco Cavalcanti)

 

No dia 29 de outubro é comemorado o Dia Mundial de Combate ao Acidente Vascular Cerebral (AVC). De acordo com o Ministério da Saúde, essa é a doença que mais mata e a primeira que mais incapacita no Brasil, apresentando cerca de 100 mil vítimas fatais por ano. Com o intuito de oferecer um tratamento mais eficiente para a enfermidade, o Hospital de Clínicas de Uberlândia da Universidade Federal de Uberlândia (HCU/UFU) implementou, em novembro de 2016, o protocolo de atendimento ao AVC isquêmico.

Antes de saber como funciona o protocolo, é preciso entender que existem dois tipos de AVC: o isquêmico e o hemorrágico. O primeiro se dá quando ocorre uma obstrução da artéria e o sangue e o oxigênio não chegam ao cérebro. Esse tipo corresponde a cerca de 80% dos casos. Os 20% restantes são referentes ao hemorrágico, quando uma área do cérebro deixa de ser irrigada devido à ruptura de uma artéria, causando sangramento. Em ambos os casos é preciso atendimento imediato.

O tratamento oferecido no HCU/UFU é denominado trombólise intravenosa. Para recebê-lo, o paciente deve chegar ao hospital em até quatro horas e meia após o início dos sintomas. Em seguida, no prazo de 15 a 20 minutos, ele é avaliado e realiza uma tomografia para comprovar a suspeita de AVC isquêmico. Caso o paciente não tenha contraindicações, ele recebe a medicação que pode reverter total ou parcialmente os sintomas.

 

HCU/UFU é a única unidade de atendimento no município com neurologista 24 horas (Foto: Marco Cavalcanti)

 

“Ela [a medicação] é como se fosse um anticoagulante instantâneo para dissolver o coágulo que está obstruindo a artéria. Quando acontece a obstrução, alguns neurônios começam a morrer, mas têm neurônios que, apesar de receberem menos oxigênio, continuam viáveis. Se a gente restaura o fluxo, eles podem voltar a funcionar normalmente”, explica a neurologista e coordenadora da Linha de Cuidados em AVC do HCU/UFU, Jullyanna Shinosaki.

Para colocar em prática esse atendimento, o hospital passou a ter uma escala de neurologia 24 horas para agilizar o processo, sendo que o HCU/UFU é a única unidade de saúde do município com um neurologista presencial. Além disso, Shinosaki realizou uma capacitação no Corpo de Bombeiros e nas Unidades de Atendimento Integrado (UAI), informando sobre sinais e sintomas de AVC e, ainda, firmou uma rede de contatos para que, nos casos de pacientes com suspeita da doença, a transferência para o hospital seja realizada com agilidade.

Desde a implementação do protocolo, o número de atendimentos cresceu. Durante o primeiro ano, de novembro de 2016 a outubro de 2017, houve um aumento de 780% na quantidade de pacientes tratados. “Nós passamos de cinco para 44 atendimentos, mas ainda tem muita coisa para se fazer. Por conta do porte da cidade, a gente espera que mais pacientes possam ser tratados”, afirma a neurologista.

 

 

A inauguração da unidade de AVC no HCU

Por conta do protocolo, foi inaugurada, na última quarta-feira (24/10), uma unidade de AVC, localizada no Pronto Socorro do HCU/UFU. Agora, o hospital conta com cinco leitos e uma equipe multiprofissional especializada no tratamento de pacientes com AVC isquêmico. “Acontecia antes de estar tudo lotado e a gente não conseguir receber o paciente por causa de falta de leito. A ideia de ter esses leitos de alta rotatividade é que a gente consiga receber o paciente em uma unidade com equipe treinada e especializada”, afirma Shinosaki.

 

 

Identificando a doença

 

Exame de tomografia é utilizado para identificar o tipo de AVC que acomete o paciente (Foto: Marco Cavalcanti)

 

Um dos motivos que impossibilitam a chegada dos pacientes às unidades de saúde a tempo de serem atendidos é o não reconhecimento da doença por parte dos familiares e até mesmo dos profissionais de saúde. “Às vezes, a família não reconhece sinais e sintomas, e demora para levar ao hospital. Ainda tem aquela coisa de ‘descansa, dorme que passa, está nervoso’, e aí acaba perdendo um tempo precioso”, explica a neurologista.

Para reconhecer a doença facilmente, basta utilizar a escala de Cincinnati, aplicada pelos bombeiros e técnicos de enfermagem nos hospitais. A sigla empregada é SAMU. O “S” significa “sorriso”, então é preciso pedir para o paciente sorrir. Caso a boca esteja torta, há 70% de chance de ser AVC. O “A” significa “abrace”, por isso, peça para a pessoa dar um abraço. Porém, se ela não conseguir levantar os braços ou eles não ficarem eretos, pode representar fraqueza muscular, sendo outro sinal da doença.

O “M” significa “música”. Assim, basta pedir que o paciente cante uma canção ou diga uma frase. Se ele não for capaz, pode indicar uma alteração de linguagem. A última letra, “U”, significa “urgente”, e nessa etapa final da escala é recomendado chamar o Corpo de Bombeiros, que realiza o atendimento emergencial no município.

Também é importante conhecer alguns dos fatores que podem desencadear a doença. A incidência do AVC tem sido maior em pessoas a partir de 50 anos. Porém, a enfermidade pode acometer outras idades. Na maioria dos casos, há a influência de fatores cardiovasculares como: pressão alta, diabetes, obesidade, sedentarismo, tabagismo, consumo de bebida alcoólica em excesso e arritmia cardíaca.

“Em exames de rotina simples dá para diagnosticar vários desses fatores de risco e já cuidar. Estando a pressão alta, diabetes e colesterol controlados, diminui as chances de AVC. E as outras [mudanças] são nos hábitos de vida: fazer uma dieta, deixar de fumar e de beber em excesso. São hábitos de vida amplamente divulgados para prevenção de uma série de doenças como infarto, derrame e câncer”, explica a neurologista.  

 

Campanha de prevenção ao AVC em Uberlândia

Para conscientizar a população sobre prevenção, identificação e tratamento do AVC, o HCU/UFU realizará, neste domingo (28/10), a primeira edição da corrida e a terceira da caminhada contra o AVC. O evento ocorre no Parque do Sabiá, das 7h45 às 12h. Haverá também pilates, treino funcional, zumba, alongamentos, além de aferição de pressão arterial, glicemia, peso, IMC e orientação sobre a doença.

A programação, que integra a 3ª edição da Campanha de Prevenção ao AVC, é promovida mundialmente pelo World Stroke Organization, no Brasil, pela Rede Brasil AVC e, em Uberlândia, pelo serviço de Neurologia do HCU/UFU.

(Imagem: Divulgação)

 

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