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22/01/2020 - 13:30 - Atualizado em 29/01/2020 - 08:55
Ações de sustentabilidade acompanham o desenvolvimento da UFU
Em entrevista, diretor fala das iniciativas e projetos que colocam a universidade em um caminho sustentável
Por: 
Marco Cavalcanti

Nelson Barbosa Júnior está à frente da Diretoria de Sustentabilidade da Prefeitura Universitária desde 2017 (foto: Milton Santos)

Eficiência energética, educação ambiental, coleta seletiva de resíduos, qualidade da água e política ambiental são alguns dos temas relacionados à sustentabilidade. Baseada nos princípios social, ambiental e econômico, a sustentabilidade é, para uma instituição, mais do que necessária: é imprescindível.

Para falar do assunto, o Comunica entrevistou Nelson Barbosa Júnior que, desde 2017, está à frente da Diretoria de Sustentabilidade da Prefeitura Universitária. O diretor revela que não é fácil atender o leque de possibilidades da área com uma equipe reduzida. “Esse não é um problema só da Sustentabilidade, é um problema da universidade inteira”, reconhece. 

O que a UFU tem de planejamento estratégico no que diz respeito à sustentabilidade?

A universidade tem alguns instrumentos. Primeiro, ela tem a Política Ambiental, que foi criada em 2012, sob responsabilidade e guarda da Comissão Institucional de Educação e Gestão Ambiental (Cigea). Recentemente, essa comissão fez um planejamento estratégico, com o apoio da Diretoria de Planejamento [da Pró-reitoria de Planejamento e Administração] a qual vem norteando suas ações.  Aliados a ele, nós temos também o Plano Institucional de Desenvolvimento e Expansão (Pide), o Plano de Logística Sustentável, o planejamento relacionado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) - Agenda 2030, o planejamento da adesão à Agenda Ambiental na Administração Pública (A3P) e o planejamento de adesão à Sala Verde do Ministério do Meio Ambiente. Ou seja, o planejamento está diluído em vários documentos. 

O que é a Cigea?

É a Comissão Institucional de Educação e Gestão Ambiental. Ela foi criada em 2012, junto com a Política Ambiental. A Cigea é a guardiã desta política ambiental. Iniciei minha participação pouco tempo após sua criação e atualmente tenho o prazer de estar coordenando os trabalhos. E nós decidimos, desde nosso planejamento estratégico em 2018, que precisávamos ampliar a participação da comunidade universitária. Nesse intuito, organizamos a criação de oito grupos técnicos de trabalhos temáticos (GTTs). Esses grupos trabalham temáticas de interesse da instituição, principalmente propondo ações, diagnósticos, normativas que vão ser levadas para a Cigea e que, se aprovadas, vão para os conselhos superiores para aprovação. Para citar alguns exemplos, nós temos GTTs sobre resíduos, educação ambiental, compras sustentáveis, construções sustentáveis, eficiência energética, qualidade de água, paisagismo e uso racional de recursos. São GTTs de pessoas com grande expertise na área, que vão trabalhar com uma equipe essa temática. Por exemplo, o Grupo Técnico de Trabalho sobre Resíduos, em suas primeiras reuniões, discutiram qual seria a maior preocupação hoje da universidade com relação a resíduos. Identificaram que, apesar da UFU promover a destinação ambientalmente adequada dos resíduos químicos, conhecemos pouco a realidade de geração de cada unidade acadêmica e administrativa. Então, eles passaram a avaliar a forma como a UFU gerencia e instrui a destinação e também estão preparando um censo que vai ser aplicado em todas as unidades para que conheçamos o que é gerado na UFU. Esse censo vai nos ajudar a melhorar a nossa performance de gestão de resíduos perigosos.

O que a UFU faz com os resíduos produzidos nos serviços de saúde e em outros setores e que trazem riscos à saúde e ao meio ambiente?

Nós temos que fazer uma separação. Os resíduos do Hospital de Clínicas têm uma gestão própria. As unidades acadêmicas e administrativas e os hospitais Veterinário e Odontológico têm seus resíduos da área de saúde geridos pela Diretoria de Sustentabilidade. Nós realizamos toda destinação de material biológico e infectante, perfurocortante, resíduos químicos e carcaças de animais. Além disso, toda destinação de pilhas e baterias, lâmpadas fluorescentes e materiais recicláveis está em nosso escopo de atuação.

A UFU faz coleta seletiva para reciclagem do lixo produzido nos campi?

