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11/03/2021 - 13:08 - Atualizado em 16/03/2021 - 08:27
A perspectiva feminina sobre a mulher e seu papel no cinema: uma investigação
Na quarta reportagem da série de pesquisas sobre mulheres, conversamos com Larissa Cavaton, que analisa o filme 'A Mulher Sem Cabeça”
Por: 
Rodrigo Sousa

 

Larissa Cavaton é autora da pesquisa O olhar feminino no cinema: A Mulher sem Cabeça de Lucrecia Martel (Foto: arquivo pessoal / Arte: Viviane: Aiko)

 

Já parou pra pensar por que o cinema é tão centrado em figuras masculinas? Atores geralmente são os protagonistas, em filmes coordenados por diretores, também homens. Isso quer dizer que, de modo geral, as mulheres nos filmes são retratadas pelo olhar masculino. Isso não deveria incomodar?

A forma como as mulheres são representadas e seus papéis no meio cinematográfico sempre chamou atenção da pesquisadora Larissa Cavaton, autora do trabalho de conclusão de curso (TCC) O OLHAR FEMININO NO CINEMA: A MULHER SEM CABEÇA DE LUCRECIA MARTEL. O estudo foi desenvolvido no curso de graduação em Artes Visuais, na Universidade Federal de Uberlândia (UFU). O tema é sensível, e o incômodo de Cavaton aumentou à medida que se aprofundava no assunto durante atividades acadêmicas, em um período de mobilidade na Universidade Federal da Bahia (UFBA).

 

“O cinema, assim como toda manifestação cultural, é, ao mesmo tempo, produto e modelo do seu meio. O meio, nesse caso, é a sociedade. E a sociedade é - entre outras coisas - machista. O cinema, portanto - de um modo geral, mas não de forma absoluta -, propaga e naturaliza valores machistas”, aponta o professor Paulo Angerami, orientador da pesquisa e lotado no Instituto de Artes (IARTE/UFU).

 

Cavaton comenta que, enquanto cursava disciplinas no curso de Produção em Comunicação e Cultura, na UFBA, percebeu que poucas diretoras eram citadas no ambiente de aula e que as citadas eram as que já possuíam reconhecimento no mercado cinematográfico.

Além disso, Cavaton recorda que as colegas de sala sempre apontavam sobre a questão de como as mulheres eram representadas em filmes. “Não conseguia me ver nessas representações femininas. Achava distante da minha realidade e do que entendo do que é ser mulher, assim, busco no meu TCC trazer outro olhar, um que se contrapõe ao que é habitualmente visto nas produções, com representações femininas em que as espectadoras possam se identificar.”

Na pesquisa, Cavaton desenvolve uma análise técnica, estética e social do filme “La Mujer sin Cabeza”, da diretora argentina Lucrecia Martel. O filme narra a história de Verónica, interpretada por María Onetto, que é a protagonista. Na película, Verónica sofre uma perda de memória após um acidente na estrada e perde suas referências sociais. Esquece quem é ela mesma, seu nome, e quem são as pessoas em sua volta.

 

Verónica, de La Mujer sin Cabeza (Foto: Reprodução do Youtube)

“A trama gira em torno desse resgate, sendo notável a construção social da mulher pela representação da protagonista. Ao interpretar o filme, percebo nele uma construção social da mulher, me coloco no lugar da personagem e resgato a construção da minha identidade na sociedade”, afirma Cavaton. 

No filme, Verónica reencontra esse lugar social a partir das relações que vão se estabelecendo durante a trama. “Martel, por meio desse resgate, vai desvelando os mecanismos de construção da mulher dentro da sociedade”, analisa Angerami, e é sobre esse processo de desvelamento que se volta a análise feita na pesquisa.

Segundo o professor, a investigação de Cavaton surge do encontro de uma vivência pessoal e uma vivência acadêmica, voltado ao entendimento da construção da mulher dentro da sociedade. “É muito gratificante orientar uma pesquisa dessa natureza”.

Cavaton explica que já conhecia a diretora Martel por estudo feito sobre outro filme, intitulado “O Pântano”, e enaltece a importância de produções fílmicas serem protagonizadas e dirigidas por mulheres, que contribuem para a desconstrução das narrativas que fomentam estereótipos que estão enraizados sobre o gênero feminino na sociedade. 

Antes de escolher “La Mujer Sin Cabeza”, a pesquisadora estipulou alguns critérios para selecionar o filme ideal para a investigação. O filme deveria ser dirigido por uma mulher e ter uma protagonista mulher - e que também fosse aprovado no TESTE DE BECHDEL,que funciona ao questionar se uma obra de ficção tem ao menos duas mulheres que conversam entre si sobre algo que não seja um homem. Por vezes, há também a condição de que as duas mulheres tenham nomes na obra.

Cartaz de La Mujer Sin Cabeza (Foto: Divulgação)

O teste é, então, o contraste do que podemos observar em outras produções que, ao retratar mulheres, parecem ter enquadramentos que favorecem o olhar masculino ou intensificam algum estereótipo da mulher na sociedade, diminuindo ou apagando as individualidades e particularidades dessas mulheres.

 

“Umas das coisas que mais me tocaram durante o processo da pesquisa foi entender a mim mesma de outra forma, me vejo no filme por todas essas questões sociais da mulher. A pesquisa,além de me ensinar muito mais sobre as representações femininas, o olhar feminino e o cinema, foi um processo de autoconhecimento. Acredito que estudar um tema que toca alguma ferida sua pode ser muito bom. Só tenho de agradecer”, conclui Cavaton.

 

 

Cavaton defendeu sua tese de forma remota (Foto: arquivo pessoal)

 

 
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