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12/07/2021 - 13:24 - Atualizado em 15/07/2021 - 17:13
Tempos de isolamento social, mas também de busca pela proximidade com a sociedade
Segunda reportagem da série em celebração à primeira década do curso de Dança da UFU fala sobre a atual estrutura deste bacharelado, seus projetos e a adaptação das disciplinas ao formato remoto
Por: 
Portal Comunica
Por: 
Gabriel Caixeta e Monallysa Leite

Em um panorama geral na área da Dança, existem atualmente 34 trinta instituições brasileiras que ofertam 49 cursos, entre bacharelado, licenciatura e tecnólogo superior. Neste contexto, a Universidade Federal de Uberlândia (UFU) oferece, desde 2011, uma graduação que se concentra no bacharelado, com foco na criação, produção e pesquisa artística.

Espetáculo 'Dispositivo Coreográfico', realizado em 2019. | Foto: Reprodução

Ocupando a coordenação pedagógica do curso, o professor Vanilto Alves de Freitas explica que, para executar essa proposta, o currículo é desenhado com conteúdos específicos da área da dança somados aos de outras áreas: "Como é o caso da área de Biologia, que inclui Anatomia, Cinesiologia, Biomecânica - presentes nas disciplinas de educação somática -, outras de Ciências Humanas, como Estética, História da Arte, Filosofia, Sociologia e Antropologia. Há também conteúdos técnicos comuns em outros cursos de arte, como Iluminação, Cenografia, Caracterização e Produção, além de conhecimentos próprios de outras áreas artísticas, a exemplo de Música e Teatro, como Voz; e, por fim, as específicas da dança, como aulas de técnica corporal, improvisação e concepção coreográfica."

A formação propõe componentes curriculares que colocam os estudantes em contato com experiências de criação em dança, de conhecimento sobre diferentes abordagens corporais, além de perspectivas históricas sobre a dança. Alexandre Molina, que também integra o corpo docente, comenta que, durante a formação, os estudantes também são orientados sobre os modos de gestão e produção cultural e discutem formas de organização de suas futuras carreiras profissionais. “Com isso, o bacharel em Dança poderá atuar como bailarino, coreógrafo, diretor de espetáculos, preparador corporal, produtor e executor de projetos artísticos e culturais, dentre outros”, destaca. Essas mesmas atividades podem estar conectadas a outras repartições, como figurino, cenografia, música, iluminação e videomaker, a depender das características do projeto desenvolvido.

Em sintonia com um pensamento contemporâneo de arte, corpo, cultura e tradição, o curso de Dança da UFU pretende capacitar o egresso para o exercício da criação em dança, da sensibilidade artística e do pensamento reflexivo. Molina ressalta que, na proposta acadêmica, “o curso possibilita ao aluno desenvolver sua arte de modo muito particular; ao reconhecer as práticas profissionais anteriores de seus discentes, procura complementar seu processo de formação, além de incentivar e possibilitar sua participação em grupos de pesquisas e em ações de extensão.”

Segundo Freitas, o curso nesse momento possui um grande desafio, que é a reformulação do currículo. Portanto, a carga horária deve ser preenchida por conteúdos extensionistas, assim como prevê a legislação. “Será um desafio, mas também será uma oportunidade, um momento de mudança e expansão do curso, buscando maior proximidade com a sociedade uberlandense, a região e o país”, afirma o coordenador. Ainda de acordo com ele, será analisada uma possível elaboração de um currículo que seja capaz de dialogar com a formação e as pesquisas do atual corpo docente, “que, apesar de jovem, possui muita experiência na universidade e no ambiente da dança fora da universidade”, reitera.

 

Projetos em execução

  • Paralela: essa plataforma de arte é um projeto de extensão do curso de Dança da UFU, coordenado pelo professor Alexandre Molina e, desde 2015, configura-se como um ambiente que reúne ações de formação e difusão em dança e performance na cidade de Uberlândia (MG). De periodicidade anual, a Paralela oferta oficinas, cursos e residências artísticas, além da seleção de trabalhos artísticos por meio de convocatória. O evento conta, ainda, com lançamento de livros, palestras e exibição de filmes. Para conhecer mais sobre o projeto, basta acessar seu site neste LINK;
  • Programa de extensão do Laboratório de Investigação Corporal (Licor): vem congregando ações extensionistas desde 2019, sob direção de seus coordenadores de laboratório. Dentre as ações que compuseram o programa, podem ser destacados o Cine Dança; Jam sessions - encontros de improvisação em dança -; aulas de alongamento, yoga e tai chi chuan; Diálogos e Conversas sobre Dança, entre outros. Já passaram pela coordenação do laboratório e do Programa Licor, os professores Vanilton Lakka, Patrícia Chavarelli, Daniella Aguiar; atualmente, a coordenação está a cargo da professora Vivian Barbosa;
  • Substantivo Coletivo: é um grupo artístico vinculado ao Núcleo de Estudos em Improvisação em Dança da UFU (Neid), que tem como objetivo a produção de trabalhos no campo da Improvisação em Dança. É composto por artistas de diferentes formações, que buscam verticalizar seus estudos sobre a improvisação em dança e articular seus estudos com campos como os das poéticas e técnicas de criação artísticas, das dramaturgias, das imagens, das sonoridades, dos corpoespaços, das culturas brasileiras, entre tantos outros. A coordenação do projeto está sob responsabilidade do professor Jarbas Siqueira Ramos;
  • Provisório Corpo Grupo de Dança: é um projeto de extensão coordenado pelo professor Ricardo Alvarenga, desde 2017. Ao longo de sua trajetória, o grupo já desenvolveu os espetáculos "Dispositivo Coreográfico” e “Raqueadas do Cyberole”. O grupo conta com a participação de artistas vinculados aos diversos cursos da UFU e da comunidade externa.

