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09/04/2021 - 11:34 - Atualizado em 20/04/2021 - 10:15
E-book aborda expansão e impactos ambientais do eucalipto no Brasil
Publicação é resultado de pesquisa apoiada pela Fapemig e aponta os motivos que levaram Minas Gerais a apresentar a maior área de plantio de eucalipto no país
Por: 
Eliane Moreira

A pesquisa “Silvicultura no Brasil”, que resultou no e-book “Eucalipto no Brasil: expansão geográfica e impactos ambientais”, foi realizada de 2016 a 2020. Os responsáveis foram pesquisadores do Instituto de Geografia da Universidade Federal de Uberlândia (IG/UFU), do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto Estadual de Florestas (IEF).

De acordo com a professora Gelze Serrat Rodrigues, do Instituto de Geografia da UFU, a obra aborda a expansão territorial do eucalipto no Brasil, do início do século XX ao segundo decênio do século XXI, “colocando em evidência as áreas geográficas com maior presença atualmente de eucalipto, associando tais concentrações às condições naturais e às orientações políticas e econômicas atuais e pretéritas”.

Áreas de plantio de Eucalipto - Arquivo pessoal

Ainda segundo Rodrigues, “os autores colocam em discussão os impactos socioambientais decorrentes da silvicultura, sublinhando a importância da observação das especificidades das técnicas de manejo florestal e das características geográficas onde é implantado o cultivo silvicultural”. Ao final, prossegue ela, “são colocadas em foco as motivações que levaram o estado de Minas Gerais a apresentar atualmente a maior área de plantio de eucalipto no Brasil”.

 

Sobre a coordenadora do projeto
A professora  Gelze Serrat Rodrigues, do Instituto de Geografia da UFU, desde 2015, tem pesquisado e publicado sobre os impactos socioambientais das atividades agrossilvipastoris no território brasileiro. O e-book foi lançado em 29 de março de 2021, pela editora Composer. Este é o segundo livro da professora, que em 2020 publicou pela Editora da UFU (Edufu) o e-book “A trajetória da cana-de-açúcar: perspectiva geográfica, histórica e ambiental”.

Além da professora Gelze, participaram da elaboração do e-book Jurandyr Ross, professor titular do Departamento de Geografia da USP; Georgia Teixeira, geógrafa e doutoranda do Instituto de Geografia da UFU; Oberdan Santiago, engenheiro florestal e coordenador do Núcleo de Biodiversidade do Instituto Estadual de Floresta (IEF), no Triângulo Mineiro; e Camila Franco, mestre em Geografia também pelo Instituto de Geografia da UFU.

Os interessados podem acessar a obra gratuitamente, no site do Laboratório de Planejamento e Educação Ambiental, pelolink.

Em uma conversa com a jornalista Eliane Moreira, da Diretoria de Comunicação da UFU, a professora explicou o desenvolvimento da pesquisa que resultou na publicação do seu novo e-book. Leia, abaixo:

 

Como foi feita a pesquisa que resultou neste e-book?

Durante três anos foram levantadas e analisadas referências bibliográficas, cartográficas, além de documentos oficiais nas bibliotecas da UFU, UnB, USP, ESALQ/USP e no Ministério do Meio Ambiente. Foram realizados trabalhos de campo em duas das principais áreas produtivas de eucalipto atualmente -  microrregião de Capelinha (MG) e de Três Lagoas (MS), tanto nas áreas de plantio como nas plantas industriais de carvão vegetal - Aperam BioEnergia (Carbonita, MG) - e de celulose –  Eldorado Brasil Celulose (Três Lagoas. Também foram realizados trabalhos de campo na área de plantio de pinus e eucalipto da Duratex, em Nova Ponte, e na sua indústria de placas de madeira, em Uberaba; e na Floresta Estadual Edmundo Navarro, antigo Horto Florestal de Rio Claro, onde foram feitas as primeiras tentativas de melhoramento genético do eucalipto em solo brasileiro.

