Publicado em 08/01/2026 às 15:51 - Atualizado em 08/01/2026 às 17:33
Cientistas da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) estão transformando a execução do Programa Cisternas, do Governo Federal, que promove o acesso à água para consumo humano e produção de alimentos por meio de tecnologias sociais simples e de baixo custo.
Os projetos dessas tecnologias, atualmente disponíveis como arquivos em PDF no site do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), passarão a ser visualizados em 3D, o que facilitará a reprodução com precisão técnica.
O pesquisador Matheus Alves Dariva está desenvolvendo a modelagem BIM (em inglês, Building Information Modeling; em português, Modelagem da Informação da Construção) de todas as tecnologias sociais que compõem o Programa Cisternas.
Orientado pelo professor Alexandre Cardoso, Dariva é doutorando no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica (PPGEELT/UFU), integrante do Laboratório de Realidade Virtual e Aumentada (GRVA/UFU) e consultor do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, responsável pelo Programa Cisternas.
O programa atende comunidades em situação de vulnerabilidade hídrica, incluindo povos indígenas e comunidades ribeirinhas, que, mesmo em regiões como a Amazônica, com muitos rios e chuvas, são afetados pela ausência de água tratada.
As cisternas do projeto funcionam de formas diferentes, a depender da região, para se adaptarem às diversas realidades climáticas do Brasil. No semiárido, o foco são as cisternas de placas enterradas que armazenam água pluvial para períodos de seca. Na Amazônia, a tecnologia principal é a cisterna suspensa, projetada para áreas de várzea onde o solo alaga. Ela capta água de fontes abundantes, como rios ou poços, e a conduz por um sistema de elevação até reservatórios de 5 mil litros. O diferencial técnico está no tratamento: a água passa por filtros de areia e sistemas de purificação antes de ser distribuída para o consumo e para módulos sanitários.
O doutorando da UFU é responsável por realizar a transição digital do Programa Cisternas, migrando as diretrizes construtivas atuais de documentos estáticos em PDF para a metodologia BIM. Essa padronização técnica visa a garantir que qualquer pedreiro no país consiga executar os projetos com exatidão, eliminando desperdícios de recursos públicos, facilitando a fiscalização de orçamentos e permitindo que o governo ganhe escala na entrega de soluções de saneamento e água potável para comunidades isoladas.
“A gente consegue extrair quantitativos de forma automática. Isso gera uma transparência muito grande para o ministério, porque eu sei exatamente quantos tijolos, quantos sacos de cimento e quantos metros de cano vão em cada tecnologia”, explica o engenheiro.
Dariva apresentou parte do trabalho na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP 30), em Belém, no dia 17 de novembro de 2025. Na ocasião, foi exibido um vídeo cinematográfico ambientado em um cenário fotorrealista da Floresta Amazônica e representando, com precisão, a implantação da tecnologia nas comunidades beneficiadas. O vídeo foi produzido em conjunto com Guilherme Perez Felisbino, graduando em Letras, e Erick Nascimento Tófolo, mestrando em Engenharia Elétrica, todos vinculados ao GRVA/UFU.
A tecnologia BIM promove a modelagem dos componentes em 3D “como se fossem legos", explica Dariva. Essa modelagem pode carregar o máximo de informações possível sobre os projetos das cisternas, extrair o quantitativo dos materiais e o orçamento. Cada tecnologia é adaptada a uma região do país. Além da modelagem BIM, o trabalho integra competências de engenharia, computação gráfica, visualização avançada e tecnologias imersivas.
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Palavras-chave: Engenharia Elétrica COP30 Programa Cisternas
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