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06/10/2021 - 01:24 - Atualizado em 06/10/2021 - 12:42
Linguafro recebe inscrições de candidatos autodeclarados pretos ou pardos para cursos de língua estrangeira
Período para se candidatar às vagas nas turmas dos idiomas Inglês, Espanhol ou Francês termina em 09/10; cursos são destinados a acadêmicos da UFU ou alunos do Ensino Médio de duas escolas estaduais
Por: 
Henrique Rodrigues

O projeto de ensino de idiomas afirmativos LINGUAFRO abre o período de incrições, até o próximo sábado (09/10), para alunos autodeclarados pretos ou pardos ingressarem nos cursos gratuitos de língua estrangeira do nível A1. Todas as aulas são realizadas de forma remota, por meio do Google Meet, durante 10 semanas, a partir de 11/10. O material didático inclui temáticas que trabalham contextos ligados às populações negras, seja na África ou na diáspora, com o objetivo de desestrangeirizar o estudo dos idiomas. Para participar, é preciso selecionar o nível desejado do idioma e preencher os dados solicitados no link disponível no perfil do curso no Instagram.

No curso de Inglês, há oito turmas, enquanto os de Espanhol e Francês possuem quatro cada um. Todas elas oferecem 20 vagas, que podem ser ocupadas por estudantes matriculados no Ensino Médio na Escola Estadual do Parque São Jorge ou na Escola Estadual Teotônio Vilela, bem como por estudantes de gradução ou pós-graduação da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). As vagas que sobrarem das turmas destinadas aos alunos das escolas mencionadas poderão ser ocupadas por estudantes do mesmo período estudantil de outras instituições.

No LINGUAFRO, também participam bolsistas e professores de diferentes estados. (Arte: LINGUAFRO/Divulgação)

De acordo com a coordenadora executiva do LINGUAFRO, professora Nícea Amaro, os cursos mostram aos alunos a realidade de países que falam as mesmas línguas das colônias, mas não são abordados na maioria das escolas de linguagem. "A gente joga esse olhar sobre esse países que são periféricos, negros, e que falam Inglês e sobre a cultura deles também, para tentar dizer que é uma língua falada em todos esses lugares, e não só nas grandes colônias. Nós fazemos essa mesma dinâmica quando vamos trabalhar com o Francês e o Espanhol também", afirma. "Normalmente, no curso de línguas tem uma aula sobre o dinheiro, mas fala em uma perspectiva bastante colonial, do dólar dos Estados Unidos ou da libra, mas não vai cita, por exemplo, a moeda utilizada na Jamaica e na África do Sul, países que têm a população majoritariamente negra", exemplifica Amaro.

Os cursos de idiomas afirmativos foram criados em 2018 e idealizados no âmbito do Coletivo de Estudo e Pesquisa em Poéticas Afrolatinoamericanas e Educação para as Relações Étnicos-raciais, YALODÊ - GEPLAFRIO, em função dos resultados dos alunos no processo seletivo do Programa de Desenvolvimento Acadêmico Abdias Nascimento em Língua Inglesa, promovido em 2017. Nele, foi verificado que estudantes pretos e pardos não aproveitaram o acesso ao ensino-aprendizagem de línguas estrangeiras ao longo de sua escolarização, já que não alcançaram, em sua maioria, maior nível de competência linguística do que aquele alcançado por estudantes que tivessem cursado o referente ao nível A1, o primeiro grau de Inglês do Quadro Europeu Comum de Referências para Línguas (CEFR). 

Em relação às contribuições dos cursos, a coordenadora afirma que tornaram os alunos mais críticos em relação aos conteúdos lecionados na escola, independente da disciplicina, porque passam a perceber um pouco mais sobre a colonialidade que está presente no dia a dia e conseguem dialogar com o professor, para que ele também tenha um olhar mais diverso sobre a história e a cultura que são apresentadas nas aulas e nas escolas. Já no contexto universitário, ela diz perceber que os alunos começaram a ficar mais proativos e com uma confiança maior para conversar ou desenvolver as atividades acadêmicas.

O LINGUAFRO é uma atividade de extensão que possui apoio do Instituto de Letras e Linguística (Ileel/UFU) e se constitui como um espaço alternativo para a formação de professores. Isso porque promove o acesso à discussão da educação para as relações étnico-raciais, propicia o pensamento crítico-reflexivo sobre a descolonização do currículo para o ensino de línguas, a promoção da difusão de representações afirmativas para a população e a comunidade negra no mundo diaspórico por intermédio das línguas. Com isso, o projeto contribui com a formação de futuros quadros de pesquisadores e docentes pretos e pardos em diferentes áreas do conhecimento e representa um espaço de acolhimento e organização para os estudantes pretos e pardos.

 

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