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01/06/2021 - 10:34 - Atualizado em 02/06/2021 - 15:59
Estudo inédito traça perfil de pós-graduandos e dificuldades enfrentadas no mestrado e doutorado
Confira os dados do levantamento feito com cerca de 400 estudantes da UFU
Por: 
Diélen Borges

 

Segundo a PROPP/UFU, resultados vão embasar as ações institucionais de apoio aos pós-graduandos (Foto: Freepik)

Uma pesquisa da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) mapeou o perfil de seus estudantes de mestrado e doutorado, o motivo de ingresso nesses cursos e o nível de estresse. O estudo, intitulado “Sofrimento Psíquico na Educação Superior: um olhar sobre estudantes da pós-graduação stricto sensu”, revela que a principal motivação é seguir a carreira acadêmica, mas que a maioria já pensou em deixar o curso devido ao nível de exigência e à dificuldade em conciliar estudo e trabalho.

O levantamento foi solicitado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (PROPP) e desenvolvido pelos docentes Silvia Maria Cintra da Silva (que coordenou o trabalho) e Renata Fabiana Pegoraro, do Instituto de Psicologia, Gilberto José Miranda, da Faculdade de Ciências Contábeis, e Leonardo Barbosa e Silva, do Instituto de Ciências Sociais. Os resultados foram apresentados, em reunião on-line, no dia 19 de maio, aos gestores da PROPP, aos coordenadores dos programas de pós-graduação e aos representantes da Associação dos Pós-Graduandos da UFU. 

O questionário, com mais de 100 questões, foi enviado por e-mail a todos os estudantes dos 53 programas de pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado) da UFU. As perguntas foram respondidas por 426 estudantes, porém, para a análise, foram considerados 374 questionários preenchidos integralmente.

O envio das respostas aconteceu entre novembro de 2019 e março de 2020, período anterior à pandemia de Covid-19. Por isso, segundo a coordenadora do estudo, professora Silvia Silva, uma nova etapa da pesquisa será feita para investigar a situação dos pós-graduandos durante a pandemia.

 

Resultados

“Desejo me tornar docente e gosto muito de ciência e pesquisa”, respondeu um dos estudantes que ingressou na pós-graduação motivado pela carreira acadêmica. Esse foi o motivo com maior número de menções (42%), seguido por qualificação profissional e aumento salarial (19%), por aprofundar conhecimentos (17%), pela pesquisa (12%) e por questões pessoais (4%). “Foi a única opção na época. Não tinham vagas de emprego na minha área", respondeu outro que ingressou na pós por falta de opção (2%).

Depois do ingresso, a maioria enfrenta dificuldades para se manter nos estudos: 59,1% disseram que já pensaram em abandonar o curso. Os principais motivos apontados foram nível de exigência e carga de trabalho acadêmico (24,1%), dificuldade de conciliar trabalho e estudo (21,7%), problemas de saúde física ou mental (19,3%) e dificuldades financeiras (17,9%), entre outros. 

No Brasil, a remuneração de cientistas que desenvolvem suas pesquisas em nível de mestrado e doutorado é feita na forma de bolsas: R$ 1.500 no mestrado e R$ 2.200 no doutorado (consulte todos os valores). Entre os que responderam à pesquisa, a menor parte é bolsista: 44,4%. Questionados se têm outro trabalho além da pós-graduação, 54,3% marcaram que sim.

Com o tempo bastante comprometido com a pós-graduação e/ou outro trabalho, observa-se, na rotina dos pós-graduandos, uma diminuição na participação em atividades culturais. Um exemplo é que 59,6% responderam que diminuiu o número de obras literárias que leram e de filmes a que assistiram após o ingresso no mestrado ou doutorado.

“O adoecimento psíquico na pós-graduação é realidade no Brasil há muito tempo. Sinto que nós somos tratados apenas como números", afirma um dos respondentes, que aponta ainda que os estudantes "são pressionados para produzir" a fim de aumentar a classificação dos programas feita pela  Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

 

Arte: Viviane Aiko

 

Arte: Viviane Aiko

 

Arte: Viviane Aiko

 

 

Encaminhamentos

O pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação, Carlos Henrique de Carvalho, destacou a importância do estudo para embasar as ações institucionais de apoio aos estudantes de mestrado e doutorado. Carvalho prevê que os impactos da pandemia na pós-graduação serão maiores em 2021 do que em 2020. Um exemplo é que, no ano passado, não houve redução no número de defesas, mas agora já se observa mais pedidos de dilação de prazo.

O estudo também apresenta sugestões para enfrentamento do sofrimento psíquico na pós-graduação, como atividades de recepção aos ingressantes no programa (organizadas pela coordenação, colegiado, secretaria e estudantes veteranos) e acompanhamento ao longo do curso, com reuniões semestrais com as turmas. Também foram sugeridos a elaboração de um Guia Acadêmico da Pós-Graduação e o incentivo à participação de alunos em atividades culturais e esportivas.

Para os docentes, os pesquisadores indicaram a necessidade de cuidar da relação entre orientador e orientando, da didática e das formas de avaliação. Foi recomendado, aos programas de pós-graduação, o cuidado com a formação para a docência, com disciplinas específicas para isso.

 

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