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18/06/2019 - 10:08 - Atualizado em 02/08/2019 - 16:09
Contribuições medicinais do araçá-roxo
Dissertação de mestrado analisa as atividades biológicas dos óleos essenciais derivados da planta
por Autor: 
João Pedro Rabelo

 

A Psidium myrtoides O. Berg, mais conhecida como araçá-roxo, é uma árvore cujos frutos são de cor arroxeada e têm sabor adocicado. (Foto: Arquivo do pesquisador)

 

O estudo de plantas e fungos hoje na Universidade Federal de Uberlândia (UFU) é um vetor no desenvolvimento de pesquisas que revelam potenciais medicinais em produtos naturais. Esses elementos têm compostos que podem ser bioativos contra várias doenças, além de poderem ser utilizados com fins terapêuticos.

E é isso que o curso de Química da UFU vem pesquisando recentemente. Agora imagine você que o estudo de uma planta possa descobrir efeitos antibacterianos, anti-inflamatórios, antifúngicos, antioxidantes, antitumorais e herbicidas em um composto químico.

Pois bem, a dissertação de mestrado de Flávia Clemente, bacharel em Química e estudante do programa de Pós-Graduação da UFU, pode explicar melhor. A pesquisa intitulada “Estudo da composição química e atividades biológicas do óleo volátil da Psidium myrtoides O. Berg”estuda uma planta conhecida do cerrado mineiro, o Araçá-roxo, e dedica-se a comprovar os fins terapêuticos do produto derivado desse vegetal: os óleos essenciais.

 

O araçá-roxo e os óleos essenciais

Conhecida cientificamente pelo nome Psidium myrtoides O. Berg, da família Myrtaceae, o Araçá-roxo é uma árvore brasileira encontrada no cerrado e originária da floresta tropical densa da Mata Atlântica, ameaçada de extinção. Os frutos dessa planta são de cor arroxeada e têm sabor adocicado. Ela pertence ao gênero psidium, conhecido pelo seu potencial medicinal (antibacteriano, antifúngico, anti-inflamatório, antioxidante, antitumoral e herbicida).

A atuação da pesquisadora diante dessa espécie foi motivada pela escassez de estudos que mostrassem alguma contribuição mais aprofundada do Araçá para a ciência. Segundo Clemente, até meados de março de 2018, não havia nenhum artigo publicado sobre a planta, o que instigou o grupo de Produtos Naturais da UFU a realizar o estudo químico e biológico do Araçá-roxo.

Mas, antes de continuarmos com o desenvolvimento do assunto, precisamos entender o que são os “Óleos Essenciais”. A Internacional Standard Organization (ISO) define o óleo essencial como o produto obtido de uma matéria-prima natural de origem vegetal pelo processo de destilação a vapor ou por processos mecânicos do pericarpo (a camada externa do fruto das angiospermas, as plantas que têm sementes protegidas por frutos) da fruta.

 

O óleo essencial desenvolvido a partir do araçá-roxo tem atividade antibacteriana e antiprotozoária contra o Trypanosoma Cruzi, transmissor da doença de Chagas. (Foto: Arquivo do pesquisador)

 

O estudo de Clemente começou a ser desenvolvido em agosto de 2017, financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e será defendido em 17 de junho deste ano. Os resultados da pesquisa mostraram que o óleo essencial do Araçá-roxo poderá ser considerado e empregado como um fitoterápico (produtos e fármacos obtidos das plantas para fins terapêuticos).

De acordo com a química, o estudo de compostos químicos derivados de plantas não é algo novo. Existem grupos científicos que estudam produtos naturais espalhados por universidades pelo Brasil. Um exemplo que a mestranda trouxe é o óleo da copaíba. Estudos feitos pelas universidades federais do Pará (UFPA), do Sergipe (UFS) e na Estadual de Campinas (Unicamp) mostraram efeitos anti-inflamatórios e no combate a alguns tipos de câncer.

Na UFU, a dissertação encontra relevância de atuação dentro de um cenário que busca a viabilidade de custo e gere benefício para as pessoas. Um dos resultados dos testes de aplicação do óleo derivado do Araçá-roxo demonstrou avaliação antibacteriana e antiprotozoária contra o Trypanosoma Cruzi, protozoário responsável pela doença de Chagas.   

Clemente destaca que é possível direcionar o estudo biológico da planta de acordo com o perfil químico do composto. “Um componente químico no óleo essencial, chamado óxido de cariofileno, é conhecido na literatura pela sua atividade anti-inflamatória. Com esta informação foi possível realizar testes biológicos para avaliar o potencial anti-inflamatório do óleo essencial das folhas do Aracá-roxo”, explica.

Testes biológicos preliminares realizados pelo grupo de pesquisa da professora Cássia Dias, no campus Umuarama, já atestaram o efeito anti-inflamatório promovido pelo óleo essencial da folha do Araçá-roxo.

Depois de concluir os trabalhos sobre óleos essenciais e as contribuições que a planta arroxeada traz, Clemente projeta agora os próximos passos. “No doutorado, pretendo ingressar na área de síntese orgânica e medicinal, que também tem a Química de Produtos Naturais inserida”, comenta. “Pretendo aperfeiçoar e aprofundar meus conhecimentos nesta etapa para contribuir muito mais com a sociedade e a academia”, finaliza.

 

 

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