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07/08/2020 - 13:16 - Atualizado em 12/08/2020 - 09:13
Estudo da UFU sobre primeiras linhagens do coronavírus será publicado na Scientific Reports
Pesquisadores das Ciências Agrárias analisaram dados internacionais
por Autor: 
Diélen Borges

 

Observar as primeiras linhagens do vírus é importante para o desenvolvimento de vacinas e medicamentos (Foto: Pixabay/geralt)

Ainda no começo da pandemia de Covid-19, um grupo de pesquisadores do Instituto de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Uberlândia (Iciag/UFU), coordenado pelo professor Alison Lima, começou a estudar o genoma do novo coronavírus, o Sars-CoV-2. Em 15 de abril, eles depositaram o estudo no servidor preprint bioRxiv  e, agora, o artigo está prestes a ser publicado na revista Scientific Reports, do grupo Nature. 

Desde que eles começaram a pesquisa até agora, a Covid-19 se espalhou pelo mundo. As dúvidas sobre essa doença também. E observar as primeiras linhagens do vírus, como fizeram os pesquisadores do Iciag/UFU, consultando bancos de dados internacionais, é importante para o desenvolvimento de vacinas e medicamentos, que devem ser efetivos para todas as variantes virais. 

O coronavírus tem um genoma grande, com mais ou menos 30 mil nucleotídeos (que são os blocos que formam o DNA e o RNA), explica Lima. Mas a variação genética ao longo desse genoma não é uniforme: existem 12 pontos em que essa diversidade é maior.

A partir das mutações observadas nessas 12 regiões, os cientistas da UFU constataram que havia seis principais subtipos de Sars-CoV-2 naquela época. "Hoje é possível que já existam muito mais que isso, porque à medida que o vírus vai se multiplicando, ele vai se diversificando, se adaptando", afirma o professor. Ele diz que, comparado com outros vírus, o novo coronavírus varia relativamente pouco, o que é bom para se chegar a uma vacina eficiente.

O estudo da UFU virou notícia em 24 sites internacionais por ter apontado uma particularidade do novo coronavírus: a existência de uma linhagem viral contendo uma proteína spike mutante. O coronavírus utiliza a spike para entrar nas células humanas. Em junho, grupos de pesquisa dos Estados Unidos comprovaram que o subtipo de coronavírus contendo essa proteína mutante é mais infectivo. Foi quando a pesquisa da UFU acabou citada em vários países, porque em abril já tinha identificado a linhagem viral com spike mutante circulando pela Europa.

 

Por que é difícil combater os vírus?

Existem muitos outros vírus no nosso planeta além do corona: dez nonilhões (10³¹). Embora passem por numerosas mutações, eles não chegam a ser muito diferentes entre si. Os vírus são muito simples, basicamente uma cápsula de proteína envolvendo material genético.

O professor Lima, que é agrônomo virologista, dedica-se mais ao estudo dos vírus de plantas. Mas, como os vírus não diferem muito uns dos outros, Lima e os pesquisadores das Ciências Agrárias da UFU também estão na corrida científica para desvendar o novo coronavírus e ajudar a enfrentar a pandemia de Covid-19.

É muito difícil combater um vírus e Lima explica por quê. Além das mutações, os vírus precisam muito das células vivas que eles infectam, utilizando basicamente os recursos que as células dão a eles para se multiplicarem. Se, com algum medicamento, inibirmos certas rotas metabólicas do vírus, podemos, como efeito colateral, inibir também uma rota metabólica importante para a sobrevivência da nossa própria célula. "O vírus, quando está em uma pessoa, é como se ele fizesse parte daquela pessoa", afirma Lima. 

Mas nem todos os vírus são ruins para a gente como o corona. "Na verdade, a vida como nós conhecemos não seria possível se os vírus não existissem. Eles controlam a população de bactérias que poderiam ser patogênicas a nós", pondera Lima.

 

Autores do artigo (Fotos: Arquivo dos pesquisadores)

 

Clique na imagem para ler o artigo (Foto: Reprodução bioRxiv)

 

 

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