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22/03/2019 - 18:51 - Atualizado em 29/03/2019 - 11:54
Ingressante em Física Médica da UFU apresenta projeto de IC em feira na USP
Em Uberlândia, Matheus Eloi deseja continuar as pesquisas desenvolvidas no ensino médio sobre o comportamento do sono nos jovens
por Autor: 
João Pedro Rabelo

 

Na Feira Brasileira de Ciência e Engenharia, o estudante concorre com trabalhos de todo o território nacional. (Foto: Arquivo do pesquisador)

 

A pesquisa científica é comumente relacionada às instituições de ensino superior, entretanto, ela também pode ser realizada por estudantes do ensino médio. É o caso de Matheus Marcos Eloi, aluno ingressante do curso de Física Médica da UFU, que foi premiado recentemente em  uma mostra de Ciência e Tecnologia em Sumaré, São Paulo.

O estudante de 17 anos, natural de Itatiba/SP, desenvolveu no ensino médio o projeto de pré-iniciação científica intitulado O comportamento do sono entre os alunos de ensino médio integral. Esse sono é algo para se preocupar?”. A pesquisa foi premiada em novembro do ano passado, na  VI Mostra de Ciência e Tecnologia do Instituto 3M. Além de ter sido o aluno mais bem colocado na exibição, Eloi foi convidado a apresentar seu trabalho na 17ª Feira Brasileira de Ciência e Engenharia (Febrace), que aconteceu entre os dias 19 a 21 deste mês, na Universidade de São Paulo (USP).

 

A pré-iniciação científica

O estudo de Eloi começou em 2016 durante o primeiro ano do ensino médio, na Escola Estadual de Ensino Integral Professor Antônio Dutra. O colégio disponibiliza projetos de pré-iniciação científica aos alunos que demonstram interesse em ingressar na área da pesquisa. Depois de ter participado de um curso de neurociência no hospital israelita Albert Einstein, em São Paulo, o então secundarista teve a ideia de investigar como era o comportamento do sono dos alunos de sua escola, ao perceber que muitos manifestavam a sensação de cansaço nas aulas.

O processo de produção do trabalho precisou da aplicação de um questionário padrão denominado Índice de Qualidade de Sono de Pittsburgh (PSQI) para descobrir quais seriam as respostas sobre a qualidade de sono dos alunos do ensino médio. O questionário, adaptado para a realidade dos 95 alunos voluntários dos primeiros, segundos e terceiros anos, considera a qualidade subjetiva de sono, a latência, a duração, a eficiência, os distúrbios, o prejuízo de recursos farmacológicos para dormir e a disfunção diurna de sono.  O resultado apontou que 80% deles tinham má qualidade de sono, enquanto 20% tinham uma boa qualidade.

Sabe-se que o sono tem grande importância no que diz respeito ao crescimento e à aprendizagem, além de atuar em diversas regulações fisiológicas do corpo. A qualidade do sono interfere diretamente na saúde e retenção de conhecimento das pessoas. A partir daí, com orientação da professora Paula Vilma de Oliveira e co-orientação de Adriana Chiquetto, Eloi começou a etapa de fundamentação teórica do trabalho, para descobrir possíveis soluções para a questão.

O enfoque de Eloi passou então a ser o de conscientizar os estudantes sobre a necessidade de uma boa qualidade do sono, de modo que conseguisse reduzir o alto índice de estudantes que apresentaram esse problema. Após uma palestra sobre a importância da higiene do sono, o questionário PSQI foi reaplicado e os resultados foram alterados. Houve queda de 20% no número inicial de alunos com má qualidade do sono.

“Para a escola [a pesquisa] não foi importante apenas nessa parte de incentivo ao aluno para estudar essa ciência em si, mas também serve para refletir sobre uma reorganização dos horários de aula considerando o relógio biológico dos alunos”, pontua Eloi. “No período integral é muito importante eles reconhecerem a qualidade de sono dos estudantes, porque não adianta o aluno assistir a nove aulas por dia se a retenção desse ensino não for de boa qualidade, se ele está prejudicando o seu tempo de sono normal”, complementa.

 

O projeto de pré-iniciação científica de Eloi foi desenvolvido ao longo dos três anos do ensino médio (Clique na imagem para ler o pôster)

 

Reconhecimento

Depois de ter colhido e analisado as conclusões, Eloi produziu um artigo e o submeteu à VI Mostra de Ciência e Tecnologia do Instituto 3M, uma amostra científica que acontece na região de Campinas (SP), na cidade de Sumaré. Na ocasião, foram inscritos 300 projetos  de escolas públicas e institutos federais do ensino médio e de institutos de ensino técnico.

O trabalho de Eloi ficou entre os 100 projetos finalistas que foram avaliados por um comitê segundo critérios de  Atitude Científica, Habilidades, Criatividade e Inovação, Aplicação do Método Científico, Profundidade, Relatório, Diário de Bordo, Pôster, Apresentação Oral, Relevância Social, Empreendedorismo e Trabalho em Equipe (para projetos em grupo). O resultado final foi a premiação com o primeiro lugar na categoria de Ciências da Saúde e o convite para participar da 17ª Feira Brasileira de Ciência e Engenharia (Febrace), que aconteceu de 19 a 21 de março, na Universidade de São Paulo (USP).

 

O caminho percorrido

No começo do projeto, o estudante desconhecia os caminhos da pesquisa científica no ensino médio. “Sempre fui interessado pela ciência e eu só achava que teria essa possibilidade [de estudar mais sobre ciência] em uma universidade pública”. Segundo Eloi, a escola incentivava os alunos a se aprofundarem no campo da ciência e “dava moral” para os que “faziam a ciência acontecer”.

A orientadora, Paula Vilma, desempenhou um papel além da função de orientar. “Minha orientadora sempre incentivou essa busca pelo conhecimento científico. Por autonomia dela e com autorizações da escola, eu participei dessas mostras. Se fosse por minha conta mesmo, eu não teria condições de pagar nem a gasolina para ir a São Paulo”, revela.

Sob o ponto de vista da formação estudantil e do preparo para o ambiente acadêmico, Eloi considera relevante a conexão feita entre escola e universidade através de projetos de iniciação científica. Para o paulista, “quanto mais a gente pensar no ensino médio, em ter projetos como esse, é muito melhor para a universidade, porque o estudante já chega mais preparado”.

 

A escolha pela UFU

A ideia do agora estudante de Física Médica é a de continuar a linha de pesquisa no ensino superior e os motivos da escolha pela UFU levam em consideração uma “afinidade” da universidade com a ciência. “Eu escolhi aqui porque das seis federais que têm no Brasil com o curso de Física Médica, o daqui tem um diferencial. Quando a gente vê, principalmente na área da pesquisa acadêmica, percebemos como a UFU é mais acolhedora para a pesquisa do que as outras”, destaca.

O curso escolhido, no entanto, não era a sua primeira alternativa, mas levando em consideração o futuro do projeto, Eloi optou pelo que poderia facilitar o caminho para o desenvolvimento de mais pesquisas. “Eu queria Medicina, mas a nota do Enem não deu. Então optei pelo ‘plano B’ pensando no meu projeto”, ressalta. “Fui para a Física Médica porque eu pensei que nesse curso eu teria todo o aparato de equipamentos que eu não tinha acesso no ensino médio, para continuar a minha ideia principalmente com adolescentes. Pretendo fazer parte de uma Iniciação Científica”, finaliza.

 

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