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14/10/2020 - 19:21 - Atualizado em 19/10/2020 - 14:01
Dia dos professores: a vivência do profissional do conhecimento
Docentes relatam sobre a carreira e adaptação à nova maneira de ensinar
por Autor: 
Naiara Ashaia

(Foto: Janine Peixoto)

 

Por Naiara Ashaia

15 de outubro. Desde 1827, comemora-se nesta data o Dia do Professor. Naquele ano, o imperador D. Pedro I escolheu o dia consagrado à educadora Santa Teresa de Ávila para instituir um Decreto Imperial que criou o Ensino Elementar no Brasil. O conteúdo abordava a descentralização do ensino, as matérias básicas, o salário dos professores e até sobre como eles deveriam ser contratados.

O decreto apontava que “todas as cidades, vilas e lugarejos tivessem suas escolas de primeiras letras”. Essas, conhecidas atualmente como ensino fundamental, deveriam ensinar para os meninos a leitura, escrita, as operações de cálculo e noções de geometria prática. Já as meninas aprenderiam economia doméstica, como costurar, bordar, cozinhar, entre outros.

Em 1947, 120 anos depois do decreto, o professor paulista Salomão Becker, junto com outros três professores, teve a ideia de criar nessa data um dia de confraternização em homenagem aos professores. O discurso de Becker, além de reforçar a importância de se manter, nessa data, um encontro anual, ficou famoso pela frase “Professor é profissão. Educador é missão”. A comemoração se espalhou pelo país nos anos seguintes.

Mas foi apenas em 1963, através do decreto federal nº 52.682, aprovado pelo presidente João Goulart, que a data foi oficializada. O art. 3º, diz que “para comemorar condignamente o dia do professor, os estabelecimentos de ensino farão promover solenidades, em que se enalteça a função do mestre na sociedade moderna, fazendo delas participar os alunos e as famílias”.

 

O SER professor

Já são mais de 190 anos comemorando o dia do professor. Mas em meio a tantas mudanças, o que realmente significa ser um professor? “O que vejo sobre nós, e que se estende a quem trabalha em qualquer etapa da educação, é que o professor é aquele que centra o aluno enquanto elemento mais importante da relação ensino-aprendizagem”, afirma o professor de história do Instituto de História (Inhis), da Universidade Federal de Uberlândia (ICHPO/UFU), Sauloéber Tarsio de Souza.

O professor ressalta que o ensino demora anos e que isso parece não ser compreendido pela sociedade. Para exemplificar, Souza relata que acompanhou o desenvolvimento educacional de uma aluna da UFU por 12 anos, desde a iniciação científica até o doutorado, o que não seria possível em outras instituições.

Outro ponto é a pressão colocada sobre este profissional, principalmente em ambiente universitário, como detentor de conhecimento atualizado e concreto. “Existe uma expectativa social quanto ao professor universitário. Por ele ter especialização das ciências no mundo contemporâneo e porque acreditam que a fonte de conhecimento se localiza nas universidades”, complementa o professor.

Esta pressão tem aparecido de outras formas durante o isolamento social devido a pandemia de Covid-19.  A professora de matemática Instituto de Ciências Exatas e Naturais do Pontal (Icenp) e co-editora da revista BGJournal, Milena Brandão, teve que adaptar a vida de mãe e a de discente: ela tem um filho de dois anos, o Theo. Seu marido trabalha em uma agência bancária e fica fora de casa por cerca de 12 horas por dia. Assim, fica a cargo da professora as tarefas domésticas, cuidar do filho, preparar e ministrar as aulas e editar artigos científicos. “No meio da primeira etapa, achei que eu fosse surtar pelo excesso de coisas que tinha para fazer. Eu tive que aprender a usar o M Teams, aprendi a mexer no YouTube, na mesa digitalizadora. E, muitas vezes, meu filho estava por perto, subindo em armário, mexendo nas coisa, então é muito complicado. Não tem sido fácil”, conta Brandão.

