Publicado em 29/12/2025 às 11:15 - Atualizado em 29/12/2025 às 11:38
O grupo de pesquisa sobre Durabilidade e Análise Estrutural (DurAE) da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) investiga o comportamento do concreto, aplicado em dormentes ferroviários, ao longo do tempo. Responsáveis por sustentar os trilhos e distribuir as cargas durante a passagem dos trens, os dormentes ficam expostos por longos períodos a esforços mecânicos repetitivos e a diferentes condições ambientais. Os estudos analisam os mecanismos que podem comprometer o desempenho estrutural, como variações de temperatura, umidade e agentes agressivos.
De acordo com o coordenador do DurAE, Antônio Carlos dos Santos, os trilhos dos trens foram tradicionalmente construídos com madeira, material com uma vida útil curta para o projeto de uma ferrovia. Com o tempo, o concreto passou a ser utilizado em todo o mundo. “Aí entra o nosso grupo de trabalho, a gente avalia durabilidade de estruturas”, explica.
No caso dos dormentes, o estudo é desenvolvido a partir de ensaios laboratoriais e testes em escala reduzida e tamanho real, em que são avaliados fatores relacionados à confiabilidade, aos procedimentos de fabricação e às condições de uso desses objetos. A pesquisa busca um diagnóstico de durabilidade para que esse conhecimento seja transferido para a sociedade.
A estação experimental de tratamento, localizada na Faculdade de Engenharia Civil da UFU (Feciv/UFU), que conta com ambientes para análises em diferentes escalas, permite aos pesquisadores executar ensaios em condições controladas, como temperatura e capacidade de carga. Dentre os testes realizados, há o que utiliza uma câmara que estimula uma atmosfera saturada em CO², que pode atacar as estruturas de concreto. “A gente consegue simular uma situação limite. Tem um protocolo no qual faço um ensaio de três meses e é como se fosse a vida útil toda de 50 anos da estrutura. [As] patologias a gente consegue, em escala reduzida, simular e fazer previsões ou prognósticos da vida útil”, explica Santos.
Além do concreto, as pesquisas na estação experimental avaliam patologias em diferentes estruturas, como o aço presente no concreto armado. Os testes são diversos para possibilitar resultados que abranjam a maioria das necessidades das empresas e da sociedade a respeito da durabilidade das estruturas. O projeto conta com parceria de empresas privadas, e os resultados podem ser aplicados na infraestrutura das companhias ferroviárias brasileiras.
As pesquisas sobre durabilidade do concreto realizadas pelo DurAE integram uma linha contínua de estudos voltados ao desempenho de estruturas ao longo do tempo. Recentemente, o coordenador Antônio Carlos dos Santos recebeu o prêmio Fernando Luiz Lobo Barbosa Carneiro - Destaque do Ano em Engenharia de Pesquisa em Estruturas de Concreto, concedido pelo Instituto Brasileiro do Concreto (Ibracon) aos pesquisadores com trajetória que contribuiu para o avanço da engenharia de estruturas. “Fiquei muito feliz pelo reconhecimento dos pares. [...] Não é o sentido de você ser lembrado, mas você efetivamente fez uma mudança no futuro”, afirma o docente.
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Palavras-chave: DurAE Concreto Durabilidade Dormentes
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