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07/10/2019 - 15:55 - Atualizado em 10/10/2019 - 10:34
Pesquisa avalia impactos da indústria da cerâmica em Monte Carmelo
Trabalho utilizou imagens de satélite para registrar danos ambientais
por Autor: 
Marco Cavalcanti

Desmatamento e alteração da paisagem foram algumas das consequências das atividades das olarias (fotos: acervo da pesquisadora)

 

Um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) da graduação em Engenharia de Agrimensura e Cartográfica da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) avaliou, em 2018, os impactos causados pela indústria de cerâmica no município de Monte Carmelo, situado na região do Alto Paranaíba, em Minas Gerais.

Desenvolvida por Lays Fonseca, atualmente mestranda do Programa de Pós-graduação em Engenharia Civil da UFU, a pesquisa revelou, como consequência das atividades das olarias, desmatamento, alteração da paisagem e da estrutura do solo e poluição sonora, causada pelo ruído das máquinas.

A cidade de Monte Carmelo, que fez aniversário no dia 6 de outubro, passou a ser conhecida como “capital mineira da telha” por ter sido referência em produção de telhas, tijolos e outros artefatos de cerâmica. 

De acordo com o TCC, a primeira olaria foi instalada em 1920 e o auge de produtividade se deu nos anos 1990, quando a cidade chegou a ter cerca de 40 indústrias de cerâmica vermelha.

A partir do ano 2000, ocorreu um declínio na produção devido a  diversos fatores, como a intensificação das fiscalizações, custos de produção e a concorrência das telhas de cimento. As dificuldades causaram a falência da maioria das olarias. Uma retomada, no entanto, foi iniciada em 2006, registra o estudo.

Para o desenvolvimento do trabalho, além da consulta bibliográfica e da verificação em campo, foram confeccionados, com o auxílio do Google Earth e de outro software, mapas temáticos. O mapeamento identificou Áreas de Preservação Permanente (APP) e a localização de jazidas de argila, matéria-prima da cerâmica. Um dos objetivos foi verificar a proximidade entre as atividades da extração de argila e as APPs.

Uma série de mapas criada com imagens de 2012, 2016 e 2018 registrou o avanço da extração em algumas propriedades rurais. Uma delas, a fazenda Buritis do Penedo, foi escolhida porque nela estão localizadas tanto jazidas exploradas no auge da extração — nos anos 1990 — quanto atualmente. 

“O trabalho teve como objetivo mapear as jazidas existentes e avaliar as mudanças nas áreas ao longo dos anos. Infelizmente, foram observadas algumas jazidas já desativadas nas quais não houve nenhum trabalho de recuperação da área degradada, prejudicando o solo e cursos d'água da região”, relata Ismarley Morais, docente da Faculdade de Engenharia Civil da UFU e orientador da pesquisa.

Morais afirma que, além de servir para identificar estes locais que necessitam de medidas que reduzam os impactos causados pela indústria ceramista, o trabalho serve como referência para os órgãos públicos, possibilitando o monitoramento e a gestão da atividade na região para reduzir os prejuízos ou transtornos causados à população.

Conforme a autora, “é preciso que haja uma conscientização por parte dos envolvidos no setor, a fim de aprimorar esse processo, reduzir os impactos e recuperar as áreas degradadas após a extração”.

 

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