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30/06/2021 - 13:06 - Atualizado em 07/07/2021 - 12:34
'Vacina é a atual prioridade número um da pauta de qualquer movimento social consequente'
Membro da chapa reeleita para o comando do Diretório Central dos Estudantes, Max Ziller apresenta, em entrevista, o balanço da última gestão e os planos da entidade para os próximos 12 meses
Por: 
Monallysa Leite

No último dia 13 de junho, foi realizada a eleição do Diretório Central dos Estudantes (DCE), órgão de representação dos alunos da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). O pleito teve duas chapas inscritas e culminou com a reeleição da Chapa 2 - “A gente que lute”, que obteve 861 votos, o equivalente a 79,28% do total. A Chapa 1 - “Lutar e mudar a UFU” somou 225 votos (20,72%). A votação contou com apoio estrutural do Centro de Tecnologia da Informação e Comunicação (CTIC/UFU) e da Faculdade de Computação (Facom/UFU) e ocorreu de forma on-line, com uso do sistema "Helios Voting", o mesmo utilizado na Consulta Eleitoral para a Reitoria da UFU, no ano passado.

Coordenador de Ensino, Pesquisa e Extensão do DCE/UFU na última gestão e agora ocupando a função de coordenador-geral da entidade - além de membro do Diretório Acadêmico da Computação -, Max Pereira Ziller diz que a Chapa 2 foi formada não apenas para dar continuidade ao trabalho desempenhado no mandato passado do diretório, mas de todo o movimento estudantil da UFU. "A maior parte desse movimento é unificada em torno das pautas que são de interesse geral para os discentes da universidade, composta, sobretudo, por pessoas que já participaram ou ainda participam de outras entidades estudantis, como Diretórios Acadêmicos (DA’s) e Atléticas", aponta. Nesta entrevista, concedida após a nova vitória de sua chapa, Ziller aborda questões como o processo eleitoral do DCE, assistência estudantil, ensino remoto, vacinação, olimpíadas virtuais, propostas prioritárias, conquistas, mudanças e desafios para os  12 meses da nova gestão.

Foto: Arquivo pessoal

Portal Comunica - Como você enxerga a contribuição da política estudantil em sua vida e até mesmo na parte acadêmica? Quais são os aprendizados e desafios vivenciados pelos membros do Diretório Central dos Estudantes (DCE)?

Max Pereira Ziller - O impacto que o movimento estudantil teve na minha vida é incalculável. Pude lidar com diversas realidades que são encontradas na sociedade e, muitas vezes, passam despercebidas. O que me motiva sempre é resolver não só o problema que eu estou passando, mas evitar que outras pessoas enfrentem dificuldades desnecessárias. Cada conquista do movimento estudantil, cada estudante que a gente consegue manter na universidade com as políticas que defendemos, cada "pobre" que entra na UFU é uma alegria para nós. Já dizia uma das palavras de ordem mais comuns do movimento estudantil, "o filho do pedreiro vai poder virar doutor".

Eu tive o prazer de vivenciar uma experiência ampla, passando pelo cargo de diretor da União Nacional dos Estudantes (UNE), ajudando um pouco em várias universidades. Inclusive, escolhi o tema do meu Trabalho de Conclusão do Curso (TCC) por conta dessa mudança de visão de mundo que eu tive, pois não queria que a ciência que eu criasse na Computação fosse em vão, mas para resolver problemas da sociedade e devolver minimamente o investimento que é feito na minha formação pelo Estado.

Participar de uma entidade de representação vem com muita cobrança, muito trabalho e praticamente nenhum retorno direto. As dificuldades são inúmeras, porque nós temos o mesmo dia a dia de qualquer outro estudante na UFU. Somos uma geração inteira de primeiros nas nossas famílias a conseguirem entrar numa universidade federal. Então, tudo que aprendemos sobre como funciona o setor público, nosso povo e todas as mudanças que conseguimos para as futuras gerações valem a pena.

 

Qual é a importância dos estudantes se envolverem com os assuntos de política estudantil, saindo do contexto de estarem apenas inseridos em sala de aula? Isso também reflete em participação na sociedade?

