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10/02/2021 - 15:37 - Atualizado em 11/02/2021 - 09:13
Pesquisadores testam medicamento de Alzheimer como estratégia terapêutica para Chikungunya
Estudos de cientistas da UFU, Unicamp e Uniara se concentram na ação antiviral do hidrocloreto de memantina
por Autor: 
Marco Cavalcanti

A Chikungunya é transmitida pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus (foto: NIAIDFotos Públicas)

A febre Chikungunya é uma doença endêmica em países tropicais e sub-tropicais causada pelo vírus Chikungunya (CHIKV) que apresenta, em sua fase aguda, sintomas similares aos da dengue, como febre e dores no corpo. Além disso, ela pode progredir a condições crônicas com possibilidade de durar de meses a anos.

Considerando os problemas causados pelo CHIKV e o fato de, até o momento, não haver vacina ou tratamento eficaz para combater esse vírus, pesquisadores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade de Araraquara (Uniara) estão explorando a possibilidade de se reposicionar um fármaco utilizado no tratamento de Alzheimer, o hidrocloreto de memantina, para combater o CHIKV.

Os estudos ainda estão em progresso, mas os resultados já obtidos nos testes in vitro ― primeiro passo capaz de apontar a eventual atividade de um composto ― animaram os cientistas. Esses resultados parciais foram recentemente publicados na revista Pharmacological Reports.

A doença de Alzheimer (AD) causa a degeneração do sistema nervoso do paciente, acarretando a perda da memória e da função mental. Na Chikungunya, transmitida pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus, os sintomas são distintos: febre, manchas vermelhas na pele, fadiga e dor nas costas, cabeça e articulações. Ou seja, olhando de longe, uma coisa não tem nada a ver com a outra.

A semelhança, no entanto, é explicada por Fernando Bergamini, professor do Instituto de Química da UFU e integrante do grupo que desenvolve a pesquisa.“Em termos sintomáticos, não há relação entre AD [doença de Alzheimer] e CHIKV. Entretanto, ambas as doenças dependem de um canal de prótons chamado de M2. Para o caso do vírus, esse canal está relacionado com o ‘desnudamento’, isto é, com liberação do material genético do vírus na célula, para que haja a replicação [multiplicação do vírus]. Quando se inibe este canal de prótons (M2), se inibe a replicação viral. Para o Alzheimer, a regulação dos canais iônicos como M2 também são essenciais para o controle da progressão da doença”, resume o pesquisador.

Bergamini lembra que os compostos aminoadamantoides foram desenvolvidos para serem aplicados como antivirais.  E que, por conseguirem a inibição do canal de prótons M2, foram reposicionados para o tratamento da doença de Alzheimer.

“Agora, exploramos o caminho contrário, avaliando um fármaco aminoadamantoide, como a memantina, desenvolvido para AD, como fármaco antiviral frente ao CHIKV”, acrescenta.

Cientistas pesquisam o cloridrato de memantina especialmente em doenças degenerativas e infecções virais. Em pesquisas recentes, inclusive, verificaram que a substância conseguiu inibir SARS-CoV-2 (o novo coronavírus) em algumas concentrações.

In vitro

Os estudos in vitro mostraram que o hidrocloreto de memantina, cuja estrutura é similar a fármacos utilizados contra cepas de influenza A, inibe o vírus causador da Chikungunya.

Com esse resultado promissor, os pesquisadores pretendem realizar os ensaios in vivo [em modelos animais], assim que tiverem o aval do Comitê de Ética da UFU. Caso os resultados nos modelos in vivo também sejam promissores, os pesquisadores pretendem estimular interações com empresas farmacêuticas para a realização dos testes clínicos. Mas, como se trata de um medicamento já utilizado em outra doença, um menor número de ensaios serão necessários.

“Ainda assim, vale ressaltar que, somente após se seguir todas as etapas e com resultados positivos em todas elas, é que o fármaco poderá ser aplicado de fato. Em resumo, talvez o caminho não seja tão longo quanto o de um candidato a fármaco recém-desenvolvido, mas, ainda assim, relativamente longo, de modo a garantir que o fármaco seja seguro aos pacientes frente a esta doença em particular [a febre Chikungunya]”, reforça Bergamini.

O artigo é assinado por Anna Karla dos Santos Pereira (Unicamp), Igor A. Santos (UFU), Washington W. da Silva (Uniara), Flávia A. Resende Nogueira (Uniara), Fernando R. G. Bergamini (UFU), Ana Carolina G. Jardim (UFU) e Pedro P. Corbi (Unicamp).

 

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