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26/06/2019 - 06:23 - Atualizado em 02/08/2019 - 16:12
Os segredos do fedegoso-do-mato
Estudo da UFU investiga como Senna silvestris pode dar origem a fitoterápicos
por Autor: 
Matheus Maia

 

 

Com flores amarelas e delicadas que atraem insetos polinizadores e outros animais, o fedegoso-do-mato torna a estação chuvosa do cerrado ainda mais bonita, devido à exuberância da floração. O nome até parece estranho, mas essa planta pode vir a ser uma grande aliada à saúde. O fedegoso, de nome científico Senna silvestris, é uma das poucas plantas de sua família (Fabaceae) que ainda não apresenta relatos de uso na medicina popular, mas que se tornou objeto de estudo da doutoranda Michelle Nascimento, orientada pelo professor Marcos Pivatto do Instituto de Química da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). 

De acordo com os pesquisadores, o interesse no estudo de plantas desta família se deu porque outras espécies que são utilizadas na medicina popular e que tiveram estudos científicos, mostraram que as substâncias responsáveis pelas atividades são moléculas promissoras para o desenvolvimento de novos medicamentos, sejam eles na forma de compostos puros ou de fitoterápicos. Segundo eles, apesar de a Senna silvestris não ser utilizada na medicina popular, o estudo químico pode mostrar se a planta tem compostos que possam ser utilizados como medicamentos, o que poderia inclusive ser uma alternativa para as populações que utilizam plantas da mesma família para o tratamento de alguma enfermidade. “O estudo químico trará luz a essa questão”, diz a pós-graduanda.

 

Marília Barbosa e Michelle Nascimento junto ao seu orientador Marcos Pivatto (Foto: Milton Santos)

 

Para o conhecimento dos componentes presentes na planta, os pesquisadores relatam que fazem uso de técnicas de separação como a cromatografia líquida de alta eficiência, que é uma ferramenta utilizada inclusive para identificar e quantificar cada um dos componentes de uma mistura. Também foi utilizada a espectrometria de massas em alta resolução, que oferece informações a respeito da massa molecular dos compostos, importante para a caracterização das estruturas moleculares. “É importante destacar que cada planta pode produzir centenas de substâncias diferentes, por isso o uso destes equipamentos de separação, identificação e quantificação são tão importantes”, diz o professor Pivatto. Eles relatam ainda que essas ferramentas foram utilizadas para estudar o perfil químico de 10 espécies de plantas da família Fabaceae, que foram coletadas e analisadas por Nascimento, e serviram de filtro para a seleção de Senna silvestris para um estudo mais aprofundado. 

A pesquisa, que ainda está em andamento, conta com o suporte de agências de fomento, como a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Biodiversidade e Produtos Naturais (INCT-BioNat) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que custeiam desde os solventes até as bolsas dos pós-graduandos. Nascimento desenvolve seu projeto de doutorado sem bolsa, uma vez que nos processos de seleção que prestou, mesmo ficando bem colocada, não houve bolsa para todos os aprovados. 

Em seu trabalho, Nascimento alerta para o fato de o Cerrado estar cada vez mais escasso devido à expansão das monoculturas e pecuária. Com isso, muitas espécies encontradas nesse bioma correm o risco de extinção sem ao menos serem exploradas do ponto de vista químico ou biológico, perdendo-se, assim, informações importantes sobre as propriedades medicinais. Consequentemente, também há a perda de inúmeros produtos naturais de diferentes classes e tipos estruturais completamente desconhecidos, muitos dos quais poderiam servir como inspiração para o desenvolvimento de novos medicamentos.

 

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