A UFU é um órgão público ligado diretamente ao Ministério da Educação e, portanto, é afetada diretamente pela política do governo federal. Política não é algo inalcançável e só de pessoas com terno em Brasília. Nós fazemos política todos os dias. Quando defendemos a proposta da prova substitutiva, por exemplo, não estamos apenas falando sobre uma nova chance para o estudante ser aprovado. Estamos falando sobre um sistema de avaliação que não mede todo o conhecimento, métodos de ensino que não permitem as falhas, sendo que elas são necessárias para o processo de aprendizado e sobre uma política pedagógica que está, hoje, focada apenas em punir o aluno, ao invés de auxiliá-lo ao aprendizado.

Precisamos ter projetos bem determinados para conseguir nossas conquistas a longo prazo. Essa pauta entrou no Conselho de Graduação (Congrad/UFU), em 2017. No ano seguinte, foi criada uma comissão que está reformulando todas as normas de graduação. A pauta foi aprovada dentro desta comissão e, junto com todas as novas normas de graduação, deve ir de volta para o Congrad ainda neste ano, podendo ser votada só em 2022.

 

Como foram realizadas as campanhas e como ocorreu todo o processo eleitoral do DCE? Quais foram as estratégias da chapa “A gente que lute” nesse novo formato, à distância?

Tivemos muita dificuldade de adaptar a campanha ao modo virtual, por uma série de questões. Mesmo a gente já tendo tido o processo de consulta eleitoral para reitor de forma virtual, é muito diferente quando técnicos e docentes também estão envolvidos diretamente, incentivando os estudantes a participarem, e quando precisamos restringir a apenas nós. Presencialmente, isso não é um problema. O histórico de quórum era sempre crescente, pois conseguíamos ir às salas de aula para convocar os discentes para a eleição. Este era o método mais simples para conseguirmos falar com todos os alunos, expor nossas propostas e, mesmo no dia da votação, apresentar a chapa conforme as pessoas passavam pelos saguões onde estava tendo a votação. Remotamente, lidamos com os algoritmos das redes sociais, que tendem a criar bolhas, e investimos muito em fazer campanha pelo WhatsApp, nos grupos dos cursos. Para a parte burocrática e tecnológica da votação pelo “Helios Voting”, contamos com o auxílio da Pró-Reitoria de Assistência Estudantil (Proae), da Pró-Reitoria de Graduação (Prograd), além do pessoal do CTIC e de professores da Facom.

 

Que balanço vocês fazem da votação?

O quórum foi relativamente baixo, principalmente se compararmos com a última eleição, que obteve recorde histórico de votação. A quantidade final de votos foi cerca de 65% do quórum da penúltima eleição do DCE. Porém, se avaliarmos as dificuldades que ocorreram durante a votação, incluindo uma nova regra até então diferente para estas eleições, foi um número de acordo. Pela primeira vez, foi implementada a proibição de campanha durante o dia da votação, ficando restrita a convocação das pessoas a votarem, sem poder nem explicar o porquê do voto em alguma das chapas. Não fazendo juízo de valor sobre isso, apenas apontando o que acontece, percebemos que muitos estudantes só prestam atenção na votação no próprio dia em que ela ocorre. Houve também um problema de que quase nenhum aluno viu uma disputa acontecer. A comissão eleitoral não organizou debates entre as chapas e elas não "coexistiram" em quase nenhum curso. O formato remoto acabou não dando tanta abertura para esse choque de ideias acontecer e pode ter interferido negativamente em uma ampla participação.

 

A eleição do DCE define os 15% das cadeiras nos Conselhos Superiores reservadas aos estudantes. Vocês acreditam que esta continuidade da atuação nos conselhos pode ter motivado a reeleição da chapa? Quais outros possíveis quesitos podem ter contribuído para tal?

Sim, acreditamos que nossa participação nos Conselhos Superiores pode ter nos ajudado eleitoralmente, principalmente quando pautas polêmicas chegam a estes espaços e muita gente presta atenção no que acontece por lá. Em nossa gestão, passamos pela votação do "Future-se" [projeto de lei apresentado pelo Ministério da Educação], questões da pandemia e criação do ensino remoto. Sobretudo neste último, acreditamos, inclusive, que tivemos papel importantíssimo, pois, antes mesmo da reunião do Conselho de Graduação acontecer, montamos uma carta-proposta do DCE com assinatura de mais de 80% dos diretórios acadêmicos e nossas ideias basicamente embasaram a maioria das decisões do Congrad.