Espetáculo 'Dispositivo Coreográfico' | Foto: Olivia Franco/ Moviola Mídia Livre

  • Sala Aberta: é um evento de caráter artístico-cultural, realizado anualmente, desde 2015, organizado pelo curso de graduação em Dança da UFU e que tem como objetivo ser um espaço de formação artística para discentes, docente e técnicos da instituição, completando o ciclo entre ensino, pesquisa e extensão, fundamental para a formação acadêmica. “Ao compartilhar as nossas atividades e produções, temos o interesse de criar redes de afetos entre a comunidade interna do curso de Dança e a comunidade externa à UFU”, acrescenta Molina. O evento tem ganhado grandes proporções nos últimos anos e vem ultrapassando os limites da universidade, ocupando outros espaços do município.

Na comemoração da primeira década do curso de Dança, haverá uma edição especial do Sala Aberta, que acontecerá entre os dias 18 e 23 de outubro, de forma remota. A organização está por conta de uma comissão formada por estudantes, docentes e técnicos do curso, sob a coordenação do professor Alexandre Molina e da professora Camila Soares. Assim, nos seis dias de evento, serão realizadas ações como: oficinas, rodas de conversa, apresentações artísticas e lives. A intenção do evento é garantir a participação tanto da comunidade universitária da UFU, bem como da externa à universidade.

 

Distanciamento e Covid-19

O curso de Dança, assim como todos os outros ofertados pela UFU, também teve que se adaptar ao formato remoto, devido à pandemia da Covid-19. Mas como trabalhar essa arte, que é tradicionalmente da presença? O professor Vanilto Alves de Freitas aponta proximidade da dança com as novas tecnologias para responder a esta pergunta: “A dança possui um histórico de proximidade com tecnologias de comunicação, como o vídeo, a fotografia e desdobramentos destes com a proximidade com a internet, gerando usos e formatos como GIFs, foto-performance, videodança, dança-cinema, videoinstalação, performance, videoclipe e danças feitas em redes sociais. Devido a esse histórico, o atual currículo possui um componente curricular obrigatório denominado 'Dança e Novas Tecnologias' e outro optativo, denominado 'Tópicos Especiais em Dança e Novas Tecnologias'; ambos foram oferecidos nas Atividades Acadêmicas Remotas Emergenciais (AAREs), no segundo semestre de 2020, e continuam sendo ofertados nos períodos regulares de forma remota.”

Segundo Freitas, a coordenação do curso realizou uma avaliação sobre a viabilidade das aulas remotas para cada componente curricular, que praticamente foi todo ofertado nos períodos regulares que acontecem a distância. Entretanto, ele pondera que "a dança é uma arte da convivência, seja em trabalhos coletivos ou em trabalhos solo, com um coletivo de produção para viabilizar as criações". Nesse sentido, para Freitas, a maior dificuldade enfrentada neste período se dá na possibilidade da elaboração coletiva dos trabalhos.

“Talvez o maior empecilho nesse momento esteja na exclusão digital no país, seja de equipamentos como computador e dados, e os espaços domésticos para a prática da dança com segurança. Por conta disso, tem sido um desafio a manutenção de processos de criação de forma remota, mas temos ultrapassado as dificuldades, seja utilizando conhecimentos já acumulados por artistas, produtores e professores, seja criando novos procedimentos, novas maneiras de criar e existir”, argumenta.

Mesmo com as dificuldades que surgem durante o novo método de aula, o coordenador garante que todos os procedimentos de segurança necessários para a prevenção à Covid-19 são levados à risca pelo curso, considerando as peculiaridades da dança, como o tipo de respiração e o contato físico entre os estudantes. Por isso, a retomada das aulas presenciais só vai poder acontecer em um ambiente seguro.

"Assim como todos os demais da UFU, o curso de Dança, juntamente com o Iarte, possuem um Comitê de Biossegurança. Em diálogo com o Comitê de Biossegurança da UFU, foi elaborado um plano que prevê a retomada do ensino presencial, paulatinamente, usando recursos como o ensino híbrido, a ocupação parcial das salas e continuidade do uso de plataformas virtuais, até que seja possível o retorno total do ensino presencial; sempre considerando a segurança dos discentes, docentes e familiares e o nível de contaminação na região”, aponta Vanilto Alves de Freitas.

 

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