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22/11/2021 - 17:54 - Atualizado em 25/11/2021 - 19:01
Produção de manga é destaque em fazenda experimental da UFU
Local é aberto para pessoas interessadas em iniciar pesquisas e realizar visitações agendadas
Por: 
Matheus Minuncio

O mangueiral, que possui 26 anos, é um dos destaques da Fazenda Experimental Água Limpa da Universidade Federal de Uberlândia com suas diferentes variedades, como Van Dyke, Keity, Kent, Haden, Tomiati e Palmer (Foto: Milton Santos)

A Universidade Federal de Uberlândia (UFU) conta com três fazendas experimentais: Água Limpa, Capim Branco e Glória, além da Reserva Ecológica do Panga. Diversos cursos, principalmente da área de agrárias e biológicas, inclusive dos campi fora de sede e até de outras instituições, utilizam esses locais como um laboratório ao ar livre para a prática do ensino, pesquisa e extensão. A Fazenda Experimental Água Limpa, que já foi tema de um episódio do “Tour pela UFU” no “canal da UFU” no YouTube, está localizada na rodovia estadual MGC-455 (Uberlândia – MG) em uma área de 62 alqueires.

A fruticultura é o principal ramo da agricultura trabalhado na Fazenda Experimental Água Limpa. Paulo Roberto Bernardes, que atuou como auxiliar no setor de fruticultura no Instituto de Ciências Agrárias (Iciag/UFU) e participou do plantio do mangueiral instalado em 19 de março de 1995, comenta que o objetivo é realizar experimentos com as diferentes variedades. “O objetivo era testar. Era colocar aluno de graduação e pós-graduação para fazer experimentação”, comenta.

Os experimentos na área da fruticultura, principalmente nas análises da produtividade em diferentes solos e regiões, são caracterizados por serem de grande duração. “Uma coisa que tá indo bem aqui, pode não estar indo bem na fazenda do Glória, que é outro tipo de solo”, exemplifica Bernardes. Além disso, as pessoas interessadas em iniciar pesquisas devem se atentar ao tempo necessário para realizá-las. “Quando a gente faz um experimento de longa duração, geralmente colocamos aluno de doutorado ou mestrado; ou quando é um aluno de bacharelado que já tem intenção de continuar o mestrado, porque você começa a colher resultado a partir do quinto ano. Se não, você vai colocar um aluno de graduação e quando ele estiver formando, ainda não terá os resultados”, elucida.

O solo da Fazenda Experimental Água Limpa na localidade do mangueiral, segundo Paulo Roberto Bernardes, é caracterizado como lato solo vermelho-amarelo arenoso, composto por 78% areia, 17% argila e 5% silte - fragmento de mineral ou rocha menor do que areia fina e maior do que argila (Foto: Milton Santos)

Segundo Bernardes, boa parte da manga que é consumida na Europa e nos Estados Unidos vem do Brasil, e um dos objetivos do plantio é justamente mostrar a capacidade de produção do fruto tropical na região do cerrado. “No acompanhamento você tenta olhar tudo o que pode olhar, no ponto de vista de produtividade ou da eficiência agronômica da espécie. Você pode desenvolver um punhado de pesquisas: pode ver a adaptabilidade, produção, quais são as principais doenças e pragas, resposta à fertilização e adubação, e resposta à irrigação”, reitera.

Em termos de produção frutífera para a UFU e para Minas Gerais, têm-se um polo de citros na região de Frutal, mas nenhum produzindo manga, conforme o ex-funcionário da UFU, que aproveita para complementar o porquê do destaque para a produção de manga: “A importância é abrir um leque para os produtores agrícolas, porque a manga em qualquer situação é uma das frutas mais acessíveis para o consumidor e riquíssima em termos de vitaminas, sais minerais e fibras. Além de que você tem uma fruta que compete do ponto de vista econômico. Ela é uma fruteira de importância econômica e social, mundial”.

A finalidade, após a experimentação e colheita, é a produção de polpa na fábrica da Fazenda Experimental Água Limpa (com capacidade de armazenamento de 120 toneladas), que serve para a comercialização (com valores revertidos para manutenção do local) e alimentação dos funcionários da fazenda, dos restaurantes universitários (RUs) e do Hospital de Clínicas (HC-UFU). “Justamente pelo fato da gente não usar defensivo agrícola, a gente colhe no ponto de verdosa, o ponto que ela não está madura, mas está granada. A gente leva para a estufa e faz o tratamento para ela madurar na estufa, principalmente para não pegar pragas e doenças”, informa Bernardes. Para ver se o fruto está maduro, o especialista recomenda observar o brilho natural da fruta. “Esse negócio de chegar e apalpar para ver está mole você está machucando o fruto, você acaba rompendo toda a linha de fibras e ofendendo o fruto que está verde ainda”, explica.

Francisco Célio de Assis, que é um dos 16 funcionários da Fazenda Experimental Água Limpa, atua no local desde 18 de setembro de 1997, quando começou sua atuação por meio de um convite de Paulo Roberto Bernardes (Foto: Milton Santos)

As fazendas experimentais são abertas para as pessoas interessadas em iniciar pesquisas e realizar visitações agendadas: “Você pode desenvolver muita pesquisa aqui. É aberto para os alunos, inclusive de outras instituições. Tem gente do Instituto Federal [do Triângulo Mineiro] e até de produção de alimentos de fora. Então, é aberto para a comunidade”, finaliza Bernardes. Para isso, é possível entrar em contato com Maurício Martins (mauricio.martins@ufu.br), o diretor da Fazenda Experimental Água Limpa, que atua junto a Francisco Célio de Assis, o auxiliar administrativo responsável pela condução dos trabalhos na fazenda. Assis relembra como foi todo o processo de modernização do local, a partir de uma iniciativa do professor Berildo de Melo, que atualmente propicia um melhor espaço para as pesquisas científicas e visitações: “As coisas foram melhorando com o projeto da fábrica de suco, a construção de cinco quilômetros de rede trifásica, a compra de implementos agrícolas e a modernização das máquinas. Para o futuro, a gente espera que venha outros projetos para melhorias”, conclui.

 

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