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27/05/2019 - 15:13 - Atualizado em 02/06/2019 - 09:58
Pesquisadores avaliam festival de ciência e se preparam para próximo Pint of Science
Evento que leva cientistas para apresentarem pesquisas em bares já tem data programada para 2020
por Autor: 
Marco Cavalcanti

 

O Pint of Science chegou ao Brasil em 2015 e está em expansão (foto: Marco Cavalcanti)

 

Em 2020, o maior festival de ciência do mundo, o Pint of Science, será realizado nos dias 11, 12 e 13 de maio. O evento é anual e acontece simultaneamente em diversos países. Em 2019 o Brasil foi, entre as 24 nações participantes, o que mais teve cidades sediando o festival: 85.

O objetivo do Pint of Science - que chegou ao Brasil em 2015 - é o encontro direto entre pesquisadores que querem mostrar suas mais recentes pesquisas e a população que deseja saber o que é produzido nas instituições científicas.

No Pint of Science, os cientistas têm como missão “esquecer” os termos técnicos durante a apresentação de seus trabalhos. Os espaços (bares, restaurantes, cafeterias etc.) e a organização tentam se encaixar em um formato pré-definido que promove a descontração e a integração. Ou seja, as “não palestras” quanto mais “distantes” da academia, melhor.

Os professores, estudantes e técnicos da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), do Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM) e de outras instituições científicas da região estiveram envolvidos com o evento em quatro bares, em Uberlândia e em Ituiutaba.

“Esta iniciativa, que chegou sorrateiramente, mas que causou um grande impacto, tem tudo para se consolidar em Uberlândia, bem como fazer com que outros eventos, de igual magnitude, possam aparecer”, afirma o coordenador do Pint of Science em Uberlândia, Eduardo Bernardes, psicólogo formado na UFU e doutor em Ciência pela Universidade de São Paulo.

Bernardes pretende ampliar a divulgação do festival para atrair mais pesquisadores. "O simples fato de um evento como este existir e poder estar acessível para a população de Uberlândia, em função do enorme abismo, ainda existente, entre os cientistas e a comunidade (principalmente a não acadêmica), já é um fator extremamente positivo”, comenta.

Os cientistas têm como missão 'esquecer' os termos técnicos durante as apresentações (foto: Marco Cavalcanti)

Ituiutaba

O festival na cidade do Pontal do Triângulo Mineiro envolveu 12 palestrantes, incluindo professores da UFU, da Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG), do IFTM, além de contar com professores do interior do estado de São Paulo (Barretos e São Carlos).

“O evento acontece num momento histórico brasileiro em que muito se questiona sobre a produção científica brasileira, então, nada melhor do que esta oportunidade para aproximar o cientista brasileiro e sua pesquisa com o público geral em forma de palestras descontraídas em ambientes informais”, afirma o coordenador do Pint em Ituiutaba, Wallisom Rosa, docente do Instituto de Ciências Exatas e Naturais do Pontal (Icenp/UFU).

Em Ituiutaba, os temas abordados foram Música, Tecnologias, Matemática, Saúde Mental, Psicanálise, Geografia, Transgênicos, Sistemas Complexos, Química, Educação e Ciência, Astronomia e até a própria Cerveja, que alinhava, do nome ao espírito, o festival.

A docente Camila Coimbra, do Icenp/UFU, “adorou” a experiência e considera interessante falar sobre seus estudos em um espaço não habitual. “Nós tivemos que fazer uma linguagem mais acessível para falar nesse espaço do bar. Isso foi importante. A ideia de transformar nossa linguagem em uma linguagem mais acessível foi um grande desafio, mas acho que um desafio importante para nós, hoje, nesse cenário”, destaca. “Foi um desafio, mas um desafio necessário”.

Nos dois bares que toparam receber o festival em Uberlândia foram apresentados 18 temas. As apresentações variaram de abelhas a oxigênio. De modelagem e simulação da natureza a cárcere e consumo.

O reitor da UFU, Valder Steffen Júnior, membro da Academia Brasileira de Ciências, foi um dos pesquisadores que se esforçaram para “traduzir” o conhecimento científico para o público.

Steffen Júnior aprova a iniciativa. “Os pesquisadores da universidade, havendo disponibilidade, devem participar de outras edições do Pint of Science exatamente com essa finalidade, de divulgar o trabalho de pesquisa realizado nos nossos laboratórios. Para mim foi uma experiência altamente positiva. E havendo possibilidade, eu gostaria de repeti-la no futuro”, revela o reitor.

Nos bares que toparam receber o festival em Uberlândia foram apresentados 18 temas (foto: Marco Cavalcanti)

 

Elite

A estudante do curso de Jornalismo da UFU, Julia Alvarenga, reconhece a proposta do Pint of Science como “extremamente interessante e inovadora” e que leva projetos que interessam à população, a qual não tem acesso a eles. A crítica dela, no entanto, mira os preços nos cardápios.

“Percebi que os locais escolhidos não são muito populares. Os preços são mais elevados e têm um público mais elitizado, o que se mostrou na audiência das apresentações”, observa Alvarenga.

O diretor de Pesquisa da UFU, Kleber del Claro, tem opinião semelhante à da estudante. “Excelente evento, de importância enorme para a divulgação da ciência. Aproximação entre a universidade - e sua ciência - da população ávida por conhecer a ciência que nós fazemos”.

Del Claro afirma que é precismo popularizar mais o evento, e que, por isso, gostaria de ver o festival nos bares do Mercado Municipal, que ele considera “menos elitista”.

O coordenador do Pint of Science em Uberlândia explica que o critério para definir a escolha dos estabelecimentos foi a localização e as condições oferecidas. Bernardes também esclarece que o festival é um processo, que tem uma evolução.

No início, ele atinge um público que tem ou teve algum contato com o mundo acadêmico. “Em um segundo momento, quando o evento estiver consolidado e ramificado – o que já vem acontecendo – ele pode ensaiar um acesso a setores onde a carência de conhecimento científico é ainda maior”, diz Bernardes.

Para algumas comissões organizadoras, o Pint of Science 2020 já começou. Aqueles que quiserem participar da organização, como palestrante, com bar ou restaurante ou patrocínio pode acessar a página do Pint of Science e procurar a equipe organizadora do evento na cidade.

 

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