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27/02/2020 - 15:41 - Atualizado em 02/03/2020 - 14:29
Jogo criado na UFU facilita o ensino de Matemática
Disponível para computador, ‘Missão Matemágica’ é direcionado para crianças de 9 a 11 anos
por Autor: 
Jhonatan Dias

Estudante de Jornalismo, Mariana Solis criou o jogo como resultado da iniciação científica (Foto: Marco Cavalcanti)

Você se lembra de como aprendeu as operações básicas dos números, frações e geometria? Para muitas pessoas, aprender matemática ocorreu de forma tradicional e pouco atrativa. Entretanto, as novas tecnologias representam uma possibilidade de inovação para o ensino, e a Universidade Federal de Uberlândia (UFU) atua, por meio de diversos projetos, para multiplicar esta modernização. O jogo ‘Missão Matemágica’ é um exemplo de como o computador pode ser um aliado da educação, de forma lúdica. 

No primeiro momento, o jogador responde um questionário para identificar o estilo de aprendizagem mais dominante. Após isso, acompanhamos a trajetória de Cadu, uma criança que foi transformada em coruja por não cumprir as lições escolares. Para salvá-lo, a amiga Bia começa a Missão Matemágica, por meio da resolução de exercícios de adição, subtração, divisão e multiplicação, assim como geometria e o treinamento da leitura. Todas as instruções para a instalação do jogo no computador estão disponíveis no site do projeto. 

Ele é destinado, principalmente, a crianças que estão no 5º ou 6º ano do ensino fundamental. O tempo de duração da brincadeira varia entre 1 a 1 hora e meia, de acordo com a dificuldade ou facilidade da criança na resolução das atividades.  O jogo foi criado a partir do incentivo de uma bolsa de iniciação científica do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que teve início em 2018.

Na fase inicial, a pesquisadora realizou um levantamento sobre os materiais educativos nas escolas de Uberlândia, assim como em sites direcionados ao ensino. O conteúdo programático para o quinto ano do ensino fundamental, elaborado pelo Ministério da Educação (MEC), serviu como base para a elaboração dos temas abordados. “Apesar do jogo ter por referência o conteúdo do 5º ano, trouxemos exercícios do 4º ano, para que a criança faça uma revisão, e o jogo pode ser usado por professores no começo do sexto ano para recapitular a matéria do ano anterior”, afirma a estudante de Jornalismo Mariana Solis, criadora do jogo.

Solis acredita que o diferencial do projeto é trabalhar os conteúdos de modo multidisciplinar: “Percebemos que a maioria dos jogos educativos apresentavam apenas um tema da Matemática. Então, tentamos uma abordagem multidisciplinar do conteúdo programático para que, dentro de um jogo só, a criança tivesse acesso a vários conteúdos”, declara. 

A pesquisadora ressalta que a dinamicidade do jogo permite uma experiência educativa mais completa: “se a criança tem dificuldade em divisão, por exemplo, ela não fica presa a esse assunto, pois também há elementos de Língua Portuguesa e Ciências”, conclui.

Fase inicial do jogo Matemágica, com os desafios e a coleta de itens.

Educação matemática

A pesquisa foi orientada pela professora Vanessa Matos Santos, da Faculdade de Educação  (Faced/UFU). De acordo com a docente, existem poucos jogos que contemplam estilos de aprendizagem: “Vimos a necessidade de produzir um jogo que leva em consideração a forma como o aluno aprende, e a partir disso desenvolver um caminho específico”. Santos destaca importância do acesso à aprendizagem matemática: “A criança pode ir à escola com o pensamento de que matemática é difícil. Mas, muitas vezes, não foi oferecida uma outra pedagogia para compreender a disciplina”, declara.

O jogo possui consultoria pedagógica da professora Taciana Oliveira Souza, docente da Faculdade de Matemática (Famat/UFU). Na avaliação de Souza, a visão que muitas pessoas têm da Matemática, como uma ciência abstrata que se resume a decorar fórmulas, é uma dificuldade para o ensino da disciplina. “Muitos alunos se sentem desmotivados, e resolvem as questões de modo memorizado e mecanizado, o que compromete a análise e compreensão dos resultados obtidos”, afirma. 

A docente acredita que o ambiente de trabalho dos professores é imprescindível para o processo educativo. Para ela, em um ambiente precário é difícil manter a concentração para absorver os conteúdos ensinados pelo professor, e isso pode levar ao desinteresse dos alunos. Souza também avalia a inserção das tecnologias de informação e comunicação ao currículo básico: “A estrutura é o principal obstáculo. Por exemplo, para que um professor trabalhe com um jogo digital educativo é necessário ter à disposição dos alunos um laboratório com computadores ou tablets, o que não é uma realidade na maioria das escolas brasileiras”, diz. 

Taciana Souza faz recomendações aos educadores interessados em aplicar o jogo em uma escola: o primeiro passo é conhecer a turma para escolher materiais atualizados, de acordo com a realidade dos alunos. Em seguida, é necessário avaliar a estrutura da escola e procurar apoio junto à direção, equipe pedagógica e até mesmo buscar ajuda na comunidade. “O professor pode encontrar resistência, mas com perseverança é possível implementar propostas que combatam os problemas no ensino e aprendizagem da Matemática”, conclui a docente. 

 

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