Publicado em 07/05/2026 às 11:31 - Atualizado em 07/05/2026 às 11:36
A Inteligência Artificial (IA) já não é um roteiro de ficção científica ou um experimento restrito aos laboratórios de exatas. Quando um aplicativo prevê a rota mais rápida para o trabalho, um sistema bancário bloqueia uma fraude em milissegundos ou um software auxilia médicos a identificar padrões sutis em exames de imagem, há uma teia complexa de dados sendo processada. Mas quem são as pessoas responsáveis por ensinar essas máquinas a "pensar" e, mais importante, a tomar decisões que afetam diretamente a vida em sociedade?
É com esse questionamento que a Universidade Federal de Uberlândia (UFU) estruturou o seu novo curso de Bacharelado em Inteligência Artificial. Criada em dezembro de 2025, como parte do programa Universidades Inovadoras do Ministério da Educação (MEC), a graduação nasce com o desafio de integrar o estudante, com seus conhecimentos em frente às telas, às demandas do mundo real.
Para a coordenadora do curso, Elaine Ribeiro de Faria Paiva, a natureza da IA é intrinsecamente interdisciplinar. O desenvolvimento de sistemas inteligentes exige compreender a fundo o domínio onde a tecnologia será aplicada, seja no Direito, na Economia ou na Saúde. "Nesse sentido, a matriz curricular do curso foi estruturada para ir além do ensino técnico, incentivando a aplicação dos conhecimentos em contextos reais e diversos", explica. Segundo a pesquisadora, as atividades e projetos foram planejados para promover o diálogo com outros campos, de modo que disciplinas como aprendizado de máquina, visão computacional, processamento de linguagem natural e cibersegurança sejam orientadas para "trabalhar com a solução de problemas do nosso cotidiano".
O DNA do novo profissional
Se há alguns anos o estereótipo do profissional de tecnologia era o do programador isolado, o modelo desenhado pela UFU exige muito mais conexões. O egresso precisará de uma base sólida em matemática, estatística e computação para entender os meandros dos modelos que sustentam a IA, mas essa é apenas uma parte do ensino.
O verdadeiro diferencial estará na sua capacidade reflexiva. Paiva destaca que a formação humanística é um pilar da nova graduação. "Mais do que o domínio técnico, destaca-se como característica central desse profissional a capacidade de atuar de forma crítica e interdisciplinar", ressalta a coordenadora, pontuando que a grade aborda temas urgentes e complexos, como ética, governança de dados, legislação e os impactos sociais da tecnologia.
Trazer essa complexidade tecnológica para a realidade exige prática. Por isso, a proposta é que os calouros não precisem esperar até a formatura para vivenciarem a prática. A Faculdade de Computação (Facom/UFU), da qual o curso de IA faz parte, já abriga um ambiente ativo de pesquisa na área, integrado a programas de pós-graduação, o que servirá de base para os ingressantes.
"Desde os primeiros períodos, os estudantes terão a oportunidade de se inserir nesses grupos de pesquisa, participando de projetos de Iniciação Científica", exemplifica Paiva. A ideia é que o contato inicial com a ciência ajude o aluno a compreender, desde cedo, o papel da pesquisa na resolução de falhas estruturais da sociedade.
Esse aprendizado também se torna importante pelo contexto regional. Uberlândia é reconhecida por abrigar um grande ecossistema de inovação, com empresas e startups que já utilizam a inteligência artificial. O curso prevê parcerias, visitas técnicas e a atuação em empresa júnior para promover essa proximidade com o mercado, desmistificando a ideia de que a criação de tecnologias de ponta é algo inalcançável. "Ao combinar base teórica sólida com experiências aplicadas e interação com o ecossistema de inovação, o curso contribui para formar alunos capazes de transformar conhecimento em soluções reais", complementa a docente.
Por fim, Paiva explica que o objetivo da UFU não é apenas preencher vagas no mercado de trabalho, mas formar agentes de transformação. De acordo com ela, espera-se que a atuação desses futuros profissionais seja voltada diretamente para os grandes desafios contemporâneos. "Os egressos não apenas ocuparão posições estratégicas no mercado, mas também contribuirão diretamente para a solução de problemas complexos e de impacto social", finaliza.
Política de uso: A reprodução de textos, fotografias e outros conteúdos publicados pela Diretoria de Comunicação Social da Universidade Federal de Uberlândia (Dirco/UFU) é livre; porém, solicitamos que seja(m) citado(s) o(s) autor(es) e o Portal Comunica.
>>> Leia também:
Palavras-chave: inteligência artificial ia bacharelado Graduação Ensino Facom Curso de Inteligência Artificial
Política de Cookies e Política de Privacidade
REDES SOCIAIS