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25/05/2017 - 10:56 - Atualizado em 27/05/2017 - 14:22
Dissertação aborda vida e obra do pintor Ido Finotti e sua relação com Uberlândia
Trabalho de servidor da UFU cataloga 160 pinturas
Por: 
Daniel Pompeu

Poucos artistas uberlandenses mostraram tamanha devoção ao cerrado mineiro e à constituição da memória regional em suas obras como Ido Finotti. Falecido em 1980 com 81 anos, Finotti produziu mais de 500 obras durante toda sua vida, entre pinturas parietais (em paredes de edifícios e outros monumentos arquitetônicos) e pinturas a óleo em telas e outros suportes não convencionais. Dessas obras, 160 estão catalogadas na dissertação de Mestrado em Artes pelo Programa de Pós-Graduação em Artes da Universidade Federal de Uberlândia (PPGAR/UFU) do sobrinho do artista, Ricardo Finotti, que é servidor da UFU e trabalha na Biblioteca do Campus Santa Mônica.

Em “As paisagens nas pinturas de Ido Finotti: reflexões artísticas e históricas”, Ricardo faz um levantamento da biografia e dos trabalhos do artista, oferecendo uma perspectiva histórica da região e como essas mudanças influenciaram suas obras. Ido Finotti conheceu a região quando, exercendo a profissão de pintor de paredes, auxiliou na pintura do Paço Municipal de Uberaba, por volta de 1918. O pintor mudou-se para a então Uberabinha, hoje Uberlândia, no ano de 1924 para trabalhar na pintura das paredes da antiga Companhia Elétrica, fixando residência na cidade.

De acordo com Ricardo, a ideia de realizar um levantamento do trabalho de seu tio surgiu da lacuna notada por ele com relação à memória artística de Uberlândia e do pintor. “Não havia nenhum trabalho completo, abrangente e exclusivo para as obras de Ido Finotti, em que ele realmente fosse o objeto de estudo”, afirma. Segundo Ricardo, o fato de Ido ser seu parente facilitou o acesso a familiares que ofereceram documentos, pinturas e relatos para a composição da pesquisa.

 

ricardo finotti

Ricardo Finotti decidiu fazer a pesquisa devido à falta de trabalhos que tratassem da memória artística de seu tio. Foto: Milton Santos

 

Trajetória do artista

 

Ido Finotti começou sua carreira artística muito cedo. Aos 12 anos foi aprendiz de pintura parietal com o empreiteiro de obras italiano Giacomo Stefano, em Espírito Santo do Pinhal, sua cidade natal no interior de São Paulo. A prática já se aproximava das artes plásticas, envolvendo diferentes técnicas para a confecção de adornos, padrões estilizados e silhuetas. Como pintor parietal, Ido Finotti participou da decoração de paredes de relevantes estruturas arquitetônicas, como a do antigo Hotel Esplanada, construído nos anos 1920 em São Paulo.

De acordo com Ricardo, após a diminuição na demanda pela pintura parietal durante o século passado, Ido Finotti decidiu dedicar-se a um empreendimento que abriu no centro de Uberlândia, onde expunha e vendia suas pinturas. “Em 1947, ele decidiu ser comerciante e abriu a Confeitaria Na Hora. Quando deixou as paredes, passou a se dedicar só às telas. Ele já fazia algumas, mas depois que inaugurou a confeitaria e deixou a decoração de paredes [a produção de pinturas] aumentou, também porque a moda já estava caindo”, explica. A confeitaria, que assumiu a função de galeria de arte de Ido na época, foi fechada apenas em dezembro de 1981, um ano após sua morte.

Grande parte das obras retratavam a realidade local de paisagens naturais e urbanas, cultivando um registro de uma época em que a fotografia apenas começava a se popularizar. De acordo com o pesquisador, uma de suas pinturas, por exemplo, retrata a primeira Igreja Matriz de Uberlândia, posteriormente demolida para a construção da antiga Estação Rodoviária da cidade, prédio que hoje abriga a Biblioteca Pública Municipal. “É uma das poucas representações dessa Matriz, e a única imagem colorida. Na época, só existiam fotografias em preto e branco, e existem poucas dessa Igreja registradas no patrimônio de Uberlândia”, explica Ricardo.

 

antiga matriz ido finotti

Retratação de Ido Finotti da Capela Nossa Senhora do Carmo, primeira Igreja Matriz de Uberlândia (óleo sobre tela 50x70 cm). Foto: Ricardo Finotti

 

Apesar da presença de elementos urbanos nas pinturas, a maior parte do acervo catalogado por Ricardo retrata as paisagens naturais do cerrado. “Uma grande marca registrada dele são as queimadas frequentes do cerrado. Ao mesmo tempo que tem aquela paisagem calma, bucólica, havia também esses momentos de horror e impacto”, explica. Das 160 obras catalogadas por ele na dissertação, 94 envolvem paisagens naturais. De acordo com o sobrinho do artista, Ido frequentemente pintava em “plein air” (expressão francesa para a prática de pintura ao ar livre). “Ele ia pra beira do rio, pro cerrado e ali ele se inspirava. Quando ele pintava, não fazia uma cópia, mas uma interpretação dele da paisagem”.

A dissertação de mestrado completa de Ricardo Finotti pode ser encontrada no repositório da UFU.

 

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