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03/09/2020 - 17:53 - Atualizado em 04/09/2020 - 13:47
A natureza de Uberlândia
Na segunda reportagem da série, abordamos as características naturais do município
Por: 
Jhonatan Dias

Município é drenado por três bacias hidrográficas: Bacia do Rio Araguari, do Rio Uberabinha e do Rio Tijuco. (Foto: Marco Cavalcanti)

O meio ambiente é uma parte fundamental para o desenvolvimento das cidades. Por isso, a Universidade Federal de Uberlândia (UFU) tem diversos cursos para a formação de profissionais que atuam no meio ambiente, PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO para investigar e solucionar problemas ambientais por meio das pesquisas, museus e projetos de educação ambiental.

Cachoeira de Miné, próxima ao Distrito de Martinésia. (Foto: Angá)

De acordo com o ATLAS ESCOLAR DE UBERLÂNDIA, as três bacias hidrográficas (região de drenagem de um rio e dos afluentes) presentes no município são as dos rios: Araguari, Tijuco e Uberabinha. Na área urbana, a última é predominante, conforme a imagem abaixo mostra:

Representação das bacias hidrográficas no município de Uberlândia. (Imagem: Atlas Escolar de Uberlândia)

A Associação para a Gestão Socioambiental do Triângulo Mineiro (Angá) realizou, de 2013 a 2015, um amplo estudo referente ao DIAGNÓSTICO AMBIENTAL DA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO UBERABINHA. De acordo com a associação, o estudo foi realizado com o apoio da UFU e teve como objetivo “fornecer subsídios para a conservação, preservação e recuperação de ambientes naturais presentes na bacia e, a partir dos resultados, orientar na proposição de políticas públicas que visem à sustentabilidade da diversidade biológica e dos recursos hídricos.”

“É uma região muito importante para a conservação das aves. Temos um tesouro”, afirma o biólogo Gustavo Bernardino Malacco da Silva, presidente da Angá. No levantamento, os ambientalistas verificaram a presença de espécies endêmicas do Cerrado na região de Uberlândia, como o bacurau-de-rabo-branco (Hydropsalis candicans), e outras aves que migram da Região Sul para escapar do frio.

Vegetação próxima ao Distrito Cruzeiro dos Peixotos. (Foto: Angá)

O relatório destaca alguns motivos de ameaça para os seres vivos da bacia do Rio Uberabinha: “Perda e fragmentação de habitat pela substituição das formações naturais para implantação de empreendimentos hidrelétricos, destruição de áreas úmidas por drenagem ou atividades minerárias, incêndios criminosos, urbanização, degradação de habitat por pastejo e pisoteio pelo gado, perseguição e caça, captura para criação em cativeiro ou comércio de fauna, sobre-exploração e contaminação biológica.”

A professora Rosana Romero, docente do Instituto de Biologia da UFU, explica que no Triângulo Mineiro há duas unidades de conservação estaduais: o Parque Estadual do Pau Furado e o Refúgio de Vida Silvestre dos rios Tijuco e da Prata. Em Uberlândia, existe a Estação Ecológica do Panga e a Reserva Ecológica do Clube Caça e Pesca Itororó de Uberlândia.

No dia a dia urbano, vivemos em um ambiente estressante e que pode ser poluído. É por isso que as áreas verdes são tão importantes para dar um ‘respiro’ da selva de pedra e, como consequência, promovem melhoria na qualidade de vida. Além disso, esses espaços filtram a radiação solar, absorvem parte da poluição gerada por carros e indústrias e são importantes para a infiltração das águas das chuvas.

Rosana Romero: ‘As queimadas na região de Uberlândia acarretam uma diminuição drástica da biodiversidade a cada ano que passa, não havendo tempo para a vegetação se recompor’. (Foto: Milton Santos)

Para impedir a degradação ambiental, a Angá recomenda ações pautadas em pesquisa, licenciamento ambiental e fiscalização, políticas públicas, conservação e educação ambiental. Nesta última, a Universidade Federal de Uberlândia se destaca pelo MUSEU DA BIODIVERSIDADE DO CERRADO, que detém um amplo acervo da biodiversidade do bioma disponível para visitação, além do oferecimento de cursos e palestras que visam à educação para a preservação.

“Políticas de conservação [em Uberlândia] podem melhorar. Os primeiros passos são: estimular a economia verde e recuperar áreas degradadas, principalmente nas áreas de preservação permanente. O município deve se comprometer com o Plano Municipal de Meio Ambiente definindo as áreas que não podem ser desmatadas, criar corredores ecológicos, criar unidades de conservação”, avalia Malacco.

A professora Romero concorda: “O governo local deveria incentivar e ampliar a criação de praças e jardins e facilitar a criação de novas reservas e áreas de proteção ambiental (APAs), uma vez  que o entorno de nossa cidade é bastante alterado devido à exploração agrícola.”

Rio Uberabinha. (Foto: Angá)

 

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