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22/07/2019 - 14:23 - Atualizado em 02/08/2019 - 16:06
A história da educação em Uberlândia
Estudos abordam criação das primeiras escolas e enfrentamento do analfabetismo
por Autor: 
Diélen Borges

 

Alunos e professores do Grupo Noturno Municipal Augusto César em 1938 (Foto: Dissertação A história da educação de mulheres pobres nas instituições escolares noturnas primárias de Uberlândia/MG, de Carla Cristina Jacinto da Silva)

 

Um povo pode ter sua história contada de muitas formas, inclusive por meio da história da educação. No início do século 20, de cada 100 brasileiros jovens ou adultos, 65 eram analfabetos. Na metade do século eram 50. E no ano 2000, de cada 100 brasileiros, 13 eram analfabetos. Hoje, a taxa de analfabetismo no país é de 7%, o que ainda nos coloca na oitava posição mundial entre os países com maior número de pessoas que não sabem ler nem escrever.

A história de Uberlândia é atravessada pela educação. Os povos originários do Triângulo Mineiro eram os indígenas caiapós e, durante os séculos XVIII e XIX, famílias de origem europeia construíram as primeiras fazendas na região. Uma delas, considerada fundadora de Uberlândia, era a dos Carrejos, cuja fazenda de 1835 contava, entre outras estruturas, com uma sala de aula de primeiras letras.

A primeira lei de educação no Brasil é de 15 de outubro de 1827 e é nela que Dom Pedro I, segundo o texto, “manda crear escolas de primeiras letras em todas as cidades, villas e logares mais populosos do Imperio”. Uberlândia, emancipada como município em 1888, tinha três escolas de primeiras letras, particulares, até o início do século XX, sendo duas masculinas e uma feminina. A primeira escola pública e gratuita, o Grupo Escolar Bueno Brandão, começou a funcionar em 1915.

Fonte: Dissertação A história da educação de mulheres pobres nas instituições escolares noturnas primárias de Uberlândia/MG, de Carla Cristina Jacinto da Silva

 

Na segunda metade do século XX, o ensino superior se desenvolveu em Uberlândia. A primeira instituição foi o Conservatório Municipal, criado em 1957. Nos anos seguintes foram fundadas outras faculdades particulares e a Faculdade Federal de Engenharia (1961), que se integraram como Universidade de Uberlândia (UnU) em 1969. A UnU foi federalizada em 1978, quando passou a se chamar Universidade Federal de Uberlândia (UFU). (Veja a linha do tempo da UFU.)

A população de Uberlândia quase triplicou nas décadas seguintes. De 240 mil habitantes, em 1980, chegou a 2018 estimada pelo IBGE em 683 mil habitantes. Segundo o professor José Carlos Souza Araújo, da Faculdade de Educação da UFU, esse crescimento é explicado por um conjunto de fatores, entre eles os educacionais.

A construção de Brasília em 1960, a 400 quilômetros de Uberlândia, deslocando o eixo de desenvolvimento para o interior do Brasil, e a expansão de grandes empresas atacadistas uberlandenses são dois fatores que atraíram a população oriunda do êxodo rural. A constituição do ensino secundário na cidade, incluindo colégios particulares, como o extinto Ginásio Cristo Rei e outros que continuam com atividades até hoje, e a chegada do ensino superior a Uberlândia, não só com a UFU, mas também com as faculdades particulares, são fatores educacionais que também impulsionaram o crescimento populacional uberlandense, explica Araújo.

 

Primeiro prédio onde funcionou a Escola Estadual Bueno Brandão de 1915 (Foto: Dissertação Educação e violência escolar: esse par não combina, de Anderson Ricardo Lino Mendonça)

 

Os dados e a história mostram que Uberlândia, assim como o Brasil, colocou muita gente na escola em pouco tempo. A pesquisadora Carla Cristina Jacinto da Silva, em sua dissertação do Programa de Pós-Graduação em Educação, disponível no Repositório da UFU, explica que o país passou a investir na área de ensino em meados do século XX não por ser um direito estabelecido pela Constituição de 1934, mas porque a taxa de analfabetismo era prejudicial para a imagem internacional do Brasil. Uberlândia aderiu às campanhas de alfabetização, segundo a autora, baseada no lema “ordem, progresso e modernização”.

Nesse contexto, Silva afirma que faltaram teorias sobre o processo de aprendizagem de jovens e adultos, que passavam pelo mesmo processo das crianças, e uma política pública permanente, pois as campanhas de alfabetização não tinham continuidade. Além disso, a visão era assistencialista, como se a educação fosse um favor aos analfabetos. Na tese de Silva, também disponível no Repositório, a pesquisadora aponta para o domínio exercido pela Igreja Católica na área da educação, principalmente na instrução feminina, focada nos papéis domésticos.

Atualmente, Uberlândia tem 185 escolas de ensino fundamental e 52 de ensino médio, segundo o IBGE. São 106 mil pessoas matriculadas na educação básica e uma taxa de escolarização de 98% para crianças e adolescentes de seis a 14 anos de idade. Mas o município ainda tem desafios comuns ao restante do país, como melhorar a estrutura das escolas e valorizar a carreira do professor. Continue acompanhando a série “Educação” do Comunica UFU para ler mais sobre como as pesquisas desenvolvidas na universidade podem colaborar com a educação regional e nacional.

 

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