 

Vocês afirmam ser a única chapa com membros em todos os campi e presente em mais de 50 cursos. Como foram escolhidos estes representantes? Quais cursos fazem parte da Chapa 2 e quem os representa?

A maior parte desse movimento é unificada em torno das pautas que são de interesse geral para os discentes da universidade, composta, sobretudo, por pessoas que já participaram ou ainda participam de outras entidades estudantis, como Diretórios Acadêmicos (DA’s) e Atléticas. A escolha dos representantes é basicamente feita com o pré-requisito de querer participar. Construímos uma gestão ampla que quer dialogar com todo perfil de estudante e não há limite máximo de membros. Na montagem da chapa, mandamos mensagem para todos que possam se interessar. Algumas pessoas estranham chapas com muitos membros, mas, se pensarmos que só para a participação nos Conselhos Superiores precisamos ter mais de 50 pessoas diferentes, sem contar as inúmeras comissões e todos os outros espaços em que precisamos estar presentes, o operacional interno da entidade e todas as ações que temos que fazer, 100 pessoas tende a ficar desproporcional. Quem quer conhecer os representantes do seu curso no DCE pode encontrar esta informação na página da chapa "A Gente que Lute" no Instagram

 

Na sua opinião, o que pode ser apontado como maior realização do DCE/UFU na última gestão - que terminaria no ano passado, mas foi prorrogada, em virtude da pandemia?

Ninguém esperava a pandemia, tampouco que fosse se prolongar. Começamos os estudos sobre como outras universidades estavam implementando o ensino remoto, analisando práticas que não seriam bacanas de reproduzir. Dentre várias ideias, conseguimos unificar o movimento estudantil da UFU em torno da nossa proposta, que incluía bolsas para estudantes de baixa renda terem tanto os equipamentos quanto renda para custos com a internet, limitações quanto às aulas de laboratórios que não pudessem ser feitas de forma remota e o caráter voluntário de adesão às aulas, por exemplo. As Atividades Acadêmicas Remotas Emergenciais (AARE) na UFU foram desenvolvidas com base na nossa proposta, permitindo que as atividades de ensino continuassem, estudantes se formassem e, ao mesmo tempo, garantindo a inclusão dos estudantes de baixa renda. Temos muito orgulho do trabalho que realizamos.

 

Quais são as principais propostas para este novo mandato?Pretendemos continuar muito do que já estávamos trabalhando, mas também há propostas novas. Planejamos dialogar, por exemplo, sobre a criação de uma bolsa específica para tratamento psicológico, já que a Divisão de Saúde (Disau) não possui psicólogos o suficiente para atender a alta demanda e o Sistema Único de Saúde (SUS) está sobrecarregado. A vida acadêmica, às vezes, mexe com a gente, e, com a pandemia, os índices de problemas com a saúde mental subiram. Tendo como exemplo a bolsa moradia, que, apesar de termos a moradia estudantil funcionando, esta primeira serve como uma outra opção, já que não há vaga para todos.

 

Por favor, aponte os projetos prioritários...

De imediato, temos problemas quanto à vacinação dos estagiários da Saúde. São estudantes que estão, de acordo com o Plano Nacional de Vacinação, na primeira faixa para vacinar, pois estão, de fato, trabalhando na linha de frente do combate à Covid-19. No entanto, a Prefeitura de Uberlândia escolheu não seguir a norma nacional, deixando os estagiários de fora. A vacina é prioridade número um da pauta de qualquer movimento social consequente hoje e não seria diferente com a gente, pois só voltaremos às atividades presenciais com a ampla imunização. Outra prioridade nossa é a defesa de uma bolsa emergencial para os estudantes cujas rendas foram afetadas pela pandemia. Todo o país está sendo prejudicado frente à péssima gestão da Saúde Pública nesse período, atingindo mais de meio milhão de mortos. Dentre estes, estão, infelizmente, familiares de colegas nossos que podem ter, do dia para noite, não só perdido alguém que amam muito, mas que também era o responsável pela gestão financeira. Outros estudantes podem ter, inclusive, perdido o próprio emprego, por conta do momento atual de crise gerada pela pandemia. Nossa defesa é que quem está nessa situação emergencial seja amparado pela assistência estudantil.

 

Já está sendo executado algo neste momento? Caso sim, poderia falar sobre?

