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13/10/2020 - 13:02 - Atualizado em 14/10/2020 - 14:44
UFU participa de estudo sobre toxoplasmose publicado em revista da Nature
Artigo trata sobre diagnóstico da manifestação clínica mais comum da forma congênita, a ocular
por Autor: 
Julia Alvarenga

 

Foto: Freepik

 

Uma pesquisa sobre toxoplasmose desenvolvida por quatro instituições mineiras foi publicada, no dia 7 de outubro, na revista SCIENTIFIC REPORTS, que faz parte do grupo NATURE e foi o sétimo periódico científico mais citado no mundo em 2019.

Intitulado “BIOMARCADORES PUTATIVOS PARA DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO PRECOCE  DE TOXOPLASMOSE OCULAR CONGÊNITA”, em português, o artigo elenca possíveis biomarcadores que indicam infecção em bebês, presença de lesão ocular e o tipo de lesão.

A pesquisa foi desenvolvida pelo Instituto René Rachou (Fiocruz Minas) e pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em parceria com a Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais, e teve colaboração de pesquisadores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM).

 

O que é toxoplasmose?

Toxoplasmose é uma doença causada pelo parasita protozoário Toxoplasma gondii.  De acordo com o CENTER FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION (CDC), as taxas de infecções são mais altas em regiões de climas quentes, úmidos e com latitudes menores, já que os oocistos (ovócitos do protozoário) sobrevivem melhor nessas condições. 

A doença não pode ser transmitida de pessoa para pessoa, exceto na transmissão de mãe para filho (congenital) e casos raros de transfusões de sangue e transplantes de órgãos. Geralmente, a infecção de toxoplasmose se dá por duas principais formas: através da comida ou de animais.

Se o indivíduo ingerir carnes mal cozidas ou outros alimentos e bebidas que, de alguma forma, foram contaminados pelo protozoário, pode haver a infecção pelo parasita.

Já quando se fala de infecção pelos animais, os gatos são comumente associados à transmissão da doença. Nem todos possuem toxoplasmose, mas se o felino se alimentar de roedores, pássaros ou outros animais menores infectados, pode transmitir o protozoário através de suas fezes e contaminar desde sua caixa de areia até o solo do jardim.

É comum que os indivíduos não apresentem sintomas quando infectados pelo Toxoplasma gondii. A infecção pode durar de semanas a meses, mas após esse período, o parasita ainda permanece no corpo em um estado inativo.

 

A toxoplasmose congênita

Se a mulher se infecta pouco antes de engravidar ou durante a gestação, ela pode passar a doença para o bebê. Geralmente, a mãe não tem sintomas, mas a doença afeta a criança, podendo trazer problemas para o sistema nervoso e olhos, ou até mesmo causar abortos ou crianças natimortas (que morrem no útero ou durante seu nascimento).

A toxoplasmose ocular é a manifestação clínica mais comum da toxoplasmose congênita. Causada pela presença do protozoário Toxoplasma gondii no olho, provoca uma infecção que pode levar à perda parcial ou total da visão.

 

Toxoplasmose congênita (Foto: arquivo dos pesquisadores)

 

A pesquisa

Com fomento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a coleta de dados para a pesquisa teve início em 2006, com bebês recém-nascidos do estado de Minas Gerais.

Através de análises estatísticas, o grupo de pesquisadores elencou possíveis biomarcadores que indicam a infecção do bebê, a presença de lesão ocular e o tipo da lesão (ativa ou cicatrizada). Esses resultados foram obtidos a partir do estudo da resposta adaptativa celular, que envolve a ação de células como linfócitos T, quimiocinas e citocinas.

A proposta do trabalho é enfatizar a importância do estudo da resposta imune celular para um melhor entendimento dos mecanismos de infecção da Toxoplasmose congênita.

A doutoranda Thádia de Araújo, do Programa de Pós-Graduação em Imunologia e Parasitologia Aplicadas (PPIPA/UFU), fez parte do grupo que desenvolveu o artigo. A pesquisadora comenta sobre a importância de haver estudos sobre o tema, mesmo não sendo uma parasitose descoberta recentemente, pois ainda existem vários desafios a serem enfrentados, especialmente em relação a Toxoplasmose congênita. “Nosso trabalho pode ajudar futuramente na avaliação clínica dos pacientes que apresentarem diagnóstico duvidoso, e também ajudar na monitoração dos pacientes durante o tratamento”, relata.

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