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07/02/2020 - 11:14 - Atualizado em 12/02/2020 - 09:37
Pesquisa sobre inveja recebe prêmio Unilever na Holanda
Egressa da graduação da UFU investiga as influências desse sentimento nas decisões
por Autor: 
Taciana Sousa

 

A pesquisa premiada foi fruto de trabalhos desenvolvidos durante o mestrado de Carmem Meira Cunha (ao centro), na Universidade de Tiburg, na Holanda. (Foto: Divulgação Unilever)

Uma economista formada pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU) esteve entre os 13 premiados da 63ª edição do Prêmio Unilever Research, que ocorreu, em dezembro de 2019, no Centro de Inovação em Alimentos da Unilever na Holanda. Carmem Meira Cunha é egressa do curso de Ciências Econômicas, do Instituto de Economia e Relações Internacionais (IERI/UFU).

A pesquisa intitulada “The effect of the difficulty to remove the advantage from the envied other on malicious and benign envy” (O efeito da dificuldade de remover a vantagem da pessoa invejada nas experiências de inveja benigna e maliciosa) analisou dois tipos de inveja: a benigna e a maliciosa, com o objetivo de identificar quais são suas influências na tomada de decisão de uma pessoa. O estudo foi fruto de trabalhos desenvolvidos na Holanda, durante o mestrado na Universidade de Tiburg.

Segundo Cunha, existem dois tipos de inveja: a benigna, cuja motivação é conseguir o alvo invejado para si, e a maliciosa, que é quando há o desejo de que a pessoa invejada perca o objeto invejado. Por exemplo, se alguém no seu trabalho ganha um prêmio e você se sente feliz, reconhece o mérito da ganhadora e inspira-se para também conseguir, você sentiu inveja benigna. Porém, se você sentiu que o prêmio foi dado injustamente e que a pessoa deveria perder a vantagem, o seu sentimento foi típico da inveja maliciosa.

A pesquisadora ainda conta que os seus estudos foram baseados na Lei da Menor Carga - uma das Leis das emoções -, que explica que, diante a uma situação, um indivíduo pode fazer inúmeras interpretações, mas ele tende a compreender da maneira que lhe resulta menos conteúdo emocional negativo.

Carmem Meira Cunha esteve entre os 13 premiados da 63ª edição do Prêmio Unilever de Pesquisa. (Foto: Divulgação Unilever)

As hipóteses foram testadas em quatro experimentos: dois realizados com universitários de Tiburg e os outros dois feitos pela plataforma Amazon Mturk, na qual as pessoas se cadastram para responder pesquisas e recebem por sua participação.

Uma das vertentes do estudo da egressa da UFU foi investigar se as pessoas sentem mais inveja maliciosa do que benigna ao desejarem algo material, como um Iphone, ou uma experiência, por exemplo, uma viagem. A hipótese era de que as pessoas sentem menos inveja maliciosa das experiências, pois nelas não há como a pessoa invejada perder a vantagem, já que se tratam de vivências. 

Também foi apurado qual das invejas as pessoas mais sentiriam: de um objeto invejado pertencente a várias pessoas ou apenas uma. A simulação consistiu em descrever situações aos participantes da pesquisa que envolvessem uma pessoa com um produto da marca Apple e, em seguida, quatro pessoas, cada uma com um produto Apple.

Era esperado que seria mais frequente os participantes sentirem inveja benigna para circunstâncias em que muitas pessoas tivessem o objeto invejado, já que seria mais difícil várias pessoas perderem o alvo da inveja, ou seja, no caso do experimento, seria mais improvável que as quatro pessoas perdessem o Iphone.

O estudo apontou que não há suporte para confirmar as suposições levantadas. De maneira geral, a pesquisadora explica que as pessoas não têm uma imagem tão clara do que é material e do que é experiência. “Alguns participantes indicaram sentir inveja de como roupas caem bem em determinada pessoa, um aspecto de experiência sobre um bem material”, explica. 

Já em relação ao número de pessoas, como foram utilizados os produtos da marca exclusiva Apple, os resultados apontaram que tanto no caso de uma ou várias pessoas terem o objeto, a inveja benigna foi prevalente. Segundo a pesquisadora, isso pode ser uma indicação de que há um componente social que influencia a experiência da inveja.

A cientista ainda alerta sobre a importância de haver estudos nessa área, pois em campanhas de marketing se faz uso da inveja para tentar se obter vantagens comerciais. Ela também cita que, em estudos anteriores, foi descoberto que quando as pessoas sentem inveja maliciosa, a tendência seria comprar/consumir um produto concorrente, ou seja, ao sentirem inveja de um celular de uma determinada marca, por exemplo, as pessoas preferiram comprar o da marca concorrente. “Compreender que tipo de efeito a campanha terá é importante para ter gastos eficientes e eficazes, tanto por parte das empresas quanto dos consumidores”, afirma a pesquisadora. 

Durante a graduação na UFU, Cunha fez parte do Programa de Educação Tutorial (PET), por dois anos, e também participou do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic), por um ano. Segundo ela, essas experiências, somadas ao curso, fortaleceram seu interesse pelo mundo acadêmico.

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