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09/01/2019 - 14:48 - Atualizado em 16/01/2019 - 10:58
Projeto do Museu do Índio busca aproximação com cultura Waujá
“Kamalu Hai e o canto da cobra canoa” é vencedor do prêmio Ibermuseus
por Autor: 
João Pedro Rabelo

O projeto Kamalu Hai teve inspiração no Ritual da Imagem - Arte Asurini do Xingu, patrocinado pelo Museu do Índio da Funai, em 2009. (Foto: Milton Santos)

Originários do Parque Indígena do Xingu, no norte do Mato Grosso, os Waujá são reconhecidos pela característica singular de sua cerâmica, o grafismo de seus cestos, sua arte plumária e máscaras rituais. Tudo isso é parte de uma rica cultura material desenvolvida, que se soma ainda a uma complexa mito-cosmologia, na qual os vínculos entre os animais, as coisas, os humanos e os seres extra-humanos permeiam sua concepção de mundo e são importantes nas práticas do xamanismo.

No fim de 2018, o Museu do Índio, vinculado à Diretoria de Cultura da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura da Universidade Federal de Uberlândia, foi vencedor do IX Prêmio Ibermuseus de Educação com o projeto “Kamalu Hai e o canto da cobra canoa: Arte e Cosmologia Waujá”. A premiação foi na categoria voltada ao fomento de novos projetos. A conquista garantiu investimentos de 10 mil dólares na execução das atividades em 2019.

“Kamalu Hai e o canto da cobra canoa” é o mito que fala sobre a origem da cerâmica dos Waujá. O projeto da UFU oferece a oportunidade de explorar a "arte e cosmologia Waujá". De acordo com a coordenadora do Museu do Índio, Lídia Meirelles, o trabalho propõe estabelecer um diálogo e conhecer um contexto cultural distinto. “A arte cerâmica Waujá é riquíssima sob o ponto de vista estético e também porque representa um povo. Os padrões gráficos possuem conteúdo simbólico, significados e são formas de expressão e comunicação”.

O prêmio recebido pelo Museu colabora com o papel da instituição de difundir a história e a cultura indígena. (Foto: Milton Santos)

Segundo Meirelles, a expectativa do projeto é de atingir cerca de 4 mil crianças e educadores de Uberlândia e região, além do público universitário. “Os contatos com o grupo iniciarão em fevereiro. A vinda deles, assim como a exposição e demais atividades estão previstas para o mês de setembro”, explica. “Pretendemos trazer dois indígenas deste povo que ficarão aqui durante 15 dias, em rodas de conversa, palestras, oficinas, etc. Faremos a curadoria da mostra de cerâmica e produziremos um catálogo”, completa.

A ideia que deu origem ao trabalho foi inspirada numa experiência semelhante do Museu do Índio, em 2009, chamada "Ritual da Imagem - Arte Asurini do Xingu", patrocinada pelo Museu da Fundação Nacional do Índio (Funai), e que contou ainda com o financiamento da Fundação Banco do Brasil, Unesco, Petrobrás, dentre outros.Nesta proposta, além da exposição de cerâmica vendável, vieram duas índias e um índio, que durante 20 dias desenvolveram diversas atividades como rodas de conversa, oficinas de desenho, confecção de bancos de madeira e de cerâmica”, explica a coordenadora. A iniciativa teve grande impacto regional, segundo Meirelles, o que impulsionou a elaboração da proposta Kamalu Hai, em parceria com a pesquisadora Fernanda Amaro, que estuda o grupo Waujá e é "ponte" com o povo indígena.

O prêmio concedido ao Museu do Índio através do projeto representa um feito significativo e colabora com o papel da instituição de difundir a história e cultura indígena, avalia a coordenadora. “A proximidade com um grupo indígena trata-se de uma ação pedagógica transformadora. Leva o indivíduo a compreender melhor como vive e pensa uma sociedade. Esse resultado vem demonstrar que se os museus se dedicarem à consecução dos seus objetivos, de sua missão e de suas atribuições, eles podem conquistar maior reconhecimento”, conclui Meirelles.

 

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