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21/06/2022 - 19:50 - Atualizado em 24/06/2022 - 08:26
UFU pesquisa como utilizar pó de basalto na agricultura
Finalidade dos estudos, realizados em parceria com a Prefeitura de Uberlândia, é elaborar boletim de recomendações para agricultores e fornecedores do insumo que melhora a estruturação do solo
Por: 
Marco Cavalcanti

Na fazenda Água Limpa estão sendo feitas pesquisas com feijão, maracujá e milho. (Foto: Acervo da pesquisadora)

Pesquisas que estão sendo desenvolvidas na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), em parceria com a Prefeitura Municipal de Uberlândia (PMU), com pó de basalto — um tipo de rocha — são etapas essenciais para amenizar dois problemas que vêm tirando o sono da maioria dos agricultores brasileiros: o custo crescente dos fertilizantes e o risco de desabastecimento do produto.

O objetivo dos estudos da UFU é definir como utilizar o pó de basalto de maneira apropriada na preparação do solo para o desenvolvimento de determinado vegetal. As conclusões servirão de base para a elaboração de um boletim de recomendação que será útil tanto para produtores rurais quanto para fornecedores do insumo.

O pó de basalto, como outros pós de rocha, já é utilizado desde a Idade Antiga, afirma Adriane de Andrade Silva, docente do Instituto de Ciências Agrárias (Iciag/UFU) e coordenadora das pesquisas na universidade.

“E a rocha basáltica não é a primeira rocha de grande importância para a nossa agricultura. Porém, ela era mais utilizada como insumo dentro da agricultura orgânica. O agronegócio, de maneira geral, pela facilidade e disponibilidade dos fertilizantes solúveis, não dava tanta importância para o papel dos pós de rocha para melhorar a estruturação do solo, que é o principal foco da utilização do pó de basalto”, conta a pesquisadora sobre o despertar dos agricultores para o produto.

Uma saída para atenuar a atual crise dos fertilizantes solúveis, importados em quase sua totalidade, se torna cada vez mais urgente. Ainda mais agora, quando a situação do mercado internacional desses produtos — abalado pelo ataque da Rússia à Ucrânia, países que são os principais fornecedores — gera um cenário preocupante em relação ao abastecimento.

Como frisa a pesquisadora, a dificuldade envolvendo o mercado dos insumos, no entanto, não é exclusivamente em função da guerra. “Essa escalada de preço já vem acontecendo nos últimos cinco anos. A gente tem visto aumentos de preços de fertilizantes e escassez cada vez mais difícil de ser contornada”, observa Silva.

Estudos

O pó de basalto já é utilizado desde a antiguidade. (Foto: Acervo da pesquisadora)

As pesquisas na UFU estão sendo realizadas na fazenda experimental Água Limpa. Os estudos estão dirigidos a culturas de feijão, maracujá e milho, mas também são realizados ensaios em pastagens.

Os pesquisadores concluíram que, em relação à granulometria do pó de basalto, a indicação é a passante pela peneira de abertura de malha 0,50, ou seja, 0,030mm. O objetivo agora é definir a frequência de aplicação nas diferentes culturas. Para a correção do solo com calcário, por exemplo, são realizadas análises anuais, sendo feitas aplicações a cada três anos, aproximadamente.

No início de junho, novos estudos começaram, mas na Fazenda Buriti (BR 050, Km 63), da Fundação de Excelência Rural de Uberlândia (Ferub), também como resultado da parceria com a PMU. Lá, a UFU está fazendo testes com alface, couve, beterraba, rúcula, cebolinha e tomate.

Alguns fertilizantes e corretivos de solo, explica a docente, não disponibilizam todos os seus nutrientes e poder corretivo no primeiro ano de aplicação. Ou seja, ocorre um efeito tardio, o que é conhecido como “slow release”. Esse comportamento, acrescenta Silva, é muito bom para algumas culturas, pois a liberação ocorre conforme a necessidade do ciclo de desenvolvimento de cada uma delas.

A utilização de remineralizadores de solo, como são classificados os pós de rocha (entre eles o pó de basalto), um insumo de baixo custo, pode ser uma opção para manter a agricultura sustentável economicamente.  A utilização do pó, que é um subproduto da mineração e produzido em pedreiras, é uma possibilidade para o aproveitamento eficaz dos nutrientes pelas plantas.

No entanto, destaca a docente, os pós de rocha não vão substituir os fertilizantes solúveis ou acabar com a dependência dos produtos externos. “O insumo é muito bom, ele vai contribuir com tudo isso, mas não vai substituir. Porque a gente substitui, por exemplo, uma fonte de carboidrato por outra fonte de carboidrato, uma fonte de proteína por outra fonte de proteína. Então, ele potencializa o fertilizante, mas não substitui”, alerta Silva.

 

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