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Cultura

Programa de Ocupação do Centro de Memória da Cultura Negra Graça do Aché está de volta

 Inscrições para a apresentação de propostas estão abertas, podendo ser realizadas até 5 de março

Publicado em 01/02/2024 às 13:28 - Atualizado em 02/02/2024 às 16:47

 

A Pró-Reitoria de Extensão e Cultura da Universidade Federal de Uberlândia (Proexc/UFU), por meio da Divisão de Fomento à Cultura da Diretoria de Cultura (Difoc/Dicult), lançou a edição de 2024 do edital do Programa de Ocupação do Centro de Memória da Cultura Negra Graça do Aché. As ações podem ser propostas por discentes ou servidores da UFU e Escola Técnica de Saúde (Estes), de todas cidades onde a instituição possui unidades: Ituiutaba, Monte Carmelo, Patos de Minas e Uberlândia.

A intenção do edital é apoiar o desenvolvimento de ações artísticas e culturais que promovam o fortalecimento e a difusão da cultura negra, integradas ao ensino, à pesquisa e à extensão. "Trata-se de oportunidade ímpar para estudantes, docentes e corpo técnico da UFU desenvolverem ações de arte e cultura, com possibilidade de aporte financeiro. Com isto, a UFU, por meio da Proexc e da Dicult, atua no cumprimento de sua Política de Cultura (e Arte), aprovada pelo Conselho Universitário", ressalta Alexandre Molina, diretor de Cultura da UFU.
 

Imagem do projeto 'Rua Fest', uma exposição de quadros
Em 2023, cinco projetos foram aprovados pelo edital do Graça do Aché. O 'Rua Fest', representado na imagem acima, foi um deles. (Foto: Magnum Barbosa)

 

Para efetivação do apoio institucional das ações de arte e cultura afro-brasileira, serão destinados recursos até o valor total de R$ 72 mil. Por sua vez, as propostas poderão ser inscritas com ações de valor total de até R$ 12 mil, em uma das seguintes categorias: 

  • Categoria I - cursos, oficinas, pesquisas das quais resultem um produto cultural final e atividades similares;
  • Categoria II - Debates, palestras, conferências, rodas de conversa e atividades congêneres;
  • Categoria III - Difusão em arte e cultura negra (exposições, saraus, exibições de filmes e documentários, shows, mostras, espetáculos, performances, apresentações culturais, dentre outros).

As propostas serão analisadas por uma comissão nomeada pela Proexc, composta por representantes dos segmentos de servidores e estudantes da UFU, além de integrantes da equipe da Proexc.

Para mais informações, acesse o edital . As inscrições de propostas devem ser feitas via formulário. 
 

Sobre o Graça do Aché

O Centro de Memória da Cultura Negra Graça do Aché tem por finalidade atuar como instrumento de política pública, na conscientização da responsabilidade social, do respeito às diferenças raciais e na promoção da cultura e história afro-brasileira. O equipamento cultural fica localizado à Av. Cesário Crosara, 4187, bairro Roosevelt. 

Convido agora você a ler o depoimento de uma das proponentes do edital do ano passado. Carla Nascimento teve o seu projeto aprovado e, durante seis meses, realizou o "Negrejá", que reuniu atividades em torno da temática "Positivação do legado afrodiáspora". Como o depoimento da estudante chamou a atenção para um tema tão atual, achei por bem deixá-lo na íntegra:

“Foi um projeto de seis meses com encontros semanais; então, representou e contribuiu muito para minha formação, mas vamos do começo... Meu nome é Carla de Brito Nascimento, sou aluna da licenciatura em Filosofia e acabo de ser aprovada no programa de mestrado da Pós-Graduação em Filosofia para realizar uma pesquisa sobre o feminismo negro, em Sueli Carneiro. Em 2023, atuei como coordenadora do 'Negrejá', cadastrado no Siex [Sistema de Informação de Extensão] como um projeto de extensão e que foi um dos contemplados pelo edital de ocupação do Graça.  

Eu comecei a pesquisar Sueli Carneiro, durante a realização da pesquisa coletiva do Negrejá. Mas, primeiramente, para falar sobre o que representou e como agregou pessoalmente e academicamente desenvolver o projeto de ocupação do Graça, eu preciso falar sobre o que significa o nome 'Negrejá'. Esta palavra não existe no dicionário; o mais próximo que tem é 'negrejar', que significa 'ser negro, tornar-se negro, parecer negro, mostrar-se triste; aparecer como uma coisa triste, desagradável'. 

Pensei em mudar a palavra, demostrando a urgência presente no 'já', para que nós nos tornemos negros, no sentido de nos letrarmos, racialmente; e transmutar esse aspecto pejorativo, que é denotado ao tornar negro. Enfim, no sentido de coletivamente, foi maravilhoso coordenar uma pesquisa coletiva de positivação do legado afrodiáspora. Isso porque, durante a graduação, é bem difícil nos depararmos com representatividade negra positiva, principalmente, ao que se refere a produções acadêmicas feitas por mulheres negras.

Por isso, nasceu o desejo de realizar esse projeto. Com o incentivo do meu orientador, professor José Benedito de Almeida Jínior, e o apoio do Graça do Aché, foram fundamentais para construir um grupo de pesquisa interdisciplinar sólido. Através do projeto, realizamos uma pesquisa que deu visibilidade e potencializou cada um dos participantes em suas respectivas áreas de estudo. 

Tivemos alunos dos seguintes cursos participando do projeto: Artes Visuais, Filosofia, Ciências Sociais, Biotecnologia e Psicologia - além de colaboradores externos, sem formação acadêmica. Essa multiplicidade de referências possibilitou conhecer pessoas e estudos que escapam as bolhas de especificidades, presentes na graduação. O contato e a troca direta com todas as pessoas envolvidas no projeto possibilitou um crescimento pessoal, visto que realizamos debates e rodas de conversas, tendo como fio condutor pesquisar obras desenvolvidas por mulheres negras, mas todos puderam trazer suas subjetividades, que foram acolhidas e respeitadas.

Além disso, academicamente, foi muito positivo, pois realizamos um seminário multidisciplinar para apresentar o resultado das pesquisas realizadas e um sarau de encerramento lá no Graça, com muita adesão da comunidade. Portanto, realizar este projeto representou poder pesquisar para além da grade curricular eurocentrada, branca e hegemônica e poder me ver representada na pesquisa. Foi possível constatar que há inúmeras mulheres negras produzindo ativamente pesquisas em todas as áreas do conhecimento - apesar do sexismo e racismo tentar gerar um silenciamento - e constatar que o letramento racial é necessário para todos, dado que o grupo foi composto por negros, pardos e brancos. Isso ocorre porque o 'Negrejá' é um movimento individual que parte de uma construção coletiva de reconhecer-se enquanto potência. 

Este projeto foi maravilhoso: fiz amigos, pude pesquisar o que gosto e ganhar certificados por isso, participar de eventos e popularizar o nome de escritoras e pesquisadoras negras. Gostei tanto, que já estou escrevendo outra proposta para o edital de ocupação do Graça deste ano”.  

 

 

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Palavras-chave: Edital ocupação Graça do Aché 2024

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