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22/04/2020 - 18:10 - Atualizado em 23/04/2020 - 08:38
Existe jornalismo sem jornalista?
Na última publicação especial, Gerson Sousa, professor de Jornalismo da UFU, problematiza a profissão e sua prática
Por: 
Jussara Coelho

Você sabe em quais áreas atuam os jornalistas? Dia 7 de abril é o dia do jornalista e o portal Comunica UFU publica neste mês uma série de textos em homenagem a esses profissionais que se formaram em nossa universidade, trabalham aqui ou já contribuíram conosco. 

Gerson é docente na UFU há mais de dez anos. (Fotos: arquivo pessoal)

 

Professor do curso de Jornalismo da UFU e pesquisador, formado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Metodista de Piracicaba  desde 1995, Gerson Sousa fez mestrado e doutorado na Universidade de São Paulo em Ciências da Comunicação e já atuou como assessor de imprensa, repórter e fotógrafo, mas foi na docência que decidiu seguir carreira.

Sua história se encontrou com a da UFU em novembro de 2009, ano em que iniciou a primeira turma do curso de Jornalismo na Faculdade de Educação (Faced) da universidade. Lá, atua ministrando aulas, coordenando a pesquisa ‘A construção da identidade do popular no processo comunicativo: análise cultural da produção de sentido e representação do Congado no cotidiano de Uberlândia’, orienta alunos da graduação e de pós-graduação no Programa de Pós-Graduação em Tecnologias, Comunicação e Educação (PPGCE), participa de comissões, núcleos e colegiados do curso. Também já foi coordenador  do Curso de Graduação em Jornalismo e do curso Educomunicação Ambiental  do projeto Rede Nacional de Formação de Professores da Educação Básica.

De acordo com o docente, a frase do pesquisador Cláudio Abramo “o jornalismo é, antes de tudo e sobretudo, a prática diária da inteligência e o exercício cotidiano do caráter” é importante para mostrar que o jornalismo está diretamente articulado à compreensão do que é o jornalista. “E assim poderíamos fazer uma pergunta provocativa: existe o jornalismo sem o jornalista?”, questiona o docente. Para ele, o embate aqui se efetiva em considerar o jornalismo como movimento, e não como conceito estrutural, retirado da idealização para se efetivar dentro da historicidade que vem sendo construída pelos jornalistas. 

Um dos elementos fundante para entender o jornalismo, Sousa acrescenta, é possibilitar que a sociedade obtenha informações sobre determinados fatos para que produza sentido e com isso possa ter dados suficientes para elaborar uma determinada opinião que se efetivará em conhecimento do cotidiano e por isso, elucida o docente, o jornalismo está determinado pelo exercício cotidiano do caráter.

Analisando o contexto social atual, Sousa afirma que o jornalista é fundamental na constituição da defesa da democracia em seus elementos: liberdade individual, garantia de igualdade social e respeito à diversidade. Principalmente em um país como o Brasil, recém ingresso no processo de redemocratização. O docente aponta a importância do profissional nessa manutenção democrática pois, de acordo com ele, ao mesmo tempo em que desvela a diversidade social de forma constitutiva, precisa legitimar que está diante de projetos políticos em tensão. 

Gerson afirma que o principal desafio para o jornalista permanece sendo a temporalidade.

“E a exposição dos termos em debate nessas lutas ideológicas se encerram quando é a existência do sujeito social que corre risco de ser efetivada. Ou melhor, negada”, justifica. 

 

Muitos desafios são enfrentados pelos jornalistas no labor de sua profissão. Porém, de acordo com o docente, o principal permanece sendo a temporalidade. Ele alega que com os avanços tecnológicos, houve uma facilidade do ponto de vista operacional, inclusive na transmissão de dados. 

 

Sousa esclarece que a exigência da atualidade impõe um ritmo que, por vezes, está em oposição ora da própria velocidade de compreensão interpretativa do jornalista, ora da própria velocidade em que a sociedade caminha em seu processo de compreensão. “E aqui está o contraponto, a atualidade se efetiva como ponto essencial. Mas uma notícia que desfigure sujeitos sociais, como já vimos na história social e da mídia, leva pessoas a ruínas. Por isso o que está sempre em jogo no processo do trabalho do jornalista é a questão da credibilidade social. Porque uma vez em que a notícia é distorcida, pelo fator tempo, tende-se a sempre desconfiar do processo” defende. 

 

Assim, Sousa aponta ser necessário repensar o jornalista e o jornalismo como trabalho intelectual, como sujeitos que possuem referências teóricas e conceituais que permitam pensar a realidade de forma crítica. “Distante dos que acusam ser esse o impedimento do trabalho prático, a minha experiência em redação pode ser utilizada aqui como um elemento de parâmetro. O conhecimento teórico e conceitual possibilita ao jornalista a ação de pensar e refletir de forma mais rápida na sua atividade do cotidiano, sem recair no imediatismo reducionista, ou se render ao mero ponto declaratório do informativo”, acrescenta, o docente.  

 

Ao apontar uma tendência, o professor destaca não se referir ao elemento tecnologia, mas ao sujeito que está lá como mediador do social. “Principalmente no momento em que a atualidade se confunde com imediaticidade, o discernimento crítico é imprescindível no exercício cidadão”, finaliza.

 

 

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