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28/06/2021 - 10:13 - Atualizado em 01/07/2021 - 15:39
No Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+, conheça o Núcleo de Pesquisa e Acolhimento Trans da UFU
A ação de extensão acontece na Faculdade de Odontologia. Pesquisadores fazem parte da Rede de Divulgadores da Ciência da UFU
Por: 
Túlio Daniel

No dia 28 de junho é comemorado o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+. A sigla, que reúne Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais, Travestis, Queers, Intersexuais, Assexuais e demais grupos e variações de sexualidade e gênero, marca essa data, que foi escolhida para celebrar a diversidade por causa da Revolta de Stonewall. Em 1969, um bar dos Estados Unidos que carregava este nome era frequentado por gays, lésbicas, travestis e drag queens, que constantemente  recebiam retaliação policial. No dia 28 de junho daquele ano, deu-se início a seis noites de protestos, que marcaram a data como primeiro dia de resistência da população LGBTQIA+.

Na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), existem diversos projetos que visam acolher a população LGBTQIA+, e um deles é o Núcleo de Pesquisa e Acolhimento Trans (NuPAT). O núcleo surgiu como uma forma de desdobramento da pesquisa de pós-doutorado da Faculdade de Odontologia (FO), “Perfil geral e de saúde bucal dos transgêneros de Uberlândia”, desenvolvida desde 2018 por Sérgio Ferreira Júnior, sob a supervisão do professor Adriano Mota Loyola, do departamento de Patologia Bucomaxilofacial.

O projeto teve inspiração na trajetória profissional de Ferreira Júnior. “Durante a graduação em Odontologia nos anos 80, eu sentia muito incômodo com a forma de tratamento odontológico das pessoas soropositivas para HIV. Mais tarde, fui gestor de programas municipais de infecções sexualmente transmissíveis no interior de São Paulo. Essa experiência me colocou em contato com a realidade e as vulnerabilidades individuais, sociais e programáticas da população de travestis e transexuais, bem como a coinfecção tuberculose/HIV”, conta o pesquisador.

Posteriormente, ele realizou mestrado em Saúde Coletiva na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com o tema tuberculose nas prisões. No contexto prisional, ele pôde verificar a realidade dessa população nas Unidades Prisionais, e então realizou doutorado na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) sobre a tuberculose e o HIV/Aids na população de travestis e mulheres trans do município de São Paulo.

“Toda essa experiência alimentou o desejo de trazer meu estudo para a área de odontologia e foi quando conheci a professora Flávia Teixeira, da Faculdade de Medicina  (Famed/UFU) e o CRAIST [Centro de Referência e Assistência Integral para a Saúde Transespecífica], e fiquei encantado com a possibilidade de desenvolvermos o projeto”, explica o autor da pesquisa.

Os pesquisadores Sérgio Ferreira e Adriano Loyola contaram um pouco da suas experiências no NuPAT para a equipe do Comunica UFU

O CRAIST está localizado no Hospital das Clínicas (HC-UFU), e promove ações voltadas para a atenção e o cuidado em saúde de travestis e transexuais. Em todo o país, existem apenas cinco hospitais universitários que realizam a cirurgia de redesignação sexual e outros seis ambulatórios que acompanham o processo de transição de gênero, e o CRAIST é um deles. A partir dele, foi possível desenvolver o NuPAT e suas ações odontológicas.

A pesquisa possui algumas vertentes, dentre elas: traçar o perfil geral e de saúde bucal dos transgêneros acompanhados pelo CRAIST; a realização de Grupos Focais sobre a percepção dos transgêneros sobre a saúde bucal e sobre a percepção dos alunos de odontologia sobre os transgêneros; e a revisão literária sobre a influência da harmonização cruzada nos tecidos periodontais, na dor da articulação temporo-mandibular, além das manifestações bucais das doenças sexualmente trasmissíveis pelo sexo oral.

Em outubro de 2019, iniciou-se o atendimento odontológico pelo NuPAT. Para isso, houve toda uma preparação dos funcionários do Hospital Odontológico, discentes e docentes, que foram capacitados sobre diversidade sexual e gênero, por meio de palestras, encontros e leituras, sempre acompanhados de alguma pessoa trans. Adriano, que sempre esteve junto ao Sérgio no desenvolvimento do projeto, lembra que inicialmente existia uma certa recusa dos transgêneros que já faziam parte do CRAIST em colaborar e participar do projeto, que ganhou força maior com a população de travestis de outras partes da cidade. “É interessante ver como no início existia um distanciamento e timidez das pacientes e, com o passar do tempo, como elas ganharam confiança, revelando coisas para quem fazia o tratamento sem nem se quer serem questionadas, como serem portadoras de HIV, por exemplo. Justamente porque foi criado um vínculo de confiança”, conta Adriano.

Diversos tratamento odontológicos foram ofertados pelo NuPAT e casos mais complexos eram encaminhados pelo núcleo para serem atendidos (Imagem: Arquivo/NuPAT)

Rafael Costa é homem trans e já está no fim do curso de Odontologia da UFU. Ele conheceu o NuPAT por meio de Ferreira Júnior e logo se inseriu na iniciativa. “Coincidentemente, aquela chamada para participar da pesquisa aconteceu no início da minha transição. A transfobia vivenciada por mim, me estimulou a contribuir para a população trans e travesti. E, dessa forma, o NuPAT acabou se tornando um espaço de acolhimento, escuta e troca de experiências, contribuindo para o meu bem-estar”, conta Costa.

No geral, a graduação não contempla uma abordagem completa da temática, tornando o NuPAT um lugar de aprendizado para os discentes, preparando-os para um atendimento humanizado de forma integral. Com o interesse em relatar a construção, resultados e experiências do NuPAT, Costa desenvolveu seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), sobre a temática, intitulado de “Relato de Experiência da Criação e Desenvolvimento de Projeto de Extensão para Atendimento Odontológico da População Transgênero de Uberlândia”.Do seu tempo atuando no núcleo, Costa obteve apenas boas experiências: “Estar presente nas clínicas do NuPAT era mais do que aprendizado, era humanidade. Acredito que se tornar humano é ir além das salas de aulas, não é ensinado e sim vivenciado. Contribuir com a nossa população que perpassa por tanto sofrimento e negligência em saúde é o mínimo que eu poderia fazer sendo um homem trans que tem o privilégio de estar cursando uma faculdade”.

Os atendimentos também se tornaram um momento de troca e vivência pessoal (Foto: Arquivo/NuPAT)

Devido à pandemia de Covid-19, os atendimentos foram interrompidos em março de 2020 e, no total, foram atendidas 43 pessoas. Durante a pandemia, têm sido desenvolvidas atividades à distância, discutindo com a comunidade acadêmica e população em geral as miudezas do cuidado em saúde da população trans. Através das redes sociais, o NuPAT tem desenvolvido lives e ações para continuar seus trabalhos durante o período excepcional. Para o segundo semestre deste ano, o núcleo pretende realizar o primeiro Simpósio de Saúde Trans de Uberlândia, onde apresentarão os resultados da ação de extensão.

Você pode acompanhar as atividades do Núcleo de Pesquisa e Acolhimento Trans pela página deles no Instagram: www.instagram.com/nupat_foufu. Esta é a primeira de uma série de reportagens desenvolvida pelo Comunica UFU sobre alguns projetos da Rede de Divulgadores da Ciência da UFU.

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