Nós temos hoje a seleção na coleta externa. Esse processo está passando neste momento por um aprimoramento. Entretanto, a UFU tem um histórico muito interessante sobre a coleta seletiva. A legislação que começou a nortear a questão dos resíduos para destinação é de 2006, e a UFU já faz essa destinação dos materiais recicláveis desde 2005, ou seja, antes da exigência da legislação. Isso foi possível principalmente em função de atuação de nossa Incubadora de Empreendimentos Populares Solidários (Cieps), que conseguiu dar suporte para que essas cooperativas tivessem condições de prestar serviços para a UFU. A partir de 2012, a UFU foi o órgão público pioneiro do país na contratação das cooperativas mediante remuneração pelos serviços prestados. É um modelo que tem servido de exemplo para outras instituições e órgãos públicos, porque é uma relação que reconhece a relevância do serviço que eles prestam. Hoje, para todo o material que eles coletam na universidade eles são remunerados para promover a destinação adequada.

A sustentabilidade tem esse lado social também, não é?

Sim, ela é um tripé. Ela tem que envolver tanto a parte ambiental, que é você não destinar inadequadamente seus resíduos, como a parte econômica, de você remunerar adequadamente a prestação de serviço, assumindo sua responsabilidade de gerador/pagador e, também, a questão social, apoiando e criando condições para que grupos alcancem de forma digna sua subsistência. Nesse caso específico das cooperativas ou associações, são grupos que estão em situação de extrema vulnerabilidade e que dependem do apoio, mas de uma forma extremamente respeitosa. Então, tanto nós podemos, nessa relação de contrato, exigir deles uma prestação adequada de serviço, como eles também nos cobram as condições para que eles façam isso.

O que é a Agenda Ambiental na Administração Pública, a A3P, a qual a UFU aderiu?

A A3P é do Ministério do Meio Ambiente, é uma agenda ambiental governamental, ela existe a algum tempo. A universidade vinha tentando a adesão desde 2014, porém não vinha conseguindo estruturar sua proposta de forma que tivesse sucesso. Em 2018, nós conseguimos demonstrar o compromisso da instituição com os princípios de sustentabilidade que nos permitiram conseguir a adesão. Neste sentido, ocorreram outras iniciativas que buscaram superar este isolamento da UFU e firmar parcerias e convênios extra-muros. Assim, além da adesão à A3P, temos a adesão à Sala Verde, que atua no sentido de referenciar nossas ações de educomunicação e a adesão à Rede ODS Universidades, que tem o objetivo de promover a internalização e implementação da Agenda 2030 da ONU na UFU. Este voltar de olhos para o extra-muros traz muitos benefícios para a instituição, como também a instituição pode contribuir com experiências que são extremamente exitosas e podem ser importantes para outras instituições que estejam em estágios menos avançados, assim como nós também nos aproveitamos de experiências exitosas de outras instituições para implementar dentro da instituição. Essa troca dentro do serviço público é muito salutar e a universidade estava muito presa dentro da sua realidade. 

Você citou o Plano de Logística Sustentável, o que é esse plano?

É uma exigência legal. Ele exigia que a universidade tivesse um mapeamento de alguns tipos de despesas e que fossem definidas as metas e indicadores com a finalidade de melhorar o desempenho da universidade. A universidade deveria ter este documento desde 2013 e ele somente foi aprovado em 2019. O plano contempla despesas de água, energia, toner, papel, vigilância, transporte e outros itens. Todos esses itens foram mapeados dentro da universidade, definindo os gastos ao longo dos anos, metas de economia, indicadores de acompanhamento e promovendo ações para atingir as metas. O documento passa a ser um compromisso da instituição com a sustentabilidade.

Quais são os projetos de eficiência energética que a universidade tem implementado?

Temos dois projetos já implementados, sendo um deles o de eficiência energética no Campus Santa Mônica, aprovado em 2018, com um aporte de capital no valor de R$ 3,7 milhões. Ele promoveu a troca de toda a iluminação do Campus Santa Mônica, interna e externa, e foram mais de 30 mil lâmpadas trocadas em três meses de execução. O outro projeto foi implementado no Hospital de Clínicas que, além da troca de mais de 13 mil lâmpadas, contou também com a doação de quatro autoclaves de bomba seca e três focos cirúrgicos.

Nessas autoclaves, além da economia de energia, teremos a economia de água, pois cada autoclave da tecnologia anterior gastava 120 mil litros de água por mês, totalizando uma economia mensal de 240 mil litros de água.

Esses dois projetos já implementados, tanto do Hospital de Clínicas, quanto do Santa Mônica, vão gerar uma economia anual para a universidade de R$ 1,5 milhão.

