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08/11/2021 - 12:55 - Atualizado em 08/11/2021 - 12:58
Em afetos: uma análise sobre os (re)afetamentos nas aulas de Educação e Sociedade
Graduanda em Ciências Biológicas escreve na seção Leia Cientistas
Por: 
Portal Comunica UFU
Por: 
Maria Eduarda dos Santos*

 

Pintura O Grito, de Edvard Munch (1983) - Imagens Públicas (Arquivo enviado pela pesquisadora)

Afeto é uma palavra utilizada cotidianamente na cultura popular para nomear uma espécie de afeiçoamento, carinho e amor, que se cultiva em relação a algo ou alguém. Contudo, apesar de o afeto ser um sentimento (quando compartilhado socialmente), terminologicamente ele se refere à capacidade de receber, ser afetado ou perceber passivamente o que o outro nos diz ou oferece.

Há, ainda, uma outra característica atribuída ao afeto, o seu antônimo, ou seja, o desafeto. Ela diz respeito a esquemas de indiferença, redução ou de anestesia desenvolvidos pelas pessoas que querem se proteger dos afetos do mundo. São os afetos que nos caracterizam enquanto espécie, porém, eles dependem do outro, para adquirirem um sentido social compartilhado.

É na sala de aula, local dotado de indivíduos que possuem a capacidade de receber, notar e perceber passivamente aquilo que os outros nos dizem, que os afetos recebidos, notados e percebidos ao longo da trajetória de vida dessas pessoas se encontram. É nela, também, que esses afetos captados em contextos sociais, econômicos, políticos e em tempos diferentes, quando compartilhados, são transformados em sentimentos e adquirem um sentido social.

No ato de educar, ao afeto é atribuída uma nuance especial, pois quando uma pessoa percebe, a partir do dizer do outro, um afeto diferente do seu em relação a um contexto, situação ou conteúdo curricular ocorre uma percepção ativa diferente daquele afeto previamente estabelecido, uma mudança de afeto ou um re-afetamento.

No ensino remoto, a capacidade de receber, ser afetado ou perceber passivamente o que o outro nos diz ou oferece, durante o processo educacional, foi interposta por uma variável terceira: a tela, seja ela do computador ou celular, utilizada para viabilizar com segurança as aulas de Educação e Sociedade, do Instituto de Biologia, da Universidade Federal de Uberlândia, durante a pandemia de covid-19. Nesse contexto, como perceber o estabelecimento dos afetos e re-afetos?

É por meio dos dizeres e escutas dos estudantes envolvidos no ato de educar que os afetos podem ser percebidos e em relato descritos e analisados. Por exemplo, nas falas, os afetos recebidos durante a educação básica revelaram a capacidade, muitas vezes deixada de lado pelo corpo estudantil e família, que as relações sociais estabelecidas no âmbito da escola têm de nos afetar.

Em algumas narrativas foi possível perceber, ainda, aqueles afetos enquanto sentimento social compartilhado, que caracterizam a entrada na universidade como via de ascensão social ou a anestesia do afeto causada por esse enquanto sentimento, disposta em outras, revelando a capacidade do afeto de desencadear uma reação ou imobilização do sujeito quando o domina e o inclui no coletivo.

Já os re-afetos foram percebidos nas falas que contemplam o outro, explicitando empatia, um tipo de afeto especial, enfatizando a possibilidade que um afeto tem de mostrar outras perspectivas não sabidas sobre nós ou de readaptar as conhecidas.

Ressalta-se que a fala e a escuta são essenciais para a percepção, recebimento, afetamento e re-afetamento das narrativas construídas durante as aulas, sendo necessário, para isso, pensar em uma educação que acontece por meio das questões que se interpõe ao processo de ensino e aprendizagem, em especial os afetos.

 

*Maria Eduarda dos Santos, graduanda em Ciências Biológicas (licenciatura) na Universidade Federal de Uberlândia.

 

A seção "Leia Cientistas" reúne textos de divulgação científica escritos por pesquisadores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). São produzidos por professores, técnicos e/ou estudantes de diferentes áreas do conhecimento. A publicação é feita pela Divisão de Divulgação Científica da Diretoria de Comunicação Social (Dirco/UFU), mas os textos são de responsabilidade do(s) autor(es) e não representam, necessariamente, a opinião da UFU e/ou da Dirco. Quer enviar seu texto? Acesse: www.comunica.ufu.br/divulgacao. Se você já enviou o seu texto, aguarde que ele deve ser publicado nos próximos dias.

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