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Leia Cientistas

O que é História-Cinema?

Mestrando da UFU responde na seção 'Leia Cientistas'

Publicado em 14/07/2020 às 13:38 - Atualizado em 22/08/2023 às 16:52

 

 

Simone Mareuil em Um Cão Andaluz (Luis Buñuel, 1929) (Imagem: arquivo do pesquisador)

 

Os estudos sobre o Cinema, diante de teóricos como Marcel Martin, David Bordwell, Jacques Aumont, dentre outros, aparenta ter um objetivo central: entender como a estética cinematográfica estimula os afetos dos espectadores. 

O ato de fazer sentir é o ato de fazer pensar. A excitação do aparelho psíquico gera projeções, identificações, idealizações, que são, na síntese dos embates entre Id, Ego, Superego, Caráter e Real, atos históricos. 

O Cinema passou a ser uma fonte para História a partir da década de 1960, já que, na segunda metade do século XX, transformou-se em uma das formas mais importantes de entretenimento de massa, criando novos espaços de comunicação audiovisual, chegando, até mesmo, a penetrar no cotidiano doméstico das famílias, com as televisões [no século XXI, com as plataformas streaming].

Segundo o historiador Alcides Freire Ramos, podemos definir três momentos de contato da História com o Cinema: 1) o “positivista”, onde o Cinema é entendido como um registro objetivo, privilegiando apenas filmes classificados pela crítica como “documentários”; 2) da Escola dos Annales, a partir do historiador Marc Ferro, na década de 1970, onde considerava-se todos os tipos de classificação de filmes, estabelecendo uma “contra-análise da sociedade” [o filme como um produto social]; 3) após a década de 1980, muitos historiadores aproximaram-se da Teoria do Cinema, passou-se a entender o filme como um sujeito-objeto dotado de uma estética, que produz e é produzido por afetos e pensamentos gerados historicamente.

Seria, então, História-Cinema a mesma coisa que História do Cinema? Não. 

A aproximação entre História-Cinema não tem como objetivo central construir uma narrativa cinéfila, descritiva ou apaixonada pela ilusão cinematográfica; pelo contrário: ela tem como intuito realizar a dialética entre arqueologia e teleologia do Cinema, entendendo-o, através da estética, circulação, recepção, como um espaço de comunicação sensível. Portanto, para a História, o Cinema é uma nova fonte, uma fonte audiovisual, que servirá, para embatermos fontes de outras naturezas, realizando o procedimento de crítica histórica, amplificando nossas possibilidades de compreensão e explicação dos fenômenos históricos.

 

*Gabriel Marques Fernandes é graduado em História [Bacharelado e Licenciatura] (UFU – 2019) e Mestrando em História Social pelo Programa de Pós-Graduação do Instituto de História da Universidade Federal de Uberlândia (PPGHI/INHIS/UFU). Compõe a linha “Linguagens, Estética e Hermenêutica”. É membro do Núcleo de Estudos em História Social da Arte e da Cultura (NEHAC) e bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

 

A seção "Leia Cientistas" reúne textos de divulgação científica escritos por pesquisadores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). São produzidos por professores, técnicos e/ou estudantes de diferentes áreas do conhecimento. A publicação é feita pela Divisão de Divulgação Científica da Diretoria de Comunicação Social (Dirco/UFU), mas os textos são de responsabilidade do(s) autor(es) e não representam, necessariamente, a opinião da UFU e/ou da Dirco. Quer enviar seu texto? Acesse: www.comunica.ufu.br/divulgacao. Se você já enviou o seu texto, aguarde que ele deve ser publicado nos próximos dias.

Palavras-chave: Leia Cientistas história cinema História-Cinema

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