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04/09/2019 - 08:05 - Atualizado em 10/09/2019 - 16:56
Educação básica é palco para pesquisadores mirins
Pré-iniciação científica permite que estudantes vivenciem experiências acadêmicas ainda na escola
por Autor: 
Matheus Maia

Membros do Grupo de Pesquisa em Inovações Tecnológicas (GEPIT) (Foto: Alexandre Costa)

 

Toda criança chega ao mundo pesquisando. Pesquisa com os sentidos, com o corpo, com as percepções, com as palavras. Desde bem pequena, ela se revela criadora infinita de perguntas e hipóteses, buscando respostas e compreensão sobre fatos, fenômenos, ações, reações e assim vai até a fase adulta. Essa sede de saber é explorada pela Escola de Educação Básica da Universidade Federal de Uberlândia (Eseba/UFU) por meio do Grupo de Pesquisa em Inovações Tecnológicas (Gepit). Criado em 2008 e institucionalizado em 2014, o grupo, formado por cerca de 90 pessoas, sob coordenação da professora Maísa Gonçalves da Silva, desenvolve pesquisas com alunos do Ensino Básico e Médio relacionadas ao eixo de sustentabilidade, que se apoiam em quatro pilares: ambiental, econômico, social e cultural. 

As propostas de pesquisas têm como princípio ações ambientalmente corretas, economicamente viáveis, social e culturalmente justas e igualitárias. Atualmente, a Iniciação Científica Discente (ICD) na Eseba/UFU acontece de forma voluntária, similar à Iniciação Científica do Ensino Superior, em que os grupos de trabalhos de professores e alunos são formados por afinidades relacionadas aos temas pesquisados. O projeto surgiu como uma iniciativa exclusiva da Eseba e se tornou um projeto de extensão, que atualmente conta com a participação de outras instituições de ensino da cidade. 

De acordo com Silva, o projeto ajuda na formação intelectual desses alunos que, desde o Ensino Básico, são orientados por meio de disciplinas de metodologia, nas quais se dá o processo de construção de um projeto, oferecendo uma formação de qualidade aos alunos. Junto a isso, há o poder de conscientização para mudanças, considerando a tematização da “sustentabilidade”.

Silva acredita que trabalhos como esse apresentam  aos alunos a importância de incorporar ações no dia a dia que modifiquem a realidade do amanhã. Porém, o projeto enfrenta o embate da ausência de reconhecimento do estudante da Educação Básica como pesquisador. “Eu consigo cadastrar a pesquisa, mas não consigo cadastrar ele [estudante de educação básica] enquanto aluno pesquisador”, afirma Silva. 

 

Premiações conquistadas pelo grupo (Foto: Alexandre Costa)

 

Além disso, outra dificuldade enfrentada pelo projeto é a ausência do amparo federal para subsidiar o auxílio, o que acaba inviabilizando algumas ações, como a participação na 4ª Feira Brasileira de Iniciação Científica (Febic). “A universidade se vê barrada pela inexistência, em âmbito federal, do financiamento efetivo da pesquisa para alunos da educação básica”, esclarece Silva. 

O evento, que acontece em Jaraguá do Sul (SC), é a maior feira de ciência do país. Promovida pelo Instituto Brasileiro de Iniciação Científica (Ibic), o evento reúne estudantes de vários estados brasileiros e de outros países, que são convidados a exporem seus trabalhos. Neste ano, o grupo da Eseba teve 13 trabalhos aprovados, porém, devido à distância do evento extrapolar 500 km de distância, a universidade não pode oferecer o transporte, o que compromete a participação dos alunos. No entanto, ações já estão sendo feitas para buscar uma saída. A criação de uma Vakinha on-line e a venda de rifas são algumas das estratégias para que os alunos tenham condições de irem ao evento.  

 

Feira mineira

 

Entre os dias 13 e 16 de agosto, o grupo participou da Feira Mineira de Iniciação Científica (Femic) no município de Mateus Leme (MG). A Femic é realizada pela Associação Mineira de Pesquisa e Iniciação Científica (Ampic), parcerias de instituições locais e do Núcleo de Educação e Pesquisa em Educação, Meio Ambiente e Saúde (Nemas) da Faculdade de Educação da Universidade do Estado de Minas Gerais (FaE/UEMG), além do apoio de agências de fomento e patrocínios de vários segmentos da sociedade. Neste ano, foram 12 trabalhos do Gepit aprovados no evento, compreendendo alunos da Eseba/UFU e de extensão com trabalhos do Ensino Fundamental regular e Proeja, Médio e Ensino Superior.

Dentre os trabalhos apresentados, os alunos do 7º ano do Ensino Fundamental ganharam o prêmio de 1º lugar na classificação geral com o trabalho “Potencial De Geração De Energia Elétrica: Captação Da Energia Cinética Correlacionadas Aos Movimentos Humanos”. O trabalho, desenvolvido pelos alunos Pedro Miguel de Oliveira Baliano (12), Kenzo Massuda Palhares (13) e Clara Cristina de Oliveira (12), alunos da Eseba, tem uma temática voltada para a engenharia. 

 

Pedro Miguel de Oliveira Baliano , Clara Cristina de Oliveira e Kenzo Massuda Palhares (Foto: Alexandre Costa)

 

O trabalho, que partiu da indagação “Como transformar a energia cinética do corpo humano para energia elétrica, e qual o potencial elétrico envolvido?”, busca desenvolver um circuito que capte o movimento e transforme em energia elétrica para carregar uma bateria, por exemplo, do celular e que a energia gerada seja limpa, renovável e consequentemente sustentável. Além disso, os alunos fazem uma pesquisa sobre a possibilidade de geração de energia, buscando utilizá-la como recurso para ciclistas que trafegam em período noturno, mediante sinalização de localização e mudança de direção, por meio de placas luminosas desenvolvidas através do mecanismo do “Lilypad” , um microcontrolador desenvolvido para vestimentas e tecidos inteligentes, com o intuito de melhorar o trajeto percorrido pelos ciclistas. 

Os alunos Arthur Cunha Pena, Murilo Cesário da Costa e Maria Clara Álvares de Melo Silva foram destaques do evento, com o trabalho “Produto Alimentício Rico Em Proteínas: Avaliação Das Leguminosas Para Atender Os Princípios Do Vegetarianismo Vegano”, desenvolvido por meio do projeto de extensão. O trabalho, segundo os pesquisadores, busca sanar uma preocupação da sociedade atual em relação às práticas veganas. 

Em pesquisa, ficou constatado que, na prática vegana, subgrupo do vegetarianismo, a restrição é maior, pois não há ingestão ou utilização de produtos de origem animal. Sendo assim, eles propuseram o estudo do potencial proteico de leguminosas e na integridade de aproveitamento dessas, a fim de desenvolver um produto alimentício rico em proteínas, que atenda aos princípios da comunidade vegetariana estrita. Vale ressaltar que essa comunidade enfrenta uma oferta e demanda limitada por poucas empresas, acarretando uma elevação nos preços de mercadorias, afirma Costa. Dessa maneira, o objetivo foi desenvolver um produto alimentício que forneça o nutriente, auxiliando o indivíduo a ter maior facilidade para ingerir valores de recomendações nutricionais indicados à dieta humana, especialmente as pessoas que se adequam a esse estilo de vida, e incentivar a concorrência pelo aumento das opções de mercado. 

A pesquisa possibilitou que os alunos ganhassem o credenciamento para Feira Brasileira De Iniciação Científica (Febic), que acontecerá em setembro de 2019, em Jaraguá do Sul (SC), além da Bolsa de Iniciação Científica do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) .

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