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Cientistas do Pontal listam estratégias de combate à Covid-19

Confira as informações reunidas pelo Grupo de Pesquisa em Sistemas Complexos e pelo Laboratório de Análise Numérica e Dinâmica dos Fluidos Computacional

Publicado em 14/05/2020 às 17:32 - Atualizado em 22/08/2023 às 16:52

 

Foto: Freepik

 

O Grupo de Pesquisa em Sistemas Complexos, em parceria com o Laboratório de Análise Numérica e Dinâmica dos Fluidos Computacional, ambos da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), têm acompanhado a evolução da pandemia do coronavírus e emite esta nota informativa para a população, visando a contribuir no processo de superação da crise de saúde e da crise econômica que atinge o país e o mundo.

Sou o professor Lucio Abimael Medrano Castillo, do curso de Engenharia de Produção, da Faculdade de Administração, Ciências Contábeis, Engenharia de Produção e Serviço Social (Faces/UFU), e coordeno o Grupo de Pesquisa em Sistemas Complexos. O Laboratório de Análise Numérica e Dinâmica dos Fluidos Computacional é coordenado pelo professor Homero Ghioti da Silva e tem como membro permanente o professor Moisés R. C. do Monte, ambos do curso de Matemática, do Instituto de Ciências Exatas e Naturais do Pontal (Icenp/UFU).

O grupo de pesquisa vem se manifestar sobre os seguintes pontos:

 

1) Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a taxa de contaminação da Covid-19 apresenta um comportamento exponencial. A OMS, com base nos dados históricos dos países que passaram pela primeira onda de contaminação, identificou: aproximadamente 40% dos casos experimentam doença leve, 40% dos casos experimentam doença moderada, 15% dos casos experimentam doença grave e 5% dos casos experimentam doença crítica. Considerando as características populacionais de cada país, cidade e região, os valores podem variar (leia mais no Covid-19 Strategy Update).

 

2) Os grupos populacionais mais vulneráveis que apresentam doença grave e crítica são os chamados grupo de risco e alto risco, respectivamente, idosos acima de 60 anos, acima de 80 anos e doentes crônicos.

 

3) Segundo a OMS, a letalidade bruta dos casos clínicos supera 3%, mas chega a até 15% em pacientes acima de 80 anos.

 

4) Segundo pesquisa liderada pela Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), publicada em 29 de abril deste ano, no estado do Rio Grande do Sul (RS), há um caso da doença a cada 760 habitantes. Para cada 1 milhão de habitantes no RS, estima-se que existam 1.300 infectados reais e unicamente 108 notificados. Para cada caso notificado nas nove cidades da pesquisa, existem cerca de 12 casos não notificados. A letalidade nominal da Covid-19 no RS está em 3,6% dos casos notificados (49 óbitos/1.350 casos até 28/4). Com base na estimativa do estudo, a letalidade real está em 0,33% (49 óbitos para 15.066 casos)2.

 

5) Segundo o grupo de pesquisa Covid-19 Brasil, para um caso confirmado no Brasil, 15 não foram notificados, quer dizer, para os 114.715 casos confirmados até a data 05/05, haveria na realidade 1.772.725 casos de Covid-19. Dessa forma, tendo registrado 7.921 mortes até a data, a taxa de mortalidade real seria aproximadamente de 0,44%.

 

6) Considerando a necessidade de períodos de flexibilização, imperativos pela pressão econômica, também primordial para a vida de cidadãos, reforçam-se as recomendações da OMS para implementação da chamada abertura controlada, a seguir1

a) Que a transmissão da Covid-19 esteja controlada até um nível de casos esporádicos e de grupos de casos, todos eles de contatos conhecidos e importados, e que a incidência de novos casos se mantenha num nível que o sistema sanitário possa fazer gestão com uma capacidade de atenção médica substancial na reserva;

b) Que o sistema sanitário e de saúde pública tenha capacidade suficiente para permitir dar o grande passo desde a detecção e o tratamento principalmente dos casos graves, à detecção e quarentena de todos os casos, sem importar a gravidade nem a origem;

c) Que os riscos de surtos em situações de alta vulnerabilidade sejam mínimos;

d) Que tenham sido implementadas medidas preventivas em locais de trabalho para reduzir riscos;

e) Que tenha uma gestão adequada de casos importados, por meio da análise da possível origem e das rotas de importação;

f) Que as comunidades estejam totalmente comprometidas.