No primeiro plano, mudas de eucalipto preparadas para serem cultivadas pelos funcionários da Duratex, em Indianópolis (MG). Ao fundo, maciço de eucalipto da empresa, em idade de corte (7 anos). (Foto: Arquivo pessoal)

Eucaliptal no município de Três Lagoas (MS), em 2017. (Foto: Arquivo pessoal)

 

Por que estudar o eucalipto e quais áreas foram estudadas, durante quanto tempo?

As perguntas iniciais que nos inquietaram foram "por que uma espécie australiana se expandiu tanto no estado de Minas Gerais?" e se, de fato, "o plantio dessa monocultura tem reflexos tão negativos para a área onde é plantada, como geralmente se escuta em algumas mídias?". A partir desses questionamentos iniciais, investigamos os recortes espaciais mais expressivos nos estados com maiores áreas de plantios de eucalipto: as microrregiões de Capelinha, em Minas Gerais; e de Três Lagoas, em Mato Grosso do Sul.

Edmundo Navarro, considerado como o Pai da Silvicultura Brasileira. (Foto: Arquivo pessoal)

Museu do Eucalipto, localizado na Floresta Estadual Edmundo Navarro, antigo Horto Florestal de Rio Claro (SP). Foi nesse horto que Edmundo Navarro iniciou as primeiras experiências de melhoramento genético de eucalipto no Brasil, por volta de 1910. (Foto: Arquivo pessoal)

 

O que vocês queriam com a pesquisa e a que resultados chegaram?

Em princípio, queríamos identificar e analisar os reflexos territoriais e os impactos socioambientais decorrentes da expansão da silvicultura no Brasil. Ao final do projeto, produzimos artigos, apresentamos trabalhos em congressos e elaboramos o livro “Eucalipto no Brasil”. Esses resultados podem ser vistos no pitch que elaboramos acerca do projeto, noYouTube.

 

Que impacto essas plantações podem trazer para o meio ambiente?

Essa é uma questão complexa a ser respondida. Porque depende muito do lugar onde estão localizadas as plantações, de qual o uso da terra anterior e do manejo florestal adotado. Uma das questões mais recorrentes sobre os impactos ambientais causados pelo eucalipto, por exemplo, é aquela sobre o consumo de água, o que, de fato, ainda é bastante controverso. Após a pesquisa, podemos dizer consensualmente que o consumo de água/ano do eucalipto é pouco discrepante em proporção ao de outras culturas, girando em torno de 800 a 1.200 mm/ano, como a do café, enquanto da cana-de-açúcar é de 1.000 a 2.000 mm/ano. No entanto, quando o eucalipto substitui uma vegetação nativa de porte menor, como é o caso do cerrado, pode haver a redução do suprimento de água em uma microbacia hidrográfica, mas a significância desse impacto varia conforme o clima local, principalmente com a quantidade de chuvas, com o tamanho da área de plantio, com a idade das árvores e com o manejo.

Outra questão importante a ser considerada é que, em vários, casos pastagens degradadas têm sido convertidas em plantios de eucaliptos. Nessa situação, se o manejo for adequado, há menor perda de solo por erosão e talvez maior atração à fauna silvestre para essas áreas, caso as matas ciliares estejam preservadas e a reserva legal esteja em bom estágio de conservação. Em todos os casos, o que percebemos é que para os impactos ambientais serem evitados ou minimizados sempre é necessário que haja planejamento de onde as áreas de monocultura florestal devem ser implantadas, observando de forma integrada as potencialidades e as fragilidades do sistema ambiental.

 

Como vê o resultado desta publicação? Servirá de apoio para outros pesquisadores?

Temos a expectativa de que o livro tenha grande alcance entre alunos de graduação da Geografia, Engenharia Florestal, Engenharia Agronômica e de outras áreas do campo ambiental; profissionais dos órgãos ambientais e de empresas de consultoria e de empresas do setor florestal.

 

Política de uso: A reprodução de textos, fotografias e outros conteúdos publicados pela Diretoria de Comunicação Social da Universidade Federal de Uberlândia (Dirco/UFU) é livre; porém, solicitamos que seja(m) citado(s) o(s) autor(es) e o Portal Comunica UFU.

 

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