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COVID-19

Ganhadora do Desafio Inovação UFU testa produtos que podem bloquear a transmissão do coronavírus

Utilizando peptídeos que inativam a ação viral, a pesquisadora Léia Cardoso de Sousa pretende usá-los em pomadas e filmes dentais

Publicado em 24/06/2020 às 13:36 - Atualizado em 22/08/2023 às 16:52

Léia Cardoso de Sousa realizando experimentos no Laboratório de Nanobiotecnologia da UFU. (Foto: Arquivo da pesquisadora)

Léia Cardoso de Sousa cursa doutorado em Ciências da Saúde na Universidade Federal de Uberlândia (UFU). O seu projeto "Sistemas nanoestruturados de liberação oral sustentada para profilaxia contra o COVID-19 e redução da transmissão do SARS-COV-2" conseguiu o 1º lugar na categoria discentes de pós-graduação.

A transmissão da Covid-19 se dá principalmente pelo contato da saliva das pessoas infectadas. Dessa forma, Sousa e sua equipe começaram a extrair peptídeos - um pequeno pedaço de uma proteína - específicos que podem desativar o Sars-Cov-2. O peptídeo  se ligaria ao vírus ou à proteína ACE2, impedindo a entrada na célula. 

A pesquisadora pretende usar essas biomoléculas na forma de uma pomada, que poderia ser aplicada na cavidade oral ou nasal, ou na forma de um filme aderido ao dente. Assim, se alguém estiver contaminado ao liberar a saliva, o vírus seria expelido parcialmente ou totalmente bloqueado, graças à ação dos peptídeos.

“O projeto pode contribuir para a sociedade com a possibilidade  de reduzir a transmissão do Sars-Cov-2, em ambientes públicos e domiciliares, justamente por causa da ação antiviral do peptídeo que vamos selecionar. Isso também pode ser aplicado não só como forma de redução da transmissibilidade, mas também como profilaxia para os indivíduos que estão mais expostos, como os profissionais de saúde e os pacientes de grupos de risco”, explica a biomédica.

O acesso ao Centro de Incubação de Atividades Empreendedoras (Ciaem/UFU) e o apoio de R$ 1 mil  para participação em eventos científicos são alguns dos prêmios concedidos aos ganhadores do desafio. Sousa declara que sua equipe de pesquisadores já deu início aos primeiros testes de seleção dos peptídeos e, por este motivo, as etapas demandam incentivo financeiro e apoio da UFU.

“É de fundamental importância esse apoio da universidade para que a gente consiga ‘sair do papel’. Os mil reais para os eventos são uma oportunidade de expansão do conhecimento e a parceria com o Ciaem será de fundamental importância por causa das assessorias que eles fornecem”, acrescenta.

Além da participação do Instituto de Ciências Biomédicas (Icbim/UFU), há pesquisadores do Instituto de Química (IQ/UFU), Instituto de Biotecnologia (Ibtec/UFU), Faculdade de Medicina (Famed/UFU) e Faculdade de Odontologia (FO/UFU) contribuindo no projeto. 

Após a seleção dos peptídeos, os pesquisadores vão verificar a eficácia deles em cultura celular com o coronavírus. Se essa etapa for aprovada, começam os testes em animais - com o acompanhamento dos conselhos de ética. 

Após essa etapa, começa a fase clínica, com testes em humanos. Ou seja, o processo científico demanda tempo: “Quando a gente solta alguma ideia, o pessoal fica ansioso por saber quando vai ter o produto pronto. Temos etapas para percorrer ainda”, finaliza Sousa.

Palavras-chave: COVID-19 inovação transmissão UFUContraOCorona

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