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10/03/2021 - 08:11 - Atualizado em 11/03/2021 - 13:07
Que discursos são construídos sobre as mulheres atuantes na política?
Mestranda avaliou perfis jornalísticos no Instagram da Folha de S. Paulo, O Antagonista e Carta Capital nas vésperas da eleição de 2018
Por: 
Marco Cavalcanti

No período pesquisado, foram escolhidas as publicações organizadas em imagens e legendas que expunham mulheres do campo político (arte: Viviane Aiko)

A terceira reportagem da série que o Comunica UFU publica na semana do Dia Internacional da Mulher apresenta um estudo com foco nos discursos sobre mulheres atuantes na esfera política no Brasil em sites de redes sociais (SRS). A pesquisa, realizada no Programa de Pós-graduação em Estudos Linguísticos da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), observou três regularidades discursivas: a invisibilidade da mulher na política, a mulher ligada ao homem (a noção de família)  e uma terceira relacionada ao corpo (aparência da face, vestimenta, o gesto da mulher e o ambiente de trabalho, por último).

A pesquisa A construção discursiva sobre a mulher (na) política brasileira em perfis do Instagram foi desenvolvida por Juliana Morais Martins para sua dissertação de mestrado. Ela analisou, às vésperas das eleições de 2018, 48 postagens em três perfis jornalísticos no Instagram — rede social que permite o compartilhamento de fotos e vídeos.

Foram escolhidas todas as publicações organizadas em imagens e legendas nos perfis jornalísticos da Folha de S. Paulo, d’O Antagonista e da Carta Capital que expunham mulheres do campo político (como candidatas ou que já exerciam algum cargo político) nos meses de agosto e setembro e na primeira semana de outubro.

A escolha dos veículos de imprensa foi baseada em uma definição relacionada ao posicionamento político: a Folha de S. Paulo se apresentando como apartidária, O Antagonista, de vertente de direita e Carta Capital, de esquerda.

A intenção foi compreender quais “verdades” são construídas discursivamente sobre a mulher política (e na política) no Instagram. Essa rede social, conforme cita a dissertação, tinha 1 bilhão de usuários no mundo e 64 milhões no Brasil, em 2018.

Apoiando-se nos estudos do filósofo francês Michel Foucault (1926-1984) que colocam em foco as relações de poder, essas são perguntas que a pesquisadora faz no trabalho: Quais são as forças que constroem o sujeito no discurso jornalístico do Instagram? Quais são as relações de poder que formam o discurso sobre a mulher (na) política na Mídia Digital? Como os saberes contemporâneos produzem o sujeito na mídia jornalística digital, em especial acerca da mulher (na) política no período das Eleições de 2018?

"Há uma invisibilidade do sujeito mulher (na) política, pormenorizando sua imagem em muitas de suas publicações. Além disso, as publicações em que se dá o destaque para as mulheres são ínfimas, de tal modo que, não raro, a mulher se encontra vinculada ao homem e apareça em segundo plano”, reflete a autora na dissertação, a partir do material pesquisado.

 

Eleição

Eleita vereadora de Uberlândia nas eleições de 2020, a docente e ativista do movimento de mulheres desde os anos 1990 Cláudia Guerra afirma que, ainda, a política é vista como um lugar predominantemente masculino. Historicamente, antes de Cristo, na antiguidade, a mulher não era considerada cidadã, não podia decidir os rumos de sua cidade, rememora a doutora em História pela UFU.

“É muito recente - no caso do Brasil, 1932, 1934, de modo geral - que as mulheres passam a votar. E, portanto, essa invisibilidade tem, por detrás, também essa construção social, cultural e histórica, de gênero, de masculinos e femininos, funções que ainda são construídas para masculinos e femininos, lugares a serem ocupados, representações sociais”, menciona Guerra.

“Claro que tivemos avanços importantes”, observa a docente. “Mas ainda hoje a gente tem — em algumas linhas religiosas isso é mais predominante — essa perspectiva de hierarquizar masculinos e femininos e essas construções de gênero, as diferenças serem traduzidas em desigualdades muito presentes”.

Por outro lado, a vereadora chama a atenção para a participação das mulheres nas várias esferas da política, como na Presidência da República e no Legislativo, por exemplo. “Em Uberlândia, pela primeira vez, nós tivemos oito mulheres eleitas. Isso não significa que as oito mulheres tenham trajetórias semelhantes, nem projetos semelhantes, mas são ‘muitas mulheres’. Isso faz diferença no Legislativo, no sentido do impacto e das problematizações que aparecem também em função de vivências diferentes”, ressalta.

Veja, abaixo, o vídeo com os comentários da historiadora sobre as conclusões da dissertação: 

Clique na imagem para assistir ao vídeo

 

Em relação à eleição recorde de mulheres para a Câmara Municipal de Uberlândia, Juliana Martins lembra da conjuntura, com altas no número de feminicídios relatadas pela imprensa.

“Diante disso, junto à concepção Foucaultiana, é possível considerar a atuação resistente da sociedade contra os discursos e diversos acontecimentos propagados ao longo de 2020, em veículos noticiosos, os quais direcionam para o apagamento da mulher na sociedade”, avalia.

Martins considera o salto no número de vereadoras como um ato que contraria e desloca, a mulher brasileira, da superfície de extermínio e a conduz para a esfera política do país.

“Ou seja, desloca aquela que, continuamente esteve na inércia no processo sócio-histórico desse país, e a transporta para o exercício no alto escalão público da comunidade. Diante disso, é possível ponderar acerca de um momento relevante, em que a mulher brasileira passa a ocupar novos espaços e exercer funções até então desempenhadas em sua maior parte por homens”, acrescenta. 

 

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