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25/06/2019 - 11:27 - Atualizado em 28/06/2019 - 13:46
As propriedades antidiabéticas e antifúngicas da Cassia bakeriana
Potencial biológico da espécie é tema de pesquisa da Química da UFU
por Autor: 
João Pedro Rabelo

 

Os compostos fenólicos presentes nas folhas da espécie são os responsáveis pela atividade antifúngica, antioxidante e antidiabetes. (Foto: Arquivo da pesquisadora)

 

Em algum momento da vida você já deve ter tomado aquele chazinho de vó para aliviar alguma dor ou para ficar mais calmo. Esse chá, provavelmente, pode ter sido feito a partir de alguma folha. As plantas têm compostos químicos que podem ser bioativos contra várias doenças. Muitos remédios usados hoje em dia foram desenvolvidos a partir do isolamento das principais substâncias ativas presentes em plantas. Como exemplo disso, podemos citar a morfina, um analgésico isolado do ópio de uma planta conhecida como papoula.

A breve descrição desse processo que você acaba de ler é o que um pesquisador de produtos naturais faz, quando escolhe uma planta e avalia o seu potencial biológico frente a diversas doenças. Se a planta tiver alguma atividade biológica, o pesquisador parte então para a tentativa de isolamento e identificação da resposta manifestada pelo composto da planta. 

A utilização de plantas para fins medicinais acompanha a história da humanidade e, seguindo essa linha, Tiara da Costa Silva, graduada e mestre em Química pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), decidiu estudar a espécie Cassia bakeriana na pesquisa intitulada “Estudo químico e avaliação do potencial biológico das folhas de Cassia bakeriana Craib para descobrir as possibilidades de aplicação científica. 

A tese, iniciada em 2017 e defendida em maio de 2019, teve orientação do professor Alberto de Oliveira e co-orientação da professora Raquel Maria Ferreira de Sousa e contou com financiamento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). A motivação veio através de estudos prévios encontrados na literatura que mostraram que as folhas apresentaram atividade antimicrobiana.

 

A metodologia utilizada na pesquisa para conseguir os resultados foi a extração dos caldos pelo processo de maceração e, posteriormente, extração líquido-líquido. (Foto: Arquivo da pesquisadora)

 

Uma abordagem aprofundada

As folhas da Cassia bakeriana são formadas principalmente por compostos fenólicos. Esses compostos são responsáveis pela atividade antifúngica, antioxidante e antidiabetes da espécie. 

A metodologia utilizada na pesquisa para conseguir os resultados foi a extração dos caldos pelo processo de maceração e, posteriormente, extração líquido-líquido. A cromatografia líquida de alta eficiência também foi uma técnica utilizada para obter a separação e isolamento dos compostos químicos presentes nas amostras. A espectrometria de massas e a ressonância magnética nuclear possibilitou a caracterização dos compostos para posteriores testes de avaliação antifúngica, antioxidante e antidiabetes.   

De acordo com Silva, as maiores dificuldades no processo de execução da pesquisa encontram-se no fato de que há grande demanda para utilização dos equipamentos e técnicas de isolamento e caracterização dos compostos.  

Para a pesquisadora, a importância da realização de um trabalho como esse reside na possibilidade de serem desenvolvidos novos fármacos ou produtos fitoterápicos para o tratamento de doenças antifúngicas e o diabetes, que acometem um número grande de pessoas. “Existem poucos fármacos no mercado para o tratamento de doenças causadas por fungos, além disso, existe resistência dos fungos a todas as classes de fármacos existentes”, explica Silva.

Além dos resultados biológicos obtidos, a química destaca o desafio de trabalhar com uma espécie de planta e não saber se ela terá um potencial de resultados diante dos alvos avaliados. “Sabemos que um resultado ruim também é um resultado, mas estamos atrás de bons resultados para que o trabalho desenvolvido possa ter uma aplicação e contribuir para a população de alguma forma”, ressalta.

Os próximos passos da pesquisa buscam determinar a composição química de um extrato que apresentou exclusivamente um resultado promissor em um ensaio dentre os antidiabéticos avaliados, que foi a inibição da lipase pancreática.

 

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