Skip to:

FacebookTwitterFlickrYoutubeFeed RSS

  • Aumentar
  • Diminuir
  • Normal

Current Size: 100%

28/09/2017 - 13:03 - Atualizado em 02/10/2017 - 18:07
Fazenda do Glória completa 40 anos
Professor responsável pelo planejamento visitou o lugar e relembrou momentos dessa trajetória
Por: 
Letícia Brito (Estagiária de Graduação)

Registro da horta da fazenda, de onde saem alimentos para os RUs da UFU e Hospital de Clínicas (HC-UFU) (Foto: Milton Santos).

"Eu gostaria de contar a história de quando isso daqui era mato, era cerrado em pé". O pedido foi feito pelo professor Luiz Antônio de Castro Chagas, logo que chegou à Fazenda Experimental do Glória, pela manhã, na última terça-feira (26/9). No fundo, tratava-se de um convite ao próprio lugar e às pessoas que trabalham para mantê-lo como um laboratório ao ar livre para ensino, pesquisa e extensão. Um convite a relembrar, ouvir e contar memórias e histórias sobre a primeira fazenda de experimentação da UFU: a Fazenda do Glória.

O professor Chagas participou da construção do lugar, desde a época em que tudo era mato, como disse. Foi ele quem fez o planejamento desse laboratório a céu aberto, em 1977, a pedido do então reitor Gladstone Rodrigues da Cunha Filho. Em 2017, entrou em contato com o professor Carlos dos Santos, do Instituto de Agronomia (Iciag/UFU), para dizer que queria visitar o lugar e ver como tudo estava. Outros dois professores do Iciag se uniram a eles para a visita: Maurício Martins, que é diretor de Experimentação e Produção Vegetal das fazendas da UFU, e Flávia Neri, que também foi aluna de todos eles na universidade.

Caminhando pela fazenda, Chagas contou que começou a lecionar em 1975, quando a UFU ainda era a Universidade de Uberlândia (UNU), antes da federalização. Primeiramente, na Faculdade de Ciências Econômicas, como professor de Economia Rural; depois na Medicina Veterinária. Também participou da fundação do curso de Agronomia, em 1985.

Conforme contou, o terreno que hoje compreende a Fazenda do Glória foi doado em meados de 1960, pela Prefeitura Municipal de Uberlândia, à antiga Faculdade de Medicina e Cirurgia. A proposta do projeto de 1977 foi de transformar aquelas terras em uma fazenda-escola. Ela seria utilizada como campo de trabalho para os cursos de Medicina Veterinária e Ciências Biológicas, que já existiam naquele tempo.

Professor Luiz Antônio Chagas, que hoje tem 74 anos, participou também da fundação do curso de Agronomia, em 1985. (Foto: Milton Santos)

Professor Luiz Antônio Chagas, que hoje tem 74 anos, participou também da fundação do curso de Agronomia, em 1985. (Foto: Milton Santos)

Iniciando o trabalho

O primeiro passo foi fazer o levantamento topográfico para medir o perímetro do lugar. "Isso foi feito com teodolito [instrumento de precisão para medir ângulos horizontais e ângulos verticais], porque naquela época não existia GPS", relembra Chagas. A partir do mapa gerado, fez-se o projeto que pensava na composição da fazenda. "Preservamos as áreas de veredas e as nascentes; fiz a subdivisão de áreas onde cada gleba seria um pasto e em cada pasto seria plantada uma espécie de gramínea para que o gado pastasse e o aluno aprendesse", detalha o professor.

 Ele conta que se aposentou em 2005, mas não visitava a fazenda desde o ano 2000. Voltando até lá, 17 anos depois, se emocionou. "Dá saudades, muitas saudades, mas o tempo passa. A vida é uma corrida de revezamento. Você pega o bastão, corre o trecho e entrega para outro continuar correndo. Assim vai tudo, inclusive na nossa universidade. Eu fiz minha parte, outros continuarão fazendo", acredita.

A docente Flávia Neri, que foi aluna do professor Chagas e hoje leciona no mesmo curso, acredita que esse bastão está nas mãos dos professores do Instituto de Ciências Agrárias e da Faculdade de Medicina Veterinária. "Como novos professores, nós dessa nova geração temos sim uma responsabilidade muito grande de dar continuidade nessa história", defende.

Professores do Instituto de Agronomia se reuniram, na manhã da última terça-feira (26/09), na Fazenda do Glória (Foto: Milton Santos).

Estrutura

 A UFU conta com quatro fazendas experimentais: Água Limpa, Capim Branco, Glória e a Reserva Ecológica do Panga. Diversos cursos, inclusive dos campi fora de sede, principalmente da área de agrárias, utilizam essas áreas para aulas práticas e pesquisas. No entanto, isso ultrapassa os cursos que, em um primeiro momento, parecem ter ligação direta com a área rural. "Por exemplo, o Instituto de Artes começou, na Fazenda do Glória, um trabalho de pesquisa e documentação com as palmeiras, que vai até o fim do ano", comenta o professor Maurício Martins.

O diretor conta ainda que, por lá, na área animal se explora mais a bovinocultura de leite, piscicultura, ranicultura e avicultura experimental. Em relação à vegetal, há processamento de alimentos, olericultura, cafeicultura e uma área de irrigação e drenagem. "Algumas delas geram uma produção que é destinada aos restaurantes universitários (RUs), ao Hospital de Clínicas (HCU-UFU) ou até, no caso do café, para consumo interno dos funcionários da UFU. Alguns produtos são comercializados e o  recurso é aproveitado para a manutenção da fazenda, segundo o Martins.

O professor Carlos dos Santos acredita que o Glória é um espaço propício para pesquisa. "O solo aqui representa bem o solo da região, então, para os trabalhos de aulas práticas, TCCs, dissertações e teses dos alunos é fantástico", conclui.

Av. João Naves de Ávila, 2121 - Campus Santa Mônica - Uberlândia - MG - CEP 38400-902

+55 34 3239-4411 | +55 34 3218-2111

© 2022. Universidade Federal de Uberlândia. Desenvolvido por CTI, com tecnologia Drupal