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17/11/2022 - 11:23 - Atualizado em 21/11/2022 - 08:57
Espetáculo do curso de Teatro da UFU é um dos nove selecionados para o Festival Nacional de Teatro Universitário de Brasília
Montagem 'O Futuro é ancestral' representa a Universidade Federal de Uberlândia e o estado de Minas Gerais na terceira edição do evento, na noite desta sexta-feira (18/11)
Por: 
Lyege Evangelista

Um projeto que surgiu a partir de uma disciplina do curso de Teatro da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), coordenado pela professora Mara Leal, foi um dos nove espetáculos selecionados para participar da terceira edição do Festival CéU – Cena Universitária Nacional de Brasília. A montagem "O Futuro é Ancestral" foi desenvolvida remotamente, devido à emergência sanitária provocada pela pandemia de covid-19, e apresenta uma temática indígena. O espetáculo será apresentado nesta sexta-feira, 18 de novembro, a partir das 20h, no auditório da Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (AdUnB).

Conforme a professora, a escolha da temática se deu a partir da necessidade de uma aproximação das experiências indígenas. Como se trata de algo amplo e que permite diversas abordagens, Mara revela que tanto ela quanto os alunos acabaram optando pela questão da ancestralidade. "Todos nós temos uma ancestralidade indígena, muitas vezes apagada por conta da violência colonial. Cada uma fez a sua árvore genealógica e, a partir dela, foram surgindo personagens e narrativas que mais nos interessavam", explica.

O espetáculo possui uma estrutura narrativa que foca na ancestralidade das pessoas envolvidas e traz abordagens sobre as culturas indígenas brasileiras. A montagem se inicia com uma narativa que foi coletada oralmente do povo Desana, localizado no estado do Amazonas, chamada "No princípio o futuro não existia". Essa coleta apresentou que há uma outra possibilidade de se pensar o início da existência humana no planeta. Assim, a primeira personagem da peça é o primeiro ser surgido: a avó do mundo. A partir dela, foi criado todo o universo. "A maioria das pessoas envolvidas são do sexo feminino e, a partir dos estudos de ancestralidade, ficou muito forte a questão da violência contra a mulher e contra as ancestrais. Principalmente, violência envolvendo mulheres negras e indígenas. A questão da violência foi trazida para a cena dramatúrgica. Uma cena que não tem uma dramaturgia linear, mas um movimento coral que a cada cena vai se desdobrando em uma cena relacionada à ancestralidade brasileira", comenta Mara.

Sobre o projeto, a coordenadora explica que a montagem é realizada em áreas externas e abertas, e apresenta elementos como fogo, água, ar e terra. O grupo da UFU foi o único da Região Sudeste a ser selecionado para este festival. Mara conta que, antes mesmo da seleção, as expectativas já eram altas: "Os alunos já estavam apresentando essa montagem na universidade e, após descobrirem o edital para o Festival CéU, de imediato já se inscreveram. Nós fizemos oito apresentações na UFU, nos inscrevemos no edital e, como a temátíca deste ano já estava relacionada à 'Corpo e a Cidade', eles iriam priorizar trabalhos que tinham relação com o espaço público e aberto. Como é um evento nacional, foi uma feliz surpresa saber que havíamos sido selecionados."

Fernanda Puttinick e Luisa Della Nina, ambas alunas do curso de Teatro na UFU e participantes da montagem, declaram que foi muito especial poder trabalhar com a ancestralidade e repensar questões presentes na sociedade. Elas se dizem muito felizes em representar a instituição. "Além de estarmos aqui fazendo o que gostamos, muitos de nós não conhecíamos Brasília ainda. Ter essa troca de conhecimento com outros universitários a respeito de uma coisa que a gente ama, que é o teatro, é muito enrriquecedor", sublinha Luisa.

Fotos: Eric dos Santos Silva

Segundo Mara Leal, eventos de festivais universitários são muito importantes para a área artística, pois geram visibilidade sobre as produções que estão sendo realizadas e, principalmente, promovem aos estudantes a possibilidade de conhecer alunos de outros cursos; sendo assim, uma oportunidade de debater sobre os trabalhos e a realização de oficinas relacionadas ao teatro: "Por conta da pandemia, já fazia mais de dois anos que esses eventos não aconteciam de forma presencial. Representar a UFU e Minas Gerais, para a gente só fortalece e demonstra o quanto estamos conseguindo trabalhar no curso de Teatro da nossa universidade."

Questionada sobre a apresentação da montagem em Brasília, a professora avalia que foi uma experiência muito importante para todos os presentes. "A maioria das participantes nunca tinha tido a oportunidade de estar em um festival fora de Uberlândia. Trazemos grupos para dentro da nossa instituição, mas apresentar trabalho em outros estados foi uma novidade para a maioria do nosso. Que bom que conseguimos o apoio da UFU para isso! O evento está nos ajudando com alimentação e hospedagem, mas precisávamos do apoio da universidade para o transporte", celebra a docente.

A realização da montagem apresentou alguns desafios, tais como a sua confecção durante o período remoto. Entender a proposta da montagem e saber selecionar o que seria ou não importante para ela também foi levantado pelas estudantes como uma dificuldade. Por ser um tema sensível e novo para elas, havia uma enorme preocupação em honrar a ancestralidade da maneira devida, honrosa e respeitosa. Outra adversidade apontada por elas foi a própria temática indígena, pois, por não haver tanto conhecimento sobre, se sentiam inseguras. A busca era por representar a cultura de maneira respeitosa no espetáculo, uma vez que, segundo Mara Leal, a ideia da representação nunca foi se passar por indígenas, mas sim abordar essa cultura.

O Festival CéU conta com parceria com outras universidades e é gratuito; porém, há necessidade de se adquirir o ingresso com antecedência.

 

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