Esses projetos preveem tanto a aquisição dos equipamentos como a mão-de-obra de troca, o descarte dos resíduos e o monitoramento para verificar o atingimento dos objetivos desejados. 

 

Projeto de eficiência energética promoveu a troca de toda a iluminação do Campus Santa Mônica (foto: Milton Santos)

 

De onde vieram os recursos para esses projetos?

A UFU não teve nenhum gasto nesses projetos, pois o capital utilizado foi captado junto à Cemig [Companhia Energética de Minas Gerais]. A Cemig, por preceito legal, é obrigada a reservar parte do seu faturamento e investir em projetos de eficiência energética. Então, ela abre editais públicos de concorrência. Neste sentido, a universidade se preparou para submeter projetos de qualidade. É uma forma da Cemig retribuir para a sociedade os ganhos que ela tem, e nós temos a possibilidade agora de um novo filão de financiamento. O nosso projeto foi o de maior valor individual já aprovado na Cemig nos editais de eficiência energética, e no fim de 2019 tivemos a aprovação de um novo projeto, para iluminação externa do Campus Umuarama e também dos ginásios do Campus Educação Física, o qual angariamos o valor de R$ 1,2 milhão, sendo sua execução iniciada em 2020.

E em relação à água?

Nós estamos criando um laboratório de análise da qualidade da água da UFU. Isso é algo que a universidade carece desde sua implantação. Temos uma comunidade de aproximadamente 30 mil pessoas e é nosso compromisso promover e fornecer água de qualidade, sendo necessário ter uma estrutura para fazer análise institucional dessa água. Aliado a isso, um dos grupos técnicos da Cigea, que é o GTT de Qualidade da Água, está trabalhando, também, no Plano Institucional de Segurança da Água, que trabalha os critérios e indicadores de pontos críticos de controle para evitar que problemas aconteçam na nossa água, descentralizando a responsabilidade.

Isso para todos os campi?

Para toda a universidade. Estamos identificando os aspectos que precisam de maior atenção, definindo os pontos críticos de controle e elaborando um plano que oriente operacionalmente nossa gestão, aplicando em um piloto no campus Santa Mônica. É um verdadeiro aprendizado, pois o problema é identificado, a intervenção é realizada e verifica-se se a ação teve o resultado esperado, determinando posteriormente novas práticas. Assim que finalizarmos iremos ampliar para toda a instituição.

Por falar em água, que ações foram desenvolvidas pela universidade para combater o mosquito aedes aegypti?

Em 2018 promovemos uma mobilização social. Foi um projeto muito interessante, o qual convidamos a comunidade para atuar junto com a gestão para identificar e combater focos de mosquito.

A comunidade acadêmica ou externa?

Estava aberto. Nós abrimos a participação tanto para a comunidade externa como para a interna, instruindo-os como fazer. Fizemos essa mobilização e foi muito interessante. A partir daí, estreitamos as relações com o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), da Prefeitura Municipal de Uberlândia, e começamos a ter um sistema de parceria, criando um canal de comunicação. Quando se identifica o foco, eles nos acionam e já comunicamos o órgão responsável para sanar aquele problema. Essa situação foi um grande avanço, porque era um grande problema de o CCZ saber para quem demandava, dentro da instituição. Os problemas são diversos: às vezes relacionados à sucata, à infraestrutura, à jardinagem, entre outros, gerando dificuldades na resolução, pois a infraestrutura era dividida, parte cuidava de uma coisa, parte cuidava de outra. Então ficamos responsáveis de identificar quais eram os setores responsáveis, fazer a solicitação e acompanhá-la até a solução da demanda.

Também temos um projeto interno de algumas ovitrampas, que são armadilhas para mosquitos, com a finalidade de monitorar a incidência. Instalamos armadilhas, os mosquitos colocam o ovo, realizamos a contagem, identificamos o tipo de ovo, se é do aedes ou não, e assim monitoramos a incidência ou não do mosquito em alguns pontos da universidade. A Prefeitura Municipal também trabalha com esta mesma metodologia. Ela tem algumas ovitrampas dentro da UFU e, a fim de aumentar o monitoramento, colocamos algumas a mais, até para efeito didático. É um trabalho contínuo. É claro que os focos aumentam nos períodos de chuva, mas nós entendemos que o monitoramento e acompanhamento deva ser permanente. Hoje já é perceptível que a dengue não é um problema só de época de chuva, mas sim uma questão que precisamos estar sempre atentos.

Quais são as iniciativas da UFU em relação à educação ambiental?

