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15/05/2020 - 15:52 - Atualizado em 20/04/2021 - 10:45
O 'balanço' dos números
Cepes divulga IPC de abril
Por: 
Eliane Moreira

O Centro de Estudos, Pesquisas e Projetos Econômico-sociais da Universidade Federal de Uberlândia (Cepes/UFU) divulgou, nessa quinta-feira (15/5), o Indíce de Preços ao Consumidor (IPC) do mês de abril. De acordo com a pesquisa do Cepes, a variação foi de -0,63%. “Isto corresponde a -0,55 pontos percentuais abaixo da taxa de -0,09%, registrada em março”, explica a economista Graciele de Fátima Sousa, do Cepes. No acumulado dos últimos 12 meses, a variação ficou em 1%, enquanto a variação acumulada no ano de 2020 foi -0,48%.  “Este índice de abril indica que, em média, os preços de abril, em relação a março ficaram mais baratos -0,63%, isto considerando o conjunto de bens e serviços que compõem o IPC Cepes”, destaca Sousa.

 

O que apresentou recuo nos preços?

Neste mês de abril, o destaque foi para o recuo dos preços em seis grupos, se comparados a março. Foram eles: transportes (-2,86%), habitação (-0,36%), comunicação (-1,54%), vestuário (-0,33%), artigos de residência (-1,00%), saúde e cuidados pessoais (-0,22%).  De acordo com Sousa, o item transporte foi influenciado pela queda no preço do combustível. “Houve deflação de gasolina, etanol e óleo diesel que se deve, em parte, à redução dos preços médios dos combustíveis vendidos nas refinarias, anunciada no mês de abril”. O item habitação teve deflação, influenciada pela queda no preço do botijão de gás. Já a comunicação sofreu redução, devido a alguns planos de telefonia celular, e os artigos de residência foram influenciados pelos itens mobiliários de sala e eletrodomésticos.

De acordo com a economista do Cepes, no mês de abril, “o IPCA calculado pelo IBGE que é o índice de inflação oficial do pais, apresentou uma deflação de 0,31%; das 16 localidades calculadas pelo IBGE, apenas Rio de Janeiro e Aracaju não tiveram deflação”, destaca. Sousa explica também que “diversos fatores influenciaram na variação negativa, entre elas, incerteza econômica, aumento da demanda de bens essenciais, isolamento social e pandemia, que acabaram impactando no preço dos produtos”.

Assim como a inflação, a economista alerta que a deflação é preocupante. “Se essa deflação se tornar permanente, vai ser prejudicial para a economia. Em um primeiro momento pode parecer positiva, por aumentar o poder de compra, mas, se a deflação persiste, a expectativa de queda constante de preço vai se tornar um incentivo para adiar o consumo, ou pode significar em queda da demanda por alguns bens e serviços. Deflação persistente, generalizada e contínua, na queda de preços, pode causar retração na demanda de bem de serviço, prejudicando investimentos, geração de empregos e renda”, ressalta.

 

O que subiu?

O grupo que mais contribuiu para a variação positiva foi o de alimentação e bebidas, com 0,54% de alta, “o maior impacto positivo no IPC de abril”, de acordo com a economista, além do aumento de produtos como leite longa vida (9,72%), batata inglesa (26%), laranja (12%) e a banana prata (11%), que também apresentaram alta.

 

Valor da Cesta básica

O Cepes calculou, ainda, o gasto mensal da Cesta Básica de Alimentos em Uberlândia, que foi de R$ 464,97, apresentando um valor superior ao registrado no mês de março (R$ 449,10). A cesta básica de alimentos marcou uma variação 3,53%. Com isso, o acumulado no ano da Cesta Básica de Alimentos está em 8,05%.

