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02/09/2021 - 14:36 - Atualizado em 10/09/2021 - 15:28
Tecnologia é aliada no ensino de alunos surdos
Família, amigos e profissionais da educação auxiliam no processo de graduação
Por: 
Laura Justino

As mãos dizem a palavra “libras”. Setembro Azul é o mês da visibilidade da Comunidade Surda Brasileira. A data foi escolhida devido aos seguintes eventos: 10/09 é o Dia Mundial da Língua de Sinais; 26/09 é o Dia Nacional dos Surdos e 30/09 é o Dia Internacional do Surdos. (Arte: Viviane Aiko).

 

Possibilitar um ensino inclusivo e que respeita as diferenças. Esse é o objetivo da pesquisadora Adriana Paiva, graduada no curso de Pedagogia na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), mestra e doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Educação, e coordenadora da Divisão de Cadastro e Regulação da Diretoria de Ensino (Diren) da mesma instituição.

A dissertação de Paiva, orientada por Guilherme Saramago, professor da Faculdade de Educação (Faced), e aprovada em 2020, buscou identificar e descrever quais são as tecnologias assistivas mais apropriadas para o ensino de matemática para alunos surdos na educação superior.

A pesquisadora defende que a tecnologia pode ajudar a melhorar a qualidade de vida das pessoas e facilitar diversas atividades do cotidiano. Por isso, selecionou quatro aplicativos que trazem soluções práticas na sala de aula para esses estudantes.

Dicionário Libras, Rybená, Hand Talk e Vlibras são mecanismos que mostram, por meio de vídeo ou de uma animação de avatar virtual, o gesto que representa a palavra escolhida pelo usuário. Eles podem auxiliar os estudos da pessoa surda em qualquer disciplina.

As ferramentas digitais melhoram a comunicação e abrem espaço para todos: “a tecnologia no processo de ensino e aprendizagem permite que o aluno vivencie situações de maneira interativa”, afirma Paiva.

De acordo com a dissertação, mídias digitais correspondem aos conteúdos acessados na internet, como jogos, aplicativos, sites e plataformas. Esses mecanismos aumentam a acessibilidade, a autonomia para o desempenho nas atividades cotidianas e a liberdade na comunicação, contribuindo para a inclusão da pessoa surda na sociedade.

Parcerias governamentais, criação de políticas de acessibilidade, treinamentos e formação continuada para os professores são necessários para que sejam oferecidas melhores condições de educação para todos.

 

Adriana Paiva defende que a tecnologia pode auxiliar na sala de aula. (Arte: Laura Justino)

 

Família e professores: aliados na educação

Paiva acredita que o processo de respeito e de acolhimento da pessoa surda se inicia na família e, em seguida, é necessário que o professor, as instituições de ensino e a sociedade também se mobilizem para oferecerem oportunidades que auxiliem a formação desse sujeito.

A pesquisa indica que todos os profissionais da escola devem trabalhar juntos para entender sobre as individualidades e adaptar programas para cada estudante surdo, como trazer novas possibilidades tecnológicas interativas para dentro da sala de aula e promover outras atividades que envolvam todos integrantes da turma.

A inclusão social dos surdos e sua aprendizagem vai além da responsabilidade da instituição de ensino e da simples inserção do aluno. “Tanto os pais como a escola devem ter a preocupação com a comunicação dos surdos”, explica Paiva.

O professor deve reconhecer a importância do trabalho cooperativo no processo de aprendizagem, além de utilizar os recursos disponíveis que podem ser aplicados como suporte de ensino. A internet é um exemplo de ferramenta versátil, que serve de apoio ao profissional.

“Muitas vezes, o aluno deve escolher entre assistir ao intérprete ou o professor, o que pode dificultar a compreensão”, aponta a pedagoga. A instituição deve identificar os recursos tecnológicos disponíveis e oferecer condições para estimular a aprendizagem e aumentar a autonomia do estudante.

A tecnologia oferece suporte para a comunicação e facilita as atividades que podem ser desenvolvidas dentro e fora de sala de aula, segundo a dissertação, que também destaca a importância de ter professores surdos nas escolas: “simboliza uma figura de liderança e representa para o aluno uma nova perspectiva sobre o seu próprio futuro”.

 

Arte: Laura Justino

 

UFU oferece apoio

Atualmente, a Divisão de Ensino, Pesquisa, Extensão e Atendimento em Educação Especial (Depae) atende dez alunos surdos pela monitoria do programa de bolsistas com conhecimento em Língua Brasileira de Sinais (Libras) em contraturnos.

O setor é responsável pelo agendamento de intérpretes de Libras em reuniões e eventos acadêmicos, que atuam na tradução de 22 alunos surdos em sala de aula, atualmente ministrada de forma remota.

Além disso, nas lives do Programa Virtual de Formação (Provifor) no Youtube (Canal Provifor), há tradutores e intérpretes de Libras, atendendo a comunidade interna e externa da UFU.

 

Políticas inclusivas

De maneira geral, nos últimos anos, houve grande avanço no que diz respeito aos direitos educacionais das pessoas com deficiência, embora ainda exista uma lacuna entre as leis e a efetivação da permanência desses alunos, principalmente na educação superior, afirma Paiva.

A legislação foi elaborada com o intuito de promover melhores condições de acesso e contribuir com o desenvolvimento da autonomia do aluno surdo para inserção no mercado de trabalho e para a vida.

No artigo 208, da Constituição da República Federativa do Brasil, inciso III, é citado que as pessoas com deficiência têm direito ao atendimento educacional necessário.A lei nº 13.146, de julho de 2015, promove igualitariamente a liberdade desse público, visando a sua inclusão social e cidadania.

Uma escola inclusiva recebe todos sem preconceito e faz o possível para resolver as questões que surgem dessa convivência de trocas de conhecimento. O Estatuto da Criança e Adolescente, lei nº. 8.069, de 13 de julho de 1990, assegura todos direitos fundamentais à pessoa para alcançar todas as oportunidades.

“O Estatuto demonstra a preocupação com as pessoas com deficiência, que devem receber tratamento especializado para que consigam usufruir da vida escolar para a obtenção do conhecimento”, explica Paiva.

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) defende que cada criança tem direito à educação e, também, os adultos com deficiência que não tiveram a oportunidade de estudar na idade adequada.

A proposta de uma educação inclusiva necessita de constante aperfeiçoamento, segundo a dissertação, e envolve a formação de uma equipe escolar capaz de lidar com as diversas situações que possam surgir e criar uma métodos de ensino eficientes para cada aluno surdo, que deve contar com o apoio familiar e ter cada direito garantido na Constituição.

 

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