 

7) A OMS reforça que a decisão de quando e onde realizar os períodos de flexibilização deve ser fundamentada em evidências e dados e ser implementada de forma progressiva. É essencial dispor de dados precisos e em tempo real sobre as provas dos casos suspeitos, a natureza e o estado de quarentena de todos os casos confirmados, o número de contatos por caso e a exaustividade de rastreio, e a capacidade dinâmica dos sistemas sanitários para fazer frente aos casos de Covid-19.

 

8) Buscando fundamentação científica, seguindo as recomendações da OMS, este grupo de pesquisa tem trabalhado no desenvolvimento de modelo matemático e na implementação da simulação computacional com o objetivo de determinar o ponto certo na curva de evolução de contaminação da Covid-19 para início do período de quarentena e do período de flexibilização. Quando concretizados, os resultados serão divulgados.

 

9) Ainda, reconhece-se que as medidas sugeridas devem ser adaptadas às diferentes realidades ao redor do mundo, e evidencia-se a dificuldade da sua adoção, principalmente em países em desenvolvimento, não só por limitações em recursos financeiros e de tecnologia, mas também por limitações culturais, com registros de desorganização social, individualismo e ignorância.

 

10) Cientes de que inúmeros municípios brasileiros têm iniciado períodos de flexibilização sem contemplar em sua totalidade as recomendações da OMS, este grupo de cientistas, frente às pesquisas realizadas, sugere:

a) Que as prefeituras, em coordenação com as associações e as instituições de representação social e grupos empresariais, realizem amplas campanhas de conscientização da população.

b) Que sejam garantidas as medidas de distanciamento social, o uso obrigatório de máscaras e boas práticas de higiene, em todos os locais da cidade, principalmente em setores comerciais/empresariais, garantia que poderá ser reforçada com o suporte da força policial e, se necessário, da força militar, mas principalmente dos próprios cidadãos. 

c) Que as secretarias de assistência social organizem e executem campanhas de conscientização porta a porta, principalmente em comunidades carentes, possíveis focos de surtos futuros da doença.

 

11) É preciso zelar pelo período de flexibilização, para que esse seja sustentado no médio e longo prazo, até a produção de tratamento ou vacina eficiente. É preciso zelar pelo período de flexibilização para não recarregar o sistema de saúde, elevando as taxas de óbitos que exijam novos períodos de quarentena. É preciso zelar pelo período de flexibilização para garantir a continuidade do ciclo econômico e seus benefícios, principalmente nas comunidades carentes.

 

*Lucio Abimael Medrano Castillo é professor do curso de Engenharia de Produção, da Faculdade de Administração, Ciências Contábeis, Engenharia de Produção e Serviço Social (Faces/UFU), e coordenador do Grupo de Pesquisa em Sistemas Complexos.

 

A seção "Leia Cientistas" reúne textos de divulgação científica escritos por pesquisadores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). São produzidos por professores, técnicos e/ou estudantes de diferentes áreas do conhecimento. A publicação é feita pela Divisão de Divulgação Científica da Diretoria de Comunicação Social (Dirco/UFU), mas os textos são de responsabilidade do(s) autor(es) e não representam, necessariamente, a opinião da UFU e/ou da Dirco. Quer enviar seu texto? Acesse: www.comunica.ufu.br/divulgacao. Se você já enviou o seu texto, aguarde que ele deve ser publicado nos próximos dias.

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