Estamos usando as férias acadêmicas para nos organizarmos internamente. Já tivemos o calendário especial para a Odontologia aprovado no Conselho de Graduação e, em breve, teremos um referente ao curso de Enfermagem. Ajudaremos a organizar em Uberlândia os atos defendendo o mote “Vida, Pão, Vacina e Educação”. Atos convocados pela União Nacional dos Estudantes (UNE) e outros movimentos sociais também estão na nossa agenda.Tudo isso já estava acontecendo e nos inserimos enquanto nova gestão, tão logo fomos empossados.

 

Uma das propostas mencionadas pela Chapa 2 é que o retorno das aulas presenciais somente aconteceria com a ampla vacinação da comunidade acadêmica. O que se tem discutido sobre essa questão? Há algum calendário prévio ou possível retorno antes dessa vacinação ocorrer?

Infelizmente, não é possível ter um calendário prévio, pois depende de muitos fatores. Não podemos considerar a vacinação só em Uberlândia, pois há estudantes e servidores morando no Brasil inteiro. O DCE participa do Comitê de Monitoramento à Covid-19 na UFU, espaço onde são avaliadas as ações da universidade e, a cada semestre, é analisada a possibilidade ou não de retorno. Hoje, estamos numa situação epidemiológica pior do que a de quando paralisamos. Não há como voltarmos às aulas presenciais agora e fingirmos que nada está acontecendo, pois colocaríamos nossas vidas e as dos nossos entes queridos em risco. Este novo semestre letivo [2020/2, com início em 12/07] seguirá no mesmo formato que o anterior e, em alguns meses, a discussão será retomada para analisarmos sobre o próximo semestre [2021/1, com início em 29/11].

 

O "Agita UFU" está sendo preparado como um pontapé inicial para as Olimpíadas Virtuais, que remetem às conhecidas Olimpíadas Universitárias, sendo essa primeira uma das propostas da Chapa 2, com a possível realização do esporte universitário em casa. Você poderia explicar melhor essa ideia? Há algum planejamento de atividades em andamento ou formas de realização do evento?

A Divisão de Esporte e Lazer Universitário (Diesu) já está organizando as olimpíadas de forma virtual. Então, pretendemos divulgar e apoiar o evento como for possível e necessário para a organização, mas não fazer uma competição em paralelo, pois isso só atrapalharia o calendário já em andamento. O calendário das atléticas costumava estar muito cheio e agora, com a pandemia, parou bruscamente. Caso o próximo semestre letivo, pós-olimpíadas, se mantenha remoto, chamaremos as atléticas para um diálogo e não as deixaremos com um calendário sem atividades. Eu sou ex-dirigente da Atlética da Computação; quero aproveitar este momento para sugerir o e-sports como modalidade, puxando para o leve bairrismo que a competição desportiva permite, aproveitando de que a competição só pode ser em algo em que a minha atlética é forte.

 

Há dicas para quem quer fazer parte do DCE?

A primeira coisa a fazer é procurar a representação do seu curso. Como o DCE é uma entidade ampla, o Diretório Acadêmico (DA) ou Centro Acadêmico (CA) é quem representa o curso. Porém, muitos DA’s estão com dificuldade de contar com membros suficientes para cumprirem as tarefas, nessa época de isolamento social. Sem o funcionamento das sedes e o dia a dia da universidade, percebemos que muitas entidades estudantis ficaram fragilizadas organizacionalmente. O DCE precisa que os DA’s estejam fortes. Trabalhamos muito para isso, pois é deles que recebemos as demandas específicas dos cursos e montamos um panorama geral da universidade.

 

Quando e como ocorrem as inscrições para fazer parte do DCE?

As inscrições para participar do DCE são as inscrições de chapa, mas, durante a nossa gestão, temos liberdade para incluir gente nova que queira ajudar. Duas estudantes, sendo uma do curso de Engenharia Ambiental e outra de Odontologia, se juntaram ao nosso grupo mesmo depois da eleição. Há muito trabalho; então, quanto mais gente interessada em ajudar, melhor. Basta mandar mensagem para a gente, que conversamos. Aproveitando a oportunidade, fica o convite para que os alunos da UFU conheçam as propostas da nossa chapa. Basta acessar o seguinte link: https://linktr.ee/DCEagentequelute.

 

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