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22/01/2021 - 16:13 - Atualizado em 01/02/2021 - 16:54
Projeto que investiga como a língua se manifesta na fala e escrita é selecionado para estudo no exterior
Pesquisa foi contemplada por fundação espanhola que é referência em estudos ibero-americanos
Por: 
Rodrigo Sousa

 

 Freepik)

(Foto: Freepik)

 

Você já percebeu que o modo como as pessoas se comunicam com pais e amigos é diferente do modo como se expressam em uma entrevista de emprego ou em uma sala de aula, por exemplo?

É sobre gramática e interação dos falantes das línguas espanhola e portuguesa que se trata a investigação de Leandro Araujo, professor do Instituto de Letras da Universidade Federal de Uberlândia (ILEEL/UFU).

O projeto “Normas de la lengua y normas para la lengua: estudios contrastivos sobre comportamientos lingüísticos y metalingüísticos en español y portugués” foi selecionado pela Fundación Carolina para que Araujo possa investigar o tema na Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade de Córdoba, na Espanha.

 

 Facebook/Facultad de Filosofía y Letras UCO)

Visão interna da Facultad de Filosofía y Letras de Córdoba (Reprodução: Facebook/Facultad de Filosofía y Letras UCO)

 

“A ideia é que eu possa aprofundar teoricamente meus estudos ao ter acesso a um grande material bibliográfico nesse percurso de pesquisa que vou fazer em Córdoba. Esse amparo teórico vai me auxiliar a entender como isso acontece, especialmente no par português-espanhol”, comenta.

A proposta da pesquisa acontece junto às atividades do NÚCLEO DE ESTUDOS DA NORMA LINGUÍSTICA (NormaLi), que estuda, além de português e espanhol, outras línguas românicas como francês e italiano. O grupo é credenciado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e é liderado por Araujo.

 arquivo pessoal)

Leandro Araujo (à direita) durante atividade do grupo NormaLi, antes da pandemia de Covid-19. (Foto: Arquivo pessoal)

 

“É um grupo de pesquisas que estuda essa manifestação social, que é como a língua se organiza naturalmente, falando de normas das línguas e normas para as línguas, pois entendemos que, naturalmente, em sociedade, nós organizamos o modo de falar”, explica o professor.

Essas formas de interagir são espontaneamente adquiridas por falantes da língua, mas, por outro lado, existem condutas que buscam levar a interação a um padrão de fala, ou, em outras palavras, a uma norma culta.

“Há atitudes que são políticas, de Estado, que visam à estandardização ou normatização de uma língua. É o que chamo de normas para línguas, que é o interesse de criar um conhecimento sobre a língua, a fim de criar um modelo que sirva para aquela comunidade”, descreve Araujo. Então, existe um choque: entre o que é usado normalmente, na interação em comunidade, e o que é ensinado nas escolas e se propaga na gramática.

O método de execução da pesquisa de Araujo tem três partes. No primeiro momento, é feito um levantamento bibliográfico extenso de gramáticas das línguas observadas, algo que já é realizado nas atividades do NormaLi, compilando dados dos principais centros universitários do Brasil e de outros países lusófonos, como Portugal, Angola e Moçambique.

“No espanhol, a gente fez o mesmo com alguns países hispano-americanos e também na Espanha. Inclusive em bibliotecas brasileiras, por haver acesso mais fácil a esses materiais”, comenta.

Agora, com a oportunidade de investigar as produções na Espanha, o professor tem como objetivo observar de modo geral como as línguas portuguesa e espanhola lidam com essas duas normas, ou seja, como a gramática se aproxima ou se distancia da norma de interação, e como essa aproximação é semelhante ou diferente nas diferentes línguas românicas. Araujo vai permanecer na Espanha entre os meses de abril e junho.

“Primeiro, a gente precisa entender que, de modo geral, a base dessa pesquisa é perceber que a língua é o resultado de uma negociação social, de vínculos sociais. Então, quando você se insere naquela cultura, algumas peças desse quebra-cabeça, que é o funcionamento da linguagem, adquirem novos sentidos”, diz o professor, sobre a oportunidade de investigar as interações no exterior.

No segundo momento da pesquisa, os materiais coletados são analisados individualmente: quem é o autor, de onde ele vem, onde publica, alinhamento teórico. Também é observada a concepção de língua que a gramática da obra analisada assume, para ser possível compilar um banco de dados desses materiais, para encaixá-los em algum tipo de gramática específico.

Com isso, vai ser possível identificar, por meio de elementos linguísticos das comunidades, se as gramáticas definem, ou não, um único modelo de língua. Ou seja, haverá como identificar se no português, por exemplo, há apreço à variação linguística ou há uma norma culta que seja mais próxima da experiência do falante, ou ainda um modelo normativo muito distante da experiência do falante.

Já para a terceira parte do projeto, Araujo explica: “O que imaginamos para a continuidade do projeto é, futuramente, chegar à proposição das gramáticas. Investigar algumas carências que essas gramáticas apontem. É uma pesquisa até a aposentadoria (risos)”.

“Eu vejo esse momento de contato e troca de ideias muito relevante não só para minha formação como docente, mas também para formação de meus orientandos e alunos, e vai nutrir o grupo NormaLi com uma discussão e conhecimento teórico bastante atual na Europa. Além disso, estabelecemos laços com instituições no exterior que tendem a aumentar e contribuir para a internacionalização da nossa universidade”, finaliza.

 

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