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Avaliação

Reitor e pró-reitores analisam posição da UFU no Ranking Universitário Folha

Instituição ocupa 26º lugar pelo segundo ano consecutivo

Publicado em 20/10/2015 às 17:46 - Atualizado em 09/06/2025 às 22:12

Biblioteca do Campus Pontal da UFU, em Ituiutaba (Foto: Marco Cavalcanti)

A Universidade Federal de Uberlândia (UFU) ocupa, pelo segundo ano consecutivo, a 26ª colocação no Ranking Universitário Folha (RUF), divulgado no mês passado. O RUF classifica as 192 universidades brasileiras a partir de indicadores de Pesquisa, Inovação, Internacionalização, Ensino e Mercado.

A pontuação geral da UFU é quase a mesma: 78,79 no ano passado e 78,74 neste ano. As notas melhoraram em alguns quesitos – como Ensino, em que passou da 29ª para a 20ª colocação – e pioraram em outros, como Mercado – da 43ª para a 53ª posição.

O reitor Elmiro Santos Resende e os pró-reitores Marcelo Beletti (Pesquisa e Pós-Graduação) e Marisa Lomônaco (Graduação) analisaram os dados e a importância da avaliação.

Pesquisa

Oito indicadores compõem o quesito Pesquisa: número de trabalhos científicos publicados, número de citações de um artigo científico em outros trabalhos, proporção de publicações por docente, proporção de citações por docente, proporção de citações por publicação, volume de recursos obtidos em agências de fomento, número de publicações em revistas científicas nacionais e proporção de pesquisadores com alta produção acadêmica.

A UFU aparece na 28ª posição, com 34,28 pontos (em 2014, estava na 27ª, com 34,31 pontos), o que reflete a realidade da instituição, na opinião do pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação. “Historicamente, a pesquisa aqui na UFU não tem tido o apoio que deveria ter, e pesquisa é o que dá nome para a universidade. O orçamento da Propp não chega a R$ 600 mil neste ano. Só para manutenção de laboratórios eu precisaria de R$ 1 milhão”, defende Beletti.

Segundo Elmiro Resende, a pesquisa deve ser a área mais afetada pelo corte de recursos do governo federal neste ano. “O contingenciamento dos programas de pós-graduação pode retardar as pesquisas e a importação de equipamentos que são necessários. Nós temos que ficar atentos, corrigindo na medida do possível”, explica o reitor.

Inovação

O quesito Inovação corresponde ao número de pedidos de patentes, ou seja, do direito de exclusividade para explorar comercialmente novas ideias. É o item em que a UFU tem melhor colocação, 17ª, com 3,48 pontos (a mesma posição do ano passado, quando obteve 3,42 pontos).

O Jornal da UFU revelou, em reportagem da edição de julho e agosto deste ano (leia aqui), que a UFU registrou 94 pedidos de patente no Instituto Nacional da Propriedade Intelectual (INPI). O processo é demorado (alguns pedidos chegam a 14 anos), mas já foram concedidas três cartas-patentes.

Para Beletti, o número ainda pode melhorar. “O Brasil não tem tradição de proteção intelectual por patente. A política de avaliação do MEC, do CNPq, cobra muita publicação, e quando você publica muito rápido não tem tempo de proteger. A UFU está entre as melhores universidades em pesquisa básica, mas isso não gera patente”, afirma.

Internacionalização

A pior avaliação da UFU continua sendo no quesito Internacionalização, que considera o número de citações de trabalhos da instituição por grupos internacionais e a proporção de publicações da universidade em coautoria internacional. Em 2014, a UFU ocupava a 60ª colocação, com 2,55 pontos. Agora, caiu para 63ª, com 2,46 pontos.

A explicação da nota ruim, segundo Beletti, é que, apesar de a UFU ter muitos convênios com universidades estrangeiras, nem todos geram resultados. São cerca de 400 convênios, mas, conforme o pró-reitor da Propp, os mais produtivos não chegam a 20.

“Internacionalização é praticamente pesquisa. Nisso podemos melhorar e a Propp tem investido. Estamos tentando colocar os pesquisadores [da UFU] em contato com pesquisadores internacionais, participando de seminários”, diz Beletti. Uma das iniciativas recentes da Propp foi a vinda da comissão de irlandeses para o UFU Ireland Science Day.

Elmiro Resende concorda que a universidade carece de avanços significativos nessa área. “A internacionalização é uma via de mão dupla. Nós temos encaminhado muitos estudantes para fora. No entanto, a demanda na outra via não tem sido muito grande. Da África nós temos um fluxo importante de estudantes, mas de outros países, não temos tido uma procura mais acentuada”, explica o reitor.