Milena e Theo vão a UFU para que a professora grave os videos disponibilizados para os alunos no seu canal no YouTube. (Foto: Arquivo Pessoal)

No processo de adaptação às atividades remotas, a professora notou que não havia tempo hábil para ensinar a teoria e a resolução de exercícios. Durante a aula, Brandão utiliza uma mesa digitalizadora para fazer anotações. Mas como as disciplinas envolvem cálculos extensos, ela recorreu a outra plataforma.“Eu resolvi virar youtuber, comprei um tripé e tenho ido para a UFU gravar alguns exercícios resolvidos para meus alunos assistirem. Vou com o Theo, não tem com quem deixar e ele vai comigo”, descreve. Apesar de algumas interferências, como as mostradas nos vídeos Erros de Gravação parte I e parte II no canal da professora, ela afirma que gostou de fazer as produções e que pretende continuar mesmo quando as aulas presenciais voltarem. “Todas as adaptações vividas foram um grande ganho profissional”, ressalta.

A professora também destaca uma problemática vivida nesse momento: as mães que trabalham. De acordo com estudo produzido pela empresa Famivita, 52% das mães com filhos pequenos perderam renda, direta ou indiretamente, desde o início do isolamento social. A pesquisa aponta também que 39% das mães perderam seus empregos durante a pandemia, incluindo as trabalhadoras informais.

Milena Brandão conta que tem sido frustrante não conseguir fazer o melhor para o Theo enquanto mãe e também não ter tempo para aproveitar o momento de isolamento social para se desenvolver profissionalmente. Mas, diante desse cenário, ela se sente privilegiada por ter o emprego garantido e pela forma como a universidade tem lidado com a situação dos professores. “A UFU entendeu que o momento é complicado e não exigiu de nós dar todas as disciplinas, porque é impossível para quem tem filho em casa. É uma rotina estressante e desgastante. Eu gostaria que a sociedade percebesse o quanto as mulheres que trabalham fora e tem filho estão sofrendo”, relata.

Aos professores de todos os campi da Universidade Federal de Uberlândia e da Escola de Educação Básica, o nosso muito obrigado por todo ensinamento. Feliz dia dos professores!

Sobre as crianças, algumas delas tiveram que se adaptar a ver seus professores na tela dos computadores e celulares, enquanto estes também se encaixaram e criaram novas metodologias. Para o professor de história na Escola de Educação Básica (Eseba) da UFU, Christian Alves Martins, o primeiro desafio foi lidar com as incertezas de todos frente a pandemia. Depois, os aspectos mais técnicos, como escolha de plataforma para comunicação, como incluir os alunos e como reintegrá-los afetivamente. Esses tópicos também foram abordado pela assessora pedagógica Núbia Sílvia Guimarães em live no Instagram oficial da UFU.

Para o professor, depois do choque inicial diante da pandemia e do isolamento, ele passou a ver esse tempo como uma oportunidade de capacitação. “Assisti muitos filmes antigos e li muitos livros que estavam esquecidos na biblioteca. Além do mais, ‘isolar o pensamento’ proporcionou uma reavaliação da minha própria prática docente, já que teria que readaptá-la para um novo cenário, o ensino remoto”, conta.

Christian afirma que o ensino remoto demonstrou que, além de ser um processo que demanda autonomia, a aprendizagem pode ser realizada em qualquer lugar.  “No entanto, apesar de tantas informações disponíveis, principalmente na internet, o lugar do professor permanece intocável, sobretudo na função de mediador da construção do conhecimento”, completa.

A atuação docente envolve entrega, dedicação e paixão pelo conhecimento. Ser professor é mais do que segurar um giz em frente a uma sala de aula (ou a uma câmera), é auxiliar na formação de todos os trabalhadores que se sentam em uma carteira, com um caderno à sua frente, pelo menos uma vez na vida. Este profissional está presente desde a infância até quando for necessário. A formação demora anos e elas e eles estão dispostos a ser canal de desenvolvimento através da educação.

 

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