Analisando o gasto mensal por produto que compõe a cesta básica, nove deles apresentaram aumento de preços, impactando a alta no valor do gasto, em relação ao mês anterior. Destaques para a batata (26,06%), o feijão (16,69%) e o leite (15,04%). Por outro lado, os quatro produtos que apresentaram queda de preços foram: carne (-2,53%), arroz (-0,72), tomate (-0,67%) e óleo (-0,38%).

A pesquisa apontou, ainda, que em abril o salário mínimo necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas, em Uberlândia, ficou em R$ 3.906,18, valor superior ao registrado no mês anterior, que foi de R$ 3.772,87.

Os preços desta pesquisa foram coletados no período de 2 a 31 de março.  Tanto a metodologia, quanto a elaboração do índice estão disponíveis no site do Cepes.

 

Você sabe como é feita a pesquisa do IPC ?

Marco Túlio realiza coleta de dados, em estabelecimentos de Uberlândia

Marco Túlio Rosa realiza coleta de dados, em estabelecimentos de Uberlândia

 

Em dias “normais”, fora da quarentena, a rotina é sempre a mesma. Toda semana, uma equipe de seis coletadores, do Centro de Estudos, Pesquisas e Projetos Econômico-sociais (Cepes), vai às ruas. O trabalho é verificar os preços de 235 subitens que compõem a estrutura da cesta de consumo do IPC-CEPES, em mais de 500 informantes ou estabelecimentos, de Uberlândia. São produtos em supermercados, lojas e consultórios de saúde, entre outros.

Os dados são inseridos em tablets ou anotados em prancheta. Posteriormente, são repassados ou descarregados em um software, o “Sistema IPC-CEPES”. Nele, é possível descarregar as coletas de preços, realizar as inserções dos dados, atualização cadastral de produtos e informantes. A partir destes dados, os economistas realizam o cálculo do índice.

Marco Túlio Rosa é um dos coletadores do Cepes. Ingressou na UFU em 1989. O trabalho de pesquisa começa às 8 horas e conta, em média, com cinco visitas em estabelecimentos comerciais por dia. As anotações realizadas por ele são essenciais para o cálculo do índice.  De acordo com Rosa, às vezes. surge alguma dificuldades: “Boa parte não sabe o que é IPC e nem sabe para quê é o índice da inflação. Então, apresentamos uma carta e explicamos.”

Sobre o trabalho, ele diz ser gratificante colaborar com a pesquisa. “A gente participa de algo que é registrado todos os meses. Já presenciei tomate a R$10,00, banana prata a R$7,90. Eu ajudo a registrar um ponto histórico na economia do estado. Este trabalho é feito só em capitais e, no interior, somos a única universidade que trabalha com nossos dados e cruzamos com as informações do IBGE”, ressalta. Antes de trabalhar no Cepes, Rosa diz que nem conhecia o trabalho da unidade. “Agora eu participo, coletando e passando as informações para os economistas”, comenta.

 

Mas como calcular isso tudo?

Por outro lado, no próprio Cepes, outra equipe simultaneamente trabalha fazendo pesquisa em sites e ligações telefônicas.  Este trabalho se repete, semanalmente, até que, ao final do mês, esses dados alimentem a base de dados que norteia a pesquisa que define o IPC. De acordo com Luíz Bertolucci, coordenador do Cepes, “é utilizado um programa, desenvolvido pela universidade, que faz todos os cálculos para gerar o IPC”.

Neste momento de enfrentamento a Covid-19, Bertolucci esclarece que foram intensificadas as coletas via telefone e sites de internet, mas, se for inviável dessa forma, os coletadores vão a campo, adotando os devidos cuidados e utilizando Equipamentos de Proteção Individual (EPIs).

O IPC-Cepes é calculado desde 1979 e se refere às famílias com rendimento monetário de um a cinco salários mínimos, cuja pessoa de referência é assalariada, abrangendo a cidade de Uberlândia-MG. A metodologia adotada é a mesma do Sistema Nacional de Índice de Preços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (SNIPC/IBGE). Veja o histórico dos boletins do IPC.

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