Em relação à internacionalização do corpo docente, Resende acredita que “é uma busca muito própria do professor”, mas esclarece que a universidade vem mantendo um programa de auxílio, ainda aquém do necessário, para os casos em que os periódicos exigem contrapartida em pagamento para publicações.

Beletti considera ainda que o pesquisador brasileiro é discriminado por periódicos estrangeiros. “Eu já tive experiência e posso citar vários outros casos. Nós tínhamos um trabalho da USP de São Carlos e da UFU que tentamos publicar por três vezes em revistas de alto impacto e foi recusado. Nós não mudamos em nada, só fizemos uma parceria e colocamos o nome de uma holandesa no artigo. Foi aceito”, relata o professor.

Ensino

A qualidade do Ensino foi o item em que a UFU apresentou melhoria mais significativa: passou da 29ª para a 20ª colocação. A pontuação, que era de 24,62 no ano passado, aumentou para 25,84 neste ano.

Os critérios adotados pelo RUF para medir a qualidade do Ensino são: pesquisa feita pelo Datafolha com 726 professores que analisam para o MEC a qualidade de cursos superiores e opinam sobre os três melhores cursos do país nas áreas em que são avaliadores, proporção de professores com doutorado e mestrado, proporção de professores que trabalham em regime de dedicação integral e Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade).

A pró-reitora de Graduação, Marisa Lomônaco, acredita que a UFU melhorou sua colocação devido à qualidade do corpo docente da instituição. “Nós temos um quadro de professores altamente qualificados. Temos uma quantidade ínfima de docentes efetivos que não têm mestrado ou doutorado. A grande maioria é doutor e uma boa parcela é pós-doutor. Muitos dos nossos professores são pesquisadores com produtividade (CNPq e Capes)”, relata.

O reitor considera que a UFU, de fato, melhorou sua qualidade de ensino, mas, como o ranking é feito a partir de uma comparação, a UFU subiu nove posições também devido à “piora” nos resultados de outras instituições.

Mercado

Para avaliar a adesão dos egressos do ensino superior ao Mercado de Trabalho, o RUF realizou pesquisa pelo Datafolha com 2.222 responsáveis pela contratação de profissionais nos mais diversos setores (como academias, hospitais, consultórios, empresas, entre outros), em que listavam três instituições que tenham preferência numa eventual contração de seus estudantes. Neste quesito, a UFU caiu da 43º para a 53ª posição; a pontuação foi de 13,89 para 12,68.

Elmiro Resende considera que o resultado não é "de todo ruim", mas depende também do entendimento de quais empresas foram consideradas nessa pesquisa. "Se você avalia a percepção do profissional formado na UFU entre as empresas de Uberlândia e da região, é uma coisa, o resultado pode ser um; se isso é generalizado no país inteiro, é lógico que outras universidades mais próximas [dos grandes centros] terão maiores referências", pondera o reitor.

É o que corrobora a pró-reitora, que entende que as grandes universidades do Rio e de São Paulo têm melhores resultados se a consulta feita pelo Datafolha foi realizada com empresas desses centros econômicos brasileiros, fazendo com que a UFU seja "esquecida". "Embora tenhamos uma inserção muito positiva dos nossos estudantes, seja aqui na nossa região, seja no Brasil como um todo, não há dúvidas de que eles atendem melhor a região Centro-Oeste", completa Marisa Lomônaco.

Contestações

Além das ponderações feitas pelos gestores da UFU, os resultados apresentados pelo RUF também são questionados por docentes das unidades acadêmicas. A Faculdade de Engenharia Mecânica (Femec), inclusive, enviou um manifesto aos editores da Folha de S. Paulo para contestar a avaliação. O curso de Engenharia Mecânica aparece na 39ª posição, mas aparece melhor ranqueado em outros avaliadores, o que, segundo o documento da Femec, não reconhece o trabalho de qualidade da instituição que possui o Programa de Pós-graduação em Engenharia Mecânica com nota sete na Capes, entre os cinco melhores do país.

Outra questão levantada é sobre o curso de Engenharia de Controle e Automação, na 22ª posição, que na verdade é o curso de Engenharia Mecatrônica, pois o curso nomeado pelo ranking é recente na UFU (da Faculdade de Engenharia Elétrica) e ainda não passou pela avaliação de reconhecimento do MEC.

O diretor da faculdade, professor Valder Steffen Jr., e as coordenadoras dos cursos de Engenharia Mecânica e de Mecatrônica, Elaine Assis e Vera Lúcio Franco, respectivamente, destacam ainda, no documento, que é necessário considerar os dados que a própria instituição possui e que os resultados apresentados pelo RUF não correspondem à realidade dos cursos da Femec.

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