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25/10/2018 - 14:48 - Atualizado em 07/11/2018 - 17:44
Pesquisadores de Ituiutaba estudam estratégias para biocombustíveis
Grupo analisa política governamental RenovaBio e geração de biodiesel a partir das microalgas
Por: 
Mariana Oliveira
 
Em 2017, foi aprovado o RenovaBio, programa que busca incentivar a produção de biocombustíveis no país. Os pesquisadores Marcelo Caetano Melo e Antônio Carlos Batista - mais conhecido como Professor Flash -, do Instituto de Ciências Exatas e Naturais do Pontal, da Universidade Federal de Uberlândia (Incep/UFU), desenvolveram, no artigo “RenovaBio: A nova política brasileira de biocombustíveis”, uma análise comparativa da nova política energética do país. O texto foi aprovado pela revista Química Nova e deve ser publicado em dezembro.
 
 
Histórico
 
O histórico brasileiro de políticas para os biocombustíveis abrange o Proálcool, da década de 1970, e o Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB), lançado em 2005. Segundo Batista, o RenovaBio é uma tentativa do governo de reunir esses programas em um só, agregando metas fiscais e ambientais.
 
O Proálcool foi lançado em um momento em que o ramo açucareiro estava em baixa e o mercado de combustíveis era bastante dependente da exportação. Além disso, buscava diminuir a desigualdade entre regiões brasileiras, mandando mais incentivos para áreas mais pobres do país. Já o PNPB foi focado no diesel e teve seu estopim causado pela dependência da exportação no setor. Os três pilares fundamentais do programa foram a inclusão social, pretendida por meio da agricultura familiar; a sustentabilidade ambiental, que considera as características regionais; e a viabilidade econômica.
 
Porque biocombustíveis?
 
Por serem derivados da biomassa, energia química obtida através da decomposição de uma variedade de recursos orgânicos, os biocombustíveis derivam sua carga da fixação do carbono, ou seja, reduzem a emissão de gases causadores do efeito estufa.
Alguns tipos de biocombustíveis são o bioetanol, que tem origem na fermentação de produtos açucarados; o biogás e o biometano, derivados da decomposição de resíduos orgânicos; e o biodiesel, fabricado a partir de óleos vegetais, gordura animal e óleos residuais.
 
A política RenovaBio
 
O RenovaBio é uma nova Política Nacional de Biocombustíveis lançada pelo Ministério de Minas e Energia do Brasil (MME) e implantada pela  Lei nº 13.576 de 2017. O programa foi criado com a intenção de atingir os compromissos assumidos na cúpula climática da Conferência das Partes (COP-21), realizada em 2015 em Paris.
 
A principal meta é a limitação do aumento da temperatura global em 1,5ºC. Os transportes estão entre os grandes responsáveis pela emissão de gases que estimulam o aumento da temperatura. A política foca especificamente neste setor, buscando a expansão da produção e do uso de biocombustíveis no país e aliviando os efeitos da emissão de gases poluentes.
 
O RenovaBio tem propostas parecidas com as duas políticas anteriores, como, por exemplo, o caráter social, que busca viabilizar a produção de matérias-primas por meio da agricultura familiar e o selo social de incentivo. Porém, diferente das medidas tradicionais do setor, o programa não prevê a criação de impostos.
 
A grande mudança em relação à nova política é a criação do Crédito de Descarbonização (CBIO), um ativo comercializado em bolsa entre os produtores e distribuidores de combustíveis. O cálculo do CBIO é feito com base na Nota de Eficiência Energética: quanto maior a redução da emissão de gases poluentes, maior a nota. 
 
 
Arte: João Ricardo Oliveira
 
 
 
O Renovabio “vai ser muito mais viável economicamente e muito mais transparente em termos de meio ambiente. Então as empresas que investiram mais em meio ambiente vão ter muito mais lucratividade com os biocombustíveis de agora em diante”, afirma Batista. 
 
 
Microalgas
 
Batista também desenvolve, juntamente com um grupo de mestrandos, outra linha de pesquisa relacionada a biocombustíveis utilizando as microalgas.
 
O que são microalgas?
 
As microalgas são microrganismos que podem ser encontrados na forma de colônias ou individualmente em águas de todo o mundo. São os principais componentes do fitoplâncton e produzem grande parte do oxigênio disponível na atmosfera. Porém, quando presentes em excesso, essas microalgas podem causar contaminação.
 
O uso dessas microalgas como matéria energética vem do processo de descontaminação da água de efluentes industriais, que produz massa de proteína, que pode ser empregada na ração animal, e óleo, usado para fabricar o biodiesel. Na pesquisa estão sendo utilizados efluentes de vinhaça da cana-de-açúcar e da indústria de queijo, mas o grupo tem perspectiva de expansão, conforme afirma o pesquisador: “a próxima etapa é trabalhar com efluentes de água e esgoto para poder fazer o crescimento dessas algas e ter óleo produzido para fazer biocombustível a partir deles”.
 
 
Método
 
Depois de coletada, os pesquisadores melhoram a condição de crescimento da alga com a ajuda de sais minerais, nutrientes, CO2 e luz. Batista destaca que não é necessária uma área específica para esse tipo de plantio: “a gente pode fazer elas crescerem no teto do prédio, com tanques, tipo aquários; você pode fazer ela crescer nas paredes”. Por esse motivo, os biocombustíveis originários desse tipo de plantação são chamados biocombustíveis de terceira geração.
 
 
 
 
 
Na prática
 
Atualmente, o principal objetivo do grupo é a viabilização desse sistema na prática. Batista afirma que a próxima etapa é expandir as amostras para tanques maiores, para que possa ser produzido mais óleo, criando condições mais próximas do real.

 

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