Nós temos algumas ações que são implementadas pela própria Diretoria de Sustentabilidade como treinamentos, capacitações ou ações relacionadas à educação ambiental. Por isso fizemos adesão à Sala Verde, que é uma chancela do Ministério do Meio Ambiente às ações de educomunicação. 

Dentre as ações, podemos destacar ciclo de palestras para terceirizados, curso de eficiência energética para edificações, curso de sustentabilidade e responsabilidade social, circuito Tela Verde, Ações de Plantio, entre outros. 

Essas ações acontecem no sentido de dar inserção da temática ambiental na UFU. Recentemente, foi criado pela Cigea o GTT de Educação Ambiental, que está planejando  estratégias para orientar e ampliar estas ações. Os GTTs contam com pessoas especializadas que vão nos ajudar a criar estratégias para enfrentar os desafios que a universidade tem, as dificuldades e até avançar em alguns temas.

O que a UFU tem feito para atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que devem ser implementados pelos países até 2030? 

Nós fizemos adesão à uma rede de universidades que tinha o objetivo de compartilhar experiências, mas infelizmente essa rede acabou não vingando. Contudo, internamente, o tema vem tomando um corpo muito interessante. O Comitê Gestor para os ODS-UFU (CGODS) fez um planejamento estratégico de suas ações e definiu algumas linhas de ações. Por exemplo, a universidade está chamando toda comunidade para conversar sobre os ODS. Entidades públicas e privadas virão para dentro da universidade no intuito discutir os ODS. Nós já temos algumas ações de mapeamento de ações relacionadas aos ODS dentro da extensão, pesquisa e produção científica. Isso confirma a evolução da universidade nessa área, estamos caminhando.

Em 2020, começaremos a incorporar os ODS no nosso planejamento estratégico da UFU. Ou seja, no próximo Pide [Plano Institucional de Desenvolvimento e Expansão], os ODS vão estar inseridos como estrutura. Ações no sentido de permear a instituição nessa discussão vem acontecendo e têm o intuito de sensibilizar e informar a instituição. 

Uma pessoa da comunidade acadêmica que se interessa por esse assunto e gostaria de colaborar de alguma forma com a questão da sustentabilidade, o que que ela tem que fazer?  

Nós sempre abrimos espaço para parcerias. Vou te dar um exemplo de alguns projetos que foram submetidos e executados. Por exemplo, tivemos a empresa júnior, a Sustenta, da Engenharia Ambiental, que nos propôs um piloto de coleta de resíduos eletrônicos. Foi muito bom quando recebemos o relatório final, pois tivemos fundamentos para iniciar uma discussão com a Comissão de Desfazimento da UFU para propor a destinação do lixo eletrônico da UFU para as cooperativas solidárias, estando esse assunto ainda em pauta. Eles fizeram também a proposição de implantação da coleta seletiva na Moradia Estudantil, projeto também implementado. A Sustenta agora está realizando um levantamento das lixeiras de coleta seletiva na UFU, para avaliar a quantidade que nós precisamos, em qual lugar instalar, de que tipo, com qual volume.

A empresa júnior da Biologia está realizando um projeto piloto voltado para manejo de pombos, tentando criar estratégias para manejo. Nós temos duas empresas juniores de Ituiutaba [Campus Pontal] que fizeram uma proposta para a universidade de implantação de energia fotovoltaica. Eles vão fazer um cálculo de viabilidade econômica e de retorno de investimento. Estes são alguns exemplos de parcerias que foram firmadas. Damos abertura, recebemos o projeto, avaliamos a viabilidade de implantação e se for viável, aderimos à idéia. 

O que é mais difícil no trabalho de sustentabilidade em uma universidade?

Acredito que o grande desafio é conseguir atender a todas as frentes de atuação que a temática nos oferece. 

Com relação a recursos orçamentários, a universidade tem nos dado todo apoio que precisamos. Além disso, a temática nos abre possibilidades de captação de recursos externos, como o projeto que está em desenvolvimento para troca das lixeiras de coleta seletiva e o projeto do viveiro do cerrado no Campus Glória, ambos com captação extraorçamentária de recursos. 

Temos projetos, mas às vezes nos falta fôlego para atacar todas as frentes de atuação em função do nosso quadro reduzido, mas entendemos que esse não é um problema de exclusividade da Diretoria de Sustentabilidade, mas sim de toda a universidade em áreas com igual relevância e necessidade.

Mas em situações de escassez devemos ser criativos, aproveitando o potencial da equipe que, apesar de reduzida, é muito dedicada. Com as parcerias tentamos maximizar o impacto de nossas ações, a gestão tem apoiado as iniciativas e vem demonstrando seu compromisso